O Eco do Silêncio, por António Graça ( Actualizado)

O Eco do Silêncio

“vida por vida”

“ Vida por Vida” é o lema das corporações de Bombeiros Voluntários portuguesas.

As corporações de Bombeiros Voluntários desempenham um papel particularmente importante nas comunidades em que estão inseridas.

Para além das suas tradicionais missões de socorro e assistência, as corporações de Bombeiros Voluntários desempenham ainda uma função institucional de grande relevo, nomeadamente, na formação cívica dos jovens que, sempre com entusiasmo, e logo que a idade lhes permite, se integram nas corporações, agindo com as características disponibilidade e generosidade da juventude[1] em todas as missões para que são convocados

António Graça (Engº)

Mas, os bombeiros apenas são notícia importante nesta altura do ano, e, infelizmente, muitas vezes por motivos trágicos que lhes dão as primeiras páginas dos órgãos de comunicação e largos minutos de telejornais.

Este ano, a época de incêndios florestais, que parece, como é hábito, ser tratada por quem tem responsabilidades de o fazer, de forma semelhante à época balnear, com datas marcadas e dispositivos de actuação pré-definidos, este ano, dizia, os incêndios florestais já provocaram a morte a sete bombeiros, colocando o ano de 2013 como o segundo pior da década, em número de bombeiros falecidos na sequência de combate a incêndios.

A problemática dos fogos de Verão, tem muito que se lhe diga ( ver “Portugal- o vermelho e o negro” de Pedro Almeida Vieira, Edições D. Quixote), a começar pelas suas origens, eventuais interesses associados, até à sua prevenção e dispositivos de combate.

Estes dois últimos, serão por certo os mais importantes, mas, nem por isso, os mais bem cuidados.

A prevenção passa, em primeiro lugar, pela limpeza das matas, tarefa que desde a extinção de actividades, como a resinagem e a recolha de mato para as camas do gado, passou a ser práticamente inexistente, sendo que, o maior proprietário florestal, o estado, também não cuida adequadamente das suas florestas. Passa também pela boa limpeza das bermas das estradas e caminhos, onde uma beata lançada pela janela de um veículo, atitude infelizmente ainda muito comum, pode provocar uma tragédia de dimensões incalculáveis.

Os dispositivos de combate no terreno, ao que parece, e do que tenho lido e ouvido de opiniões de pessoas conhecedoras da matéria, nem sempre têm actuado da forma mais indicada.

Parece-me claro que é responsabilidade de quem coordena os dispositivos no terreno, assegurar com a máxima eficácia que, os meios humanos envolvidos não sejam expostos a riscos desnecessários como os que agora, em diversas situações levaram a vida a sete seres humanos.

Correndo o risco de estar, pontualmente, a ser injusto, questiono se aqueles senhores “empiriquitados”, de boina milimetricamente descaída sobre a orelha direita e T-shirt impecavelmente branca, terão alguma vez participado, como bombeiros, no combate a fogos florestais, pois entendo que as funções de coordenação, que não se esgotam nas entrevistas às TV’s, devem ser entregues a             quem tem experiência de actuação no terreno.

Não há hectare estatisticamente não ardido, ou qualquer outro bem material que justifique a perda de uma vida humana. Por esse motivo há que rever todo o dispositivo de actuação para que, no futuro, que começa em 2014, o lema dos bombeiros não se transforme em “vida por hectare”

Até breve

* António Graça, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros

** Nota do articulista:Quando o artigo foi escrito, o drama envolvia 7 soldados da paz. Infelizmente, a desactualização de 7 para 8 foi posterior. Lamento.



[1] Que  mantêm ao longo das suas carreiras de bombeiro

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