Autárquicas III, por Eduardo Lyon de Castro

Autárquicas III

Chegou finalmente o dia 29 de setembro e com ele, as tão aguardadas eleições autárquicas.

Quando em artigo anterior afirmamos que estas eleições iriam ficar na história, não nos enganamos, apenas ficamos distantes do que elas vieram revelar. Devemos estar gratos, pois para além de ficarmos a conhecer vencedores e vencidos, ficamos também a saber muitas coisas que são verdadeiras lições práticas. A começar pelos partidos, todos deverão fazer uma séria reflexão com consequências (coisa que quase nunca acontece) mas também os eleitores ficaram a saber que têm muito mais poder com o seu voto e que por essa razão poderão provocar mudanças. Mudanças em muitas ideias feitas, mudanças no entendimento que fazem do significado do seu voto, mudanças na forma de entender a política.

Os partidos, mesmo os que reclamam vitórias, devem rever as suas práticas e métodos de aproximação ao eleitorado. Acabou, ou espera-se que tenha acabado, o voto no porco no espeto, na mini, na musica pimba, nas promessas enganosas e nas palavras ocas. Há paradigmas de atuação na propaganda eleitoral que estão completamente obsoletos. O fato de a CNE ter alterado determinadas regras parece ter sido positivo, pois obrigou os candidatos a contactarem muito mais os seus eleitores e daí resultar um melhor esclarecimento sobre os seus programas.

Sobre os resultados, referindo apenas os que verdadeiramente interessam, nem quem ganhou esmagou, nem quem perdeu ficou de rastos. Mas há que tirar conclusões para as próximas Europeias, Legislativas e porque não Presidenciais. Sobretudo os valores da abstenção, dos votos brancos e nulos devem obrigar a pensar, tal como os votos obtidos pelos chamados independentes.

Uma nota final sobre os resultados na Zona do Pinhal. Embora sem surpresas, recomenda-se aprofundar o estudo dos números, das percentagens e das tendências. Os programas apresentados pelas várias candidaturas pecaram muitas vezes por excessivas promessas que eventualmente não passam de meras intenções. Para bem destes concelhos, isolados, envelhecidos e em quebra de população acelerada, deseja-se que seja cumprido o que for mesmo necessário e também exequível, pois os tempos não vão permitir ir mais além. Infelizmente não foi possível encontrar nos programas apresentados um desígnio específico que mobilize cada concelho e a região no seu todo.

É tempo de se começar a trabalhar na concretização efetiva de parcerias intermunicipais dirigidas a projetos de desenvolvimento em áreas de interesse comum. O futuro não espera.   

Vila de Rei, 2 de outubro de 2013

* Eduardo Lyon de Castro, Colunista do Jornal de Oleiros 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Opinião, Vila de Rei. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *