O exemplo de David Cameron, por Joaquim Vitorino

O Primeiro ministro britânico David Cameron, decidiu passar férias em Portugal; todos sabemos que Portugal é um país que sabe receber, e que tem como atração, as nossas praias e o clima, e também Lisboa e Porto que são dois destinos preferidos dos ingleses.

Mas David Cameron, não veio apenas visitar o nosso país, ele fez questão de trazer na sua bagagem, uma mensagem aos governantes portugueses de hoje, e do passado recente; viajou em low cost; evitando esbanjar o dinheiro dos contribuintes ingleses, que apesar da crise que também os afetou, estão a sair inteligentemente dela, com a vantagem de não terem ficado acorrentados ao euro. Cameron é um conservador, que impõe uma disciplina orçamental rigorosa, e não foi para o poder, com promessas que sabia não poder cumprir, ao contrário dos nossos governantes, que para lá chegarem tudo prometem, porque o não cumprimento nunca os penalizou nas urnas.

Nos últimos tempos os casos que marcam a nossa governação, em que a incompetência e o compadrio são a moeda corrente nos nossos dias, são sintomas preocupantes; é inacreditável que vários secretários de Estado ministros e adjuntos, que presupostamente tenham estado envolvidos nos casos swaps, e que o Primeiro ministro os mantenham em funções até que alguns deles voluntariamente decidam demitir-se.

É esta a grande diferença entre Portugal e a Inglaterra, e quem a marca são os governantes dos dois países; se David Cameron tivesse “desviado” um avião com a sua comitiva, para um paraíso de férias, as Seychelles, como um ex-Presidente da República o fez; no dia seguinte ao regresso, seria demitido pela “imprensa britânica”.

O caso swaps é uma vergonha Nacional, que deixa o país muito mal na “fotografia”; porque alguns dos intervenientes, tem sido sistematicamente colocados em áreas governativas, como o é as finanças, que carecem da máxima transparência e honestidade; sendo grave a atitude do Primeiro ministro, que insiste em colocar no lugar, dos que se vão demitindo por envolvimento, outros com os mesmos antecedentes; como se não fosse o suficiente, surge a nomeação de um ministro, que tirou benefício próprio com ações da sociedade LUSA de Negócios, enquanto muitos particulares na altura, já tinham os investimentos perdidos.

Portugal está à deriva, sem ninguém que levante um dedo, para o defender de incompetentes e predadores, que se vão camuflando uns aos outros, nesta saga destrutiva que não tem fim.

Numa das Cimeiras da União, Cameron foi categórico, a Inglaterra não está disponível, para emprestar mais dinheiro, a países esbanjadores; Cameron que é um homem conservador, de certeza que não de referia aos portugueses, mas sim aos seus governantes; porque se necessário o seu país, ajudará o povo português em caso de extrema necessidade; ele estava a lançar um alerta, para que os portugueses abram os olhos, de uma vez para sempre; e que se recusem determinantemente, a manter a governar Portugal um grupo de incompetentes, que nem capacidade tem para dirigir um quiosque, tanto mais um país, cuja ação governativa está a acabar lentamente com o que resta desta Nação; de tal forma que seria uma injustiça, apelidar estes atores de coveiros; pelo respeito e consideração que estes me merecem. Já não existe estabilidade governativa, que justifique este governo; o período de “nojo” acabou, porque chegámos ao limite, e Portugal começou a inclinar-se perigosamente para o afundamento; os últimos dados do INE tem um único objetivo; incentivar os investidores a comprar mais dívida pública, e afogar o país em mais compromissos.

O Presidente tem que atuar imediatamente, com a inevitabilidade de eleições antecipadas; porque dificilmente encontra alguém à “altura” para integrar, um governo de salvação Nacional.

O país anda distraído com o verão quente, volta a Portugal e jogos de futebol; satisfazem de momento, mas não vai alterar o futuro negro, que se perspetiva a muito curto prazo. Portugal constitui um caso raríssimo, que tudo tinha para ser um sucesso, mas o seu destino tem sido entregue, a quem o tornou num rotundo fracasso.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

PS: A todos os que vivem neste país, do esforço do seu trabalho honesto.

David Cameron

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