Em defesa da Casa do Adro em Ferreira do Zêzere

A Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere prepara-se para iniciar a demolição da “Casa do Adro” – um imóvel do século XVIII de interesse histórico e cultural.

A Casa do Adro foi adquirida pela Autarquia a um particular há já alguns anos e está incluída no Guia Turístico Municipal, no capítulo “Património a Visitar”, mas desde então o imóvel foi votado ao abandono, o recheio desbaratado, a envolvente e respetivos jardins com árvores e buxos seculares destruídos, e agora, será a Casa em si por fim demolida.

A Autarquia cedeu o imóvel por 50 anos e sem custos a uma empresa de construção local (sem que a opinião pública fosse consultada) que tem agora carta branca para levar por diante um projeto de construção de uma unidade hoteleira que não serve de modo algum o propósito da salvaguarda do património público e da memória coletiva, que vai descaracterizar em absoluto a Casa e a envolvente (http://regiaodozezere.blogspot.pt/2013/09/ja-comecaram-as-obras-no-futuro-hotel.html), e resultará na destruição de um lindíssimo conjunto de azulejos que existe em várias salas do seu interior, e a destruição de um oratório/capela, que datam da fundação da Casa, no séc. XVIII.

No entanto, nas últimas horas foram feitos vários contactos e apelos a instituições (incluindo o IGESPAR e o Museu Nacional do Azulejo) para que se suspenda de imediato os trabalhos de demolição que se prevê terem início na próxima segunda-feira, dia 30 de setembro.

Está em andamento um movimento de cidadãos Ferreirenses e Portugueses dos quatro cantos do País que são contra esta intervenção, e foi hoje mesmo lançada uma petição pública online: “Petição contra a demolição da Casa do Adro – Ferreira do Zêzere”, cujo link público é: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=casadoadro-fzezere e que é endereçada ao Presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, no sentido de:

1. Que seja salvaguardado todo o património artístico, arquitetónico e cultural da Casa do Adro – valores que são do coletivo dos cidadãos Ferreirenses e de todos os Portugueses.

2. Que se suspendam de imediato as obras previstas do novo projeto da autarquia para a Casa do Adro;

3. Que a decisão da cessão do imóvel a uma empresa privada para a sua exploração durante 50 anos seja anulada;

4. Que a decisão do aproveitamento deste imóvel público seja em benefício de todos os Portugueses e em particular dos Ferreirenses, com respeito pelo valor patrimonial e cultural da Casa do Adro e da memória coletiva das gentes da Vila e do Concelho, e que para que assim seja,

5. Se dê início a um processo efetivo de consulta pública – onde possam ser discutidas alternativas ao projeto que tem agora de ser travado.

Também nas redes sociais já circulam protestos contra este crime de lesa património.

Em baixo transcrevo um dos muitos emails que já foram enviados à autarquia (todos eles sem resposta), por sinal muitíssimo bem escrito, de um primo meu e descendente de um dos últimos proprietários da Casa do Adro, que apela ao bom senso e à salvaguarda em particular da coleção de azulejos que existe no interior da Casa e que poderá agora ser destruída.

Na esperança de que este assunto possa vir a público a tempo de travar a demolição da Casa do Adro, conto com a vossa ajuda e despeço-me com os melhores cumprimentos,

Miguel Donato Torres Fevereiro

Casa do Adro

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