O Eco do silêncio, por António Graça

O ECO DO SILÊNCIO

António Graça

(MAIS) UMA OPORTUNIDADE PERDIDA

A demissão, previsível, de Vítor Gaspar, à qual se seguiu a demissão (ir)reversível de Paulo Portas, originaram grande turbulência nos meios políticos nacionais.

A turbulência foi de tal ordem que o Presidente da República sentiu que, finalmente, tinha chegado a hora de intervir.

Ao intervir, o PR fê-lo pondo em cima da mesa uma proposta inesperada pela maioria dos entendidos nestas matérias. Quanto a mim, como mero cidadão não especialista nestas matérias, acho que a proposta do PR começou por pecar por tardia. De facto, acho que o entendimento entre os três maiores partidos deveria ter sido procurado no início da legislatura e não passados dois anos, durante os quais esses mesmos partidos, com destaque para PS e PSD, se ocuparam, à boa maneira dos costumes democráticos nacionais, através de ataques mútuos, a criar anticorpos que, à partida, seriam um forte obstáculo a qualquer entendimento.

Terá o PR feito uma avaliação demasiado optimista quanto à capacidade de entendimento dos partidos em causa e à sua interpretação daquilo que é o interesse nacional do qual resultaria uma plataforma para a resolução da crise em curso?

O tempo consumido em reuniões estéreis, que agora nos são apresentadas como um bom ponto de partida para entendimentos futuros, veio demonstrar que, de facto, o PR foi demasiado optimista.

Uma vez falhada a tentativa presidencial, toda a gente, desde politólogos, sociólogos, tudólogos, comentadores auto deslumbrados até ao comum do cidadão, ficou na expectativa de uma solução inovadora proposta pelo PR, dado que este afirmou diversas vezes que, em caso de não entendimento entre os partidos, teria outras soluções ao seu alcance.

No final, porém, o PR fez voltar tudo à estaca zero, ou seja à situação que se recusou a aceitar no início.

O seu discurso de “encerramento “ da crise, foi um vazio completo e nada trouxe de novo ou de positivo à situação política, não se tendo sequer referido à aceitação ou não da proposta de remodelação governamental que lhe havia sido apresentada inicialmente pelo 1º ministro.

O PR resistiu, talvez bem, aos apelos dramáticos das esquerdas irresponsáveis e do promitente novo 1º ministro para a realização de eleições.

Ao contrário do que previam os habituais “videntes”, os mercados não tiveram, até agora, reacções negativas a toda esta situação, antes pelo contrário, as taxas da dívida pública baixaram e a Bolsa recuperou logo parte das perdas ocorridas nos dias anteriores. Donde, terão os mercados entendido que, afinal, não houve crise nenhuma. Talvez tenham razão.

Para encerrar o assunto, faz-se uma remodelação ministerial, e, apesar do CDS-PP ver crescer a sua importância no governo, fica tudo na paz podre anterior, em nome da estabilidade do cargo do 1ºministro, que continuará a não fazer nada, como no tempo em que era Gaspar quem governava, passando agora essa tarefa a estar entregue a Paulo Portas.

Toda a gente, incluindo os nossos credores, sabe e afirma publicamente que os governos têm de moderar a intensidade das políticas de austeridade e virar as suas capacidades para o crescimento económico, sem o qual as dívidas se tornarão impagáveis, ameaçando toda a estrutura económica mundial, e, consequentemente, o próprio conceito de democracia.

Para que isso aconteça, não basta mudar de ministros e secretários de estado. Acima de tudo há que mudar de política, algo que, apesar do seu discurso, duvido que Passos Coelho tenha a vontade e a competência para o fazer.

A chegada do Dr. António Pires de Lima ao ministério da Economia, pelas posições por si assumidas sobre este assunto e pelas suas reconhecidas competência e experiência profissional, poderá ser um indicador positivo na nova direcção das políticas do governo, resta-nos então confiar que assim será e que não estaremos perante…

MAIS UMA OPORTUNIDADE PERDIDA.

Até breve.

* António Graça, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros, Engº

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