Portugal em fuga, por Joaquim Vitorino

...emigração...

Ninguém pode ficar indiferente à fuga massiva de licenciados, alguns acabados de sair das nossas universidades e politécnicos, é uma hemorragia que vai deixar o país num estado de completa anemia a nível do conhecimento técnico, e de força anímica para dar a volta à negra perspetiva do nosso futuro coletivo.

Efetivamente a emigração hoje não se assemelha à da   década de 60; em que apenas dois em cada 100 emigrantes tinham uma Licenciatura sendo que esta pequena percentagem não emigrava por motivos económicos; ou eram políticos ou para fugir ao cumprimento do serviço militar obrigatório; alguns eram filhos de abastados e viviam em hotéis de luxo, conheci alguns no Reino Unido para onde emigrei com a família em 1969. Desde 2009 e até ao momento mais de 580.000 saíram de Portugal; apenas 2 em cada 100 regressaram o que em norma represente, aqueles que aqui também não queriam trabalhar.

Só em 2012 foram mais de 121.000 os que fugiram daquele a quem os políticos, alguns ainda em atividade ou a tutelarem os partidos, prometeram o paraíso europeu; para eles é claro. Estes números ultrapassaram o ano do “salto negro” 1966, que despejou as nossas aldeias do interior rivalizando com os trágicos anos da peste negra, em que algumas ficaram completamente desertas.

É um adeus para sempre, porque não têm condições para regressar.

Eles representam a elite da sociedade portuguesa em debandada; o governo não pode colocar um cadeado nas fronteiras, mas pode aliviar a carga tributária às empresas, que estão asfixiadas com impostos, para poderem criara mais postos de trabalho.

O único investimento que o estado tem feito, ou é a venda de património, ou a cobrança coerciva de impostos que leva milhares á falência, e desmotiva quem quer investir.

Para os que nos deixam, é um grito de protesto para com aqueles que nada fizeram para evitar a sua partida; feitas as contas, os custos dos quase 600.000 qualificados que este governo “mandou partir”

emigração...

supera toda a dívida pública contraída.

Ninguém consegue colocar um travão neste drama que está a atingir os portugueses severamente; milhares de crianças a ficar ao cuidado dos avós que também estes carecem de ajuda a todos os níveis, constitui um drama social de consequências futuras imprevisíveis.

O partido socialista, fragmentado e fatiado de interesses e influências, não está em condições de exigir eleições antecipadas, aliás há dois meses que não fala nelas; dando legitimidade à coligação de continuar com uma política de obsessão do défice, colocando em segundo plano os dramas que os portugueses estão a viver, como é a caso da emigração.

A oposição precisa de uma liderança forte para contrapor o argumento já cansado da maioria, de que tem a legitimidade do voto; nestas circunstâncias só Sócrates tem condições para arrumar a casa PS, com uma limpeza interna; livrando-se também daqueles que já começaram a colar-se a ele como se viu recentemente na apresentação do livro.

O tempo entrou em contagem decrescente, o Programa Cautelar” é um disfarce de um segundo resgate, e é preciso evita-lo quanto antes; os portugueses já entraram no trilho grego, enquanto a Irlanda há muito que se descolou de nós.

Não tarda que os bancos portugueses sejam forçados a comprar dívida pública, ficando descapitalizados para o investimento; o governo tem um argumento de peso; os bancos estão a pagar juros aos depositantes e o dinheiro está parado; só um banco perdeu em 9 meses 381 milhões de euros porque não investem na dívida pública? Ficariam descapitalizados para o investimento, contrapõem os banqueiros; o que daria continuidade ao drama da emigração, uma bola de neve que não se sabe onde vai parar. Esta saída “especializada” é a causa do empobrecimento de qualquer país, sendo Portugal duplamente penalizado; pedindo dinheiro para investir no ensino superior, para depois deixar partir gratuitamente o produto acabado.

* J. Vitorino – Colunista do Jornal de Oleiros, Vermelha – Oeste 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Comunidades, Destaques. ligação permanente.

Uma Resposta a Portugal em fuga, por Joaquim Vitorino

  1. Carissimo Cavaleiro Vitorino
    Voce è verdadeiramente BRAVISSIMO!
    Artigo muito dramatico e de grande impacto
    politico e social!
    Meus cumprimentos cordiais.
    D. Rosario

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *