” O FAROL “, A podridão da política, por António Graça

O FAROL

A podridão da política

Manifestaram, recentemente, alguns personagens da pobre cena politica portuguesa, o seu agastamento contra aquilo a que chamam ” a podridão da política”, ignorando, decerto deliberadamente, que eles próprios contribuem inequivocamente para essa situação, quer pela omissão habilidosa  de partes do seu currículo, quer pela sua participação em negócios cujos ganhos, embora revestidos de uma capa de legalidade são, sob o ponto  de vista económico e da prática usual  dificilmente justificáveis, quer ainda pelas situações de falsas amnésias, e tranquilidade de consciência por eles sempre invocadas para fugirem a explicações,  quando confrontados com situações incómodas.

Mas, a podridão da política é algo em constante desenvolvimento, cujos custos se abatem impiedosamente sobre os cidadãos, cuja única culpa pelo sucedido é terem dado o seu voto àqueles que protagonizam os casos que alimentam a podridão. E´ assim há quase 40 anos que, à sombra de uma democracia à portuguesa, os políticos se veem aproveitando das suas situação e influencias para fazerem do país um centro de negócios de cujos proveitos apenas beneficiam aqueles que patrocinaram a respectiva subida ao poder.

Recomendamos

Não estou a dizer nada de novo,  e o leitor interessado em conhecer algo mais sobre este tema encontrará nas paginas dos livros “Da corrupção à Crise. E agora? “da autoria do Professor Paulo de Morais e “O meu programa de Governo” de José Gomes Ferreira, a explicação de como  se chegou à actual situação do país, pondo a nu toda a serie de trafulhices e truques que a ela deram origem,  e as mentiras de que o governo se tem servido para justificar uma austeridade de intensidade injustificável apontando ainda alternativas para as actuais medidas de austeridade.

Para ´alem do que consta dos livros que indiquei, surgem no dia-a-dia indícios do crescimento da tal podridão, como, por exemplo, o tratamento miserável dado aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o qual, em nome de interesses a clarificar parece ter como objectivo principal a destruiçao daqueles  estaleiros, dando um tremendo pontap´e na industria da construçao naval portuguesa, isto num pais que se diz virado para os assuntos do mar. Deve ser para rir!!!

Putrefacto é também o crime do BPN, em que alguns dos principais criminosos se encontram em liberdade a gozar o produto de um roubo monumental que foi feito ao país. ´E verdade que o julgamento do caso já se iniciou, mas, a habitual velocidade de actuação da justiça, aliada às habituais manobras de dilacção utilizadas pelas defesas dos arguidos, o tempo que vai demorar será mais que suficiente para os bandidos porem o ouro a salvo. A justiça devia começar por arrestar, até ao ´ultimo  cêntimo os bens daqueles que se sabe terem sido os mentores da fraude, bem como os daqueles que aproveitando a situação do banco se preparam para não pagar os financiamentos que lhes foram concedidos.

Dirão os legalistas que a lei não permite que tal se faça. Ora, a lei também não prevê que se possam roubar os salários de quem trabalha e as reformas de quem para elas descontou durante uma vida de trabalho.

´E verdade que na politica nem toda agente é de má qualidade, concordo plenamente, o problema é que os  maus constituem uma maioria, controlando e direccionando a politica para a satisfação dos interesses privados que representam.

Dentro e fora da politica há ainda muita gente competente e com boa formação ética e idoneidade inquestionaveis, mas, essas pessoas não estarão interessadas  em ser associadas ˋa podridão.

O REINO DO CHUTO.

Não sou, nem tenho pretensões a ser analista ou comentador futebolístico, tenho, óbviamente, e como a maioria dos portugueses, um clube da minha preferência. Contudo, como observador exterior às coisas do desporto-rei, existem factos que me causam estranheza, com por exemplo,

No final de cada época há clubes que entram numa euforia de compra e venda de jogadores, movimentando largos milhões de euros, aplicados, em muitos casos em atletas que não chegam sequer a realizar um único jogo com a camisola do clube que pagou pela sua transferência uma elevada quantia.

É, no mínimo , uma situação bizarra que, dados os montantes envolvidas, deveria ser rigorosamente monitorizada pelas autoridades fiscais, ou por outras para tal competentes.

Igualmente bizarro é o tratamento tributário diferenciado concedido nomeadamente aos jogadores de futebol, sob a capa de se tratar de uma profissão de desgaste rápido.

trata-se, no momento que o país atravessa, de uma situação inaceitável, sobretudo porque, muitos dos atletas abrangidos por esse tratamento favorável, ganham, num mês, mais do que muitos trabalhadores conseguem ganhar numa vida de trabalho. É portanto inaceitável que milionários continuem a ter um tratamento fiscal mais favorável. Dada a promiscuidade existente entre o futebol e a política, os casos que referi  dificilmente serão alterados,  provando que os agentes políticos exercem as suas funções movidos por interesses que nada têem a ver com os cidadãos que os elegeram.

Até breve,

António Graça (Engº)

* António Graça, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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2 Respostas a ” O FAROL “, A podridão da política, por António Graça

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Toda a verdade bem explícita Ilustre Amigo; Passos Coelho não tem que mandar emigrar os portugueses; porque este país, é para fugir daqui quanto antes, para quem poder. Portugal é como a Torre de Pisa, ainda há quem a visite, mas nunca mais se endireita. Isto é um país de Arautos e Leiloeiros, os primeiros fazem a propaganda, de que estamos a crescer; e os segundos têm a “missão” de vender a Nação. Estamos a assistir ao TOMBO final de Portugal. Um Abraço.

  2. António Graca diz:

    Apenas uma pequena nota para corrigir o titulo do livro do Dr. Paulo de Moraisque e´ Da Corrupçao ˋa Crise. Que Fazer?

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