Vergados perante a dívida, por Joaquim Vitorino

A Nação portuguesa está vergada perante a dívida, é um compromisso de honra que Portugal tem que assumir, porque as dívidas são para pagar; mas é preciso haver condições para o fazer.

Os portugueses e até alguns governantes já começam a acreditar não haver sustentabilidade para o seu cumprimento; a sociedade portuguesa está a ser “espremida” para nada, porque os resultados embora lhes queiram dar a volta não são nada animadores, e 2014 será a prova real. O país encontra-se numa corda bamba; o que se tira de um lado terá que ser colocado noutro.

A economia não “dispara” e embora os bancos portugueses estejam a abarrotar de dinheiro não existem condições de crédito, coragem e força anímica para investir; neste contexto e assim sendo, a banca terá que despejar os seus cofres compelidos na compra da dívida pública, para que o dinheiro não esteja parado; mas então entramos num ciclo vicioso porque deixa de haver dinheiro para o investimento, e o Estado não terá dinheiro para pagar a dívida; já perceberam que isto vai acabar com a banca portuguesa na falência, e Portugal já não terá condições de crédito no exterior para a recapitalizar.

Há algum tempo que os credores já compreenderam este cenário “mas não querem espantar a caça”, precisam de levar tudo o que podem agora, porque Portugal nunca terá condições para lhes pagar.

Este risco, têm que reconhecer é deles em grande parte porque ditaram as terapias para a aplicação dos empréstimos, a que se juntou uma má gestão dos mesmos. Se analisarmos onde se encontra a enxurrada de dinheiro que entrou em Portugal e formos no rasto dele, encontramo-lo em estádios de futebol às moscas, e autoestradas para “burros” porque viaturas poucas se vêm.

Portugal quase que parou a atividade económica; as cidades ainda mexem mas o interior está parado; só não vê quem não quer ver, ao Estado só lhe resta ir cobrando coercivamente alguns impostos até a fonte secar, depois é o caos.

O orçamento de Estado não tem um plano “B” deixando toda a pressão sobre o Tribunal Constitucional; já em total desespero, o governo procura culpados.

Numa corrida contra o tempo, o executivo apresenta 2014 como o ano da viragem, mas não há indícios que assim seja; todos os sacrifícios exigidos aos portugueses serão em vão, o segundo resgate está à vista mas ninguém tem coragem para o dizer;  o dinheiro virá porque será o único meio dos credores recuperarem  parte do que já cá está.

Julgamentos em praça pública não fazem sentido porque excluindo as crianças todos somos arguidos; não pelo que fizemos, mas por aquilo que permitimos aos outros fazer.

Só nos resta vestirmos as capas negras e continuarmos a cantar o fado, Fatum em latim que significa em português, FADÁRIO ou FATALISMO.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros

Vermelha – Oeste

Joaquim Vitorino

                                                                                                             

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