Portugal; um archote de norte a sul, por Joaquim Vitorino

Bombeiros

Para se ser bombeiro voluntário em Portugal, é preciso possuir um sentimento de solidariedade muito fora do comum; até porque, para além de colocarem em risco permanente as suas vidas, o país não lhes dá um mínimo de condições, para minimizar as perdas que estes corajosos “Homens e Mulheres” têm sofrido.

Este verão a tragédia que atingiu várias corporações, e que foram comentadas, com discursos inflamados de hipocrisia, por parte de quem tem poder e dever, de dar a estes mártires, as condições mínimas para combater, e também se defenderem dos fogos criminosos e negligentes, que tem atingido o país de Norte a Sul.

A falta de legislação apropriada, para levar os responsáveis à barra dos tribunais, incentiva a prática do crime de fogo posto, e as consequências estão à vista, com perdas humanas que seriam poupadas, se estes nossos Heróis tivessem o reconhecimento e apoio, idêntico aos militares e forças policiais; à partida não se justifica só a falta de material, e meios para combater os fogos, existe também um tratamento diferenciado, quanto a compensações remunerativas; muitos são os bombeiros, que depois de dias seguidos a combater fogos, chegam às suas casas com os bolsos vazios, e sem comida para dar aos filhos.

Um país que não se sensibiliza para este drama, não merece o sacrifício das vidas que todos os anos, e este em particular, estes verdadeiros soldados, que em regime de voluntariado, ou com pequenas compensações remunerativas, estão sempre prontos a dar; e a socorrer as populações que solicitam a sua ajuda.

Também temos que ser honestos; quem tem património em florestas e que não as cuida, devem ser expropriados, para que revertam a favor do Estado, que terá que proceder à sua limpeza e manutenção. É quase uma certeza absoluta, que esta legislação ainda não foi implementada, porque o grande património florestal, pertence precisamente aos que têm, o poder político para a levar em frente, onde as Autarquias têm grande responsabilidade; assim vão salvaguardando as suas propriedades, à custa do sacrifício de vidas humanas, e dinheiro dos contribuintes.

Nestas condições Portugal, continuará a arder; e infelizmente, os bombeiros voluntários a morrer. A coragem destes Homens e Mulheres, são um orgulho para todos nós; por isso o Estado tem o dever de lhes dar um tratamento digno, que deveria ser o mesmo que é dado a outras instituições; e também dar-lhes formação adequada para o combate, a incêndios e outras emergências, e serem-lhe atribuídos meios de sobrevivência dignos, tanto para eles, como aos seus filhos. Enquanto cidadão, creio interpretar um sentimento de todos os portugueses, que têm pelos bombeiros voluntários, uma enorme consideração e estima.

Quando do covarde ataque ao World Trade Center de Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001, em que 343 bombeiros perderam a vida; em entrevista a um dos sobreviventes que entrou naquele inferno, reconheceu saberem que as torres iriam desabar; tudo era uma questão de tempo, mas tinham que tentar salvar o máximo de pessoas possível; ninguém pode ficar alheio ao contributo que os bombeiros prestam á sociedade; eles dão-nos como exemplo, a “utilidade” que cada ser humano deve dar às suas vidas, em benefício dos outros.

Estas são as grandes diferenças, que separam muitos de nós.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

PS: A todos os Bombeiros Portugueses, que generosamente entregaram as suas vidas, na defesa de pessoas e bens.

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