Caídos no avesso, por Joaquim Vitorino

CAÍDOS no AVESSO

Cruzado em ouro

O deslumbramento e euforia revolucionária dos portugueses, em 25 de Abril de 1974; caíram no avesso. A esperança de um Portugal mais justo e equilibrado está moribundo; todas as espectativas foram goradas. Efetivamente, a estabilidade deste país, durante muitos anos só a encontrará, num mundo puramente virtual. A pobreza prolongada vai ter a curto prazo, um efeito devastador na sociedade portuguesa, em que o crime, a corrupção, prostituição e economia paralela, será a moeda corrente em Portugal; que já ultrapassou a Albânia, a Roménia e a Bulgária; com todo a consideração que estes países me merecem, esta situação é uma afronta à nossa dignidade, e orgulho pelo nosso passado; Portugal foi durante duzentos anos o país mais rico do Mundo, rivalizando com Veneza; a nossa moeda era cunhada em ouro puro. A Adesão ao euro, foi uma decisão política errada, que tem servido de “fuga massiva” de euros, para contas no exterior; de nada nos serviu o exemplo da Argentina; por isso ainda existe quem defenda a sua continuidade, para poderem continuar a deslocar tudo o que podem, para depois poderem dizer, que venha o escudo. Eu defendi em alguns artigos, a nossa continuidade no euro, mas esgotaram-se as razões e argumentos, para o euro continuar a ser nossa moeda. Portugal deve, por uma questão de estratégia de mercado, continuar na união, mas tentar ficar cada vez menos dependente desta; até finalmente se afastar definitivamente da subserviência aos países ricos do norte da Europa, que nos olham como um povo pedinte, pernicioso e estúpido. A força política, ou movimentos de cidadania que tiver a coragem de iniciar o debate sobre esta questão, e a levar até ao fim; irão ficar na história como os verdadeiros salvadores do nosso país; eles serão o nosso orgulho, e das futuras gerações. É irrelevante que tenham andado por caminhos errados, sendo necessário que tomem agora, a opção certa. A pobreza atingiu o inaceitável, num país que criou estilos e espectativas de vida às pessoas, que depois se viram despojadas; o que está a criar uma certa revolta e inconformismo, que aos poucos está a contaminar toda a nossa sociedade; esta é uma armadilha em que não podemos cair; tem que haver tolerância e condescendência entre ricos e pobres, e os que têm um pouco, e outros que nada possuem; se o país sair deste trilho, abre o caminho a conflitualidades, que não serve a quem tem muito, e ainda menos os que nada têm. Só estou a tentar aliviar um pouco a minha consciência; porque a culpa da situação a que chegámos, todos em maior ou menor grau a temos, os que arruinaram o país, e aqueles que o permitiram, que são a esmagadora maioria da população portuguesa, sendo estes os que se encontram mais pobres, e com um futuro negro e indistinto à sua frente; muitos terão as suas reformas de sobrevivência comprometidas, não obstante trabalharem e descontarem para elas. A faixa etária entre os 40 e 55 anos, serão os mais afetados; muitos portugueses que ainda vão subsistindo, mas já com algumas dificuldades, terão num futuro próximo, que recorrer a instituições de caridade para se alimentarem, provavelmente internacionais; porque as nossas não terão capacidade de resposta, e meios para o fazer. É este o triste epílogo, das promessas feitas aos portugueses, nas últimas quatro décadas ( 40 ) anos. Eu não me identifico com nenhum partido político, mas são necessários em democracia, em especial nas autarquias, que cuidam muito melhor das populações. Quanto ao Governo Central, deveria ser de iniciativa Presidencial; para que a sua substituição, não ficasse sujeita a novas eleições. Creio que num esforço patriótico, todos os partidos se deveriam unir, para salvar o pouco que resta deste país. A pobreza consentida por quem a pode debelar, constitui uma vergonhosa e inqualificável agressão, contra as nossas crianças e idosos; que lhes tira a dignidade, e muitas vezes a vida.

* Cruzado em ouro: A primeira moeda em ouro a circular em todo o Mundo. 10 Cruzados, conhecida na época por “português”, era a mais pesada, e circulou 70 anos, e foi a primeira a ostentar a Cruz da Ordem de Cristo.

* Joaquim Vitorino    –   Colunista do Jornal de Oleiros, Representante no Concelho do Cadaval

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *