“Êxodo Português”, por Joaquim Vitorino

“ ÊXODO PORTUGUÊS”

São incalculáveis os danos provocados às famílias e à sociedade portuguesa, pela grande vaga emigratória que em 5 anos tirou do país 12 por cento da população ativa.

O mundo assiste ao “Êxodo Português”. Há uma semana atrás publiquei no Jornal de Oleiros e comunidades, e também no Tinta Fresca ( Zona Oeste ) “Portugal em Fuga” mas este dramático tema não se esgota num único artigo. Efetivamente a situação portuguesa está a degradar-se e a resvalar para uma situação muito perigosa; as espectativas de melhorias no terrível estado em que Portugal se encontra, não são muito promissoras; mas vamos às causas em que é notória a falta de diálogo entre governantes e governados.

Severamente penalizados por motivos que não entendem, a esmagadora maioria dos portugueses já não se identificam com os motivos, que os estão a arrastar para um futuro negro, em que “as crianças portuguesas já nascem hipotecadas”; os pais desmotivados, transmitem aos filhos o triste exemplo de que nada há a fazer, levando estes também a insucessos escolares que vão empobrecer ainda mais o nosso futuro coletivo, a que se junta a fuga massiva de cérebros, que vão deixar o nosso ensino sem capacidade para responder às exigências que nos serão colocadas, para nos podermos erguer de novo.

Os professores estão a ser compelidos a rescisões voluntárias, ficando o ensino mais pobre; optam por sair os que estão mais próximos das reformas, ou os que decidiram emigrar. Os portugueses não podem ignorar “os perigos de populismo” subjacentes ao drama em que vivem; pois existe alguém que se prepara para se banquetear com os restos que sobram. A sociedade civil tem que estar muito atenta, ou iremos cair numa situação pior que a atual.

Ninguém nos deve prometer aquilo que não tem para dar. Esta nova emigração vai-nos sujeitar à entrega do destino de Portugal a menores valias, que se vão repercutir negativamente na recuperação do país, e na qualidade do nosso ensino, que regrediu bastante com a sua partida. As nossas crianças e jovens merecem muito mais, do que temos para lhes oferecer.

Muitos portugueses acomodaram-se e estão completamente desmotivados; muitos estão a colocar os filhos em casa dos avós, que os vão alimentando com as suas magras reformas, os pais já nem procuram trabalho porque não merece a pena; muitos nem fazem parte das estatísticas de desempregados. Divórcios e separações são em número assustador, mergulhando milhares de famílias em angústia permanente, sendo as crianças e idosos as principais vítimas. Este é o quadro negro em que Portugal se encontra, por muito que os atuais “responsáveis” nos tentem convencer do contrário.

A democracia portuguesa está debilitada, e os portugueses precisam de lhe dar um novo rumo.

Portugal está a mergulhar a passos gigantes na pobreza extrema; já somos os mais pobres de toda a Europa incluindo a não comunitária; temos que sair deste fatalismo, sensibilizando os nossos para não partirem, para que todos possamos preparar o futuro das nossas crianças, para que elas não venham a ser as futuras escravas, daqueles que com a conivência de uns quantos portugueses, decidiram que o nosso país teria que ser um seu subserviente.

O Governo já não sabe o que fazer para “agradar” aos credores; não tarda colocará um português à porta de outro, para em nome do Estado levar o pouco que lhe resta.

Muitas empresas irão fechar apertadas por impostos; outras serão deslocalizadas, porque Portugal já foi chão que deu uvas.

A imprensa portuguesa anda muito distraída, tudo isto lhes está a passar ao lado, dando preferência ao futebol. Para os portugueses, isto é ainda o começo de um grande pesadelo; ao invés do que era suposto ser, o paraíso Europeu que nos prometeram.

* Joaquim Vitorino    –    Vermelha, Direcção da Área estratégica de Cultura do Jornal de Oleiros 

PS: Uma nota positiva para este Governo pela coragem que tem, em representar o país mais pobre de toda a Europa.

Joaquim Vitorino

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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2 Respostas a “Êxodo Português”, por Joaquim Vitorino

  1. Armindo Ramos diz:

    Sinto e concordo transversalmente com o artigo em questão. Contudo há uma outra realidade.

    É que, os pais/avós desta geração ativa educou-os para o paradigma do emprego, dos direitos. Sendo que, o que está acontecer à a rotura com esse paradigma com o emergente centrado no trabalho e nos deveres.

    Querer emprego é diferente de querer trabalho. Quere-se um emprego com determinadas características “o emprego idealizado” para qual os pais educaram os filhos. Quando pensamos no “emprego real” o trabalho não se escolhe, este deve ser o fim da nossa sustentabilidade.

    Emigra-se porquê? Será porque não há o “emprego idealizado”, dos nossos sonhos, para o qual se estudou (enfermeiros, engenheiros, médicos, advogados, psicólogos, professores…)? Será que antes de tomar a decisão pelo “emprego idealizado”, pensou-se nas três questões fundamentais: o que gostava de fazer, qual a rentabilidade económica/financeira, e qual a saída/empregabilidade no meu país.

    Temos um Portugal de emigrantes e um outro Portugal de imigrantes, uns que procuram emprego e os outros que procuram trabalho.

    Quanto ao paradigma do dos direitos versus deveres. Centramos toda a nossa forma de pensar no “mundo laboral” no direito. Sendo que o dever do trabalho implica o direito ao salário e vice-versa, colocamos a montante o direito em vez do dever, sendo que o dever de uns é o direito dos outros.

    Fala-se de fome por falta de emprego, que diremos nós avós da nossa juventude? Pelo menos aqueles que viveram no interior do país !!! O interior está totalmente despovoado, estou convicto que mais cedo ou mais tarde surgirá o “êxodo inverso do passado” (do espaço urbano para o rural.

    Quero deixar bem claro que não concordo com as políticas do governo, estas são apenas algumas dicas para reflexão.

    • Joaquim Vitorino diz:

      Caro Armindo Ramos obrigado por nos ler, e dar continuidade ao meu artigo que eu próprio limito no espaço que me é atribuído; eu pertenci à grande vaga emigratória da década de 60; só que quando cheguei ao Reino Unido com 26 anos, já tinha trabalhado em Portugal 18 anos porque comecei com 8 anos; todavia ninguém gosta de ver um filho com uma licenciatura, a ganhar o salário mínimo numa caixa de um supermercado. Em breve exporei a causa de fundo e real do que se está a passar; esteja atento porque será a minha próxima publicação no Jornal de Oleiros, e que vai de encontro às questões que inteligentemente colocou. Este próximo artigo já foi enviado para a redação de nosso Jornal. Um Abraço Amigo. J. Vitorino o Autor

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