A Armadilha do Acordo, por Joaquim Vitorino

                                                                  A Armadilha do Acordo

Joaquim Vitorino

O partido Socialista caiu na armadilha do acordo, e também ao votar a favor de uma moção de censura, apresentada pela esquerda radical cujo objetivo, não era derrubar o governo, porque sabia que não o ia conseguir, mas sim ir buscar ao PS uma faixa significativa do seu eleitorado, em caso de eleições antecipadas.

Duas quedas numa só semana, provam que o PS não tem estrategas à altura, e limitou-se a seguir cegamente, as orientações que em jeito de recado, iam sendo dadas por Mário Soares, Alfredo Barroso e Manuel Alegre entre outros.

Seguro limitou-se a aceitar o repto lançado pela Presidência da República e maioria, sem analisar as consequências para o seu partido, entrar na discussão de um acordo, apenas para tirar alguma vantagem, fazendo crer aos portugueses estar interessado nele, por motivos meramente patrióticos. Para o PR e a maioria era essencial, provar inequivocamente à opinião pública que o PS, nunca estava interessado em qualquer acordo que tivesse custos eleitorais; António Seguro jogou em duas frentes e perdeu em ambas; e vai ainda perder numa terceira, que é ter de ceder o lugar de Secretário Geral do PS.

Chegou a hora dos portugueses acordarem para a realidade; os partidos que os vem representando nos últimos anos, não merecem a confiança e credibilidade minimamente exigível em democracia, muitos dos atuais políticos não tem falado verdade ao país.

O falhanço do acordo que daria alguma folga, à grave situação em que Portugal se encontra, cuja principal responsabilidade é dos partidos do arco governativo, e também daqueles que querem tirar alguma vantagem, do tanto pior quanto melhor, para ganharem mais uns votos, cansaram os portugueses da Via Sacra de ir às urnas, sabendo que tudo ficará na mesma, com tendência para piorar. Alguns destes políticos são a causa direta do descalabro a que Portugal chegou, são eles que nos vem a arruinar há mais de 30 anos; e a quem teimosamente os portugueses insistem, em entregarem o futuro dos seus filhos, porque o deles está à vista.

É o velho paradigma; quanto mais me bates, tanto mais gosto de ti. Recentemente viu-se o interesse do país passar para segundo plano, face ao futuro político de um homem; o que é inacreditável e inaceitável, que se tenha dado mais valor a um político, que nada fez pelo seu país, do que à Nação que o viu nascer, e aos seus 10 milhões e meio de compatriotas.

A manifesta oposição a um acordo tripartido, por parte de históricos do PS terá a curto prazo, um tremendo peso na consciência, e custos na credibilidade que ainda possam ter, alguns daqueles a quem só interessa, criticar o poder que já não têm.

O país está minado destes reis sem coroa; que enquanto a tiveram nada mais fizeram, que não fosse cuidar de si próprios, e de seus familiares e amigos; enquanto a esmagadora maioria dos portugueses definha na miséria e na incerteza, fruto das políticas que foram ao longo dos anos por eles praticadas. O partido Socialista nunca apresentou uma alternativa credível a este Governo; quando confrontado onde deveria incidir o corte de 4.700 milhões, ficou bloqueado, e a vaguear desnorteado, batendo na tecla das eleições, e na renegociação da dívida; o PS de momento e com este líder, nada tem para dar a Portugal, que não passe pelo interesse de uns quantos, que se assumem como os donos do PS. Eu compreendo António Seguro; qualquer acordo que chocasse contra os Históricos, o PS seria fracionado e ele ficaria isolado.

O Presidente quando procurou um compromisso, já tinha este cenário como previsível; mas tinha que o tentar, para não ser acusado de não ter promovido o diálogo; mas João Galamba enquanto decorriam as conversações, disse e não foi desmentido, que não haveria qualquer acordo que colocasse em risco o futuro político do líder do PS.

Tudo isto foi uma inqualificável perda de tempo, e uma gafe colossal; o partido Socialista entendeu a dramática situação do país como um mal menor, porque ninguém se senta a uma mesa interessado num acordo, e simultaneamente está a votar no Parlamento, a favor de uma moção de censura, cujo alvo a atingir, é a outra parte com quem se está a negociar, ninguém o faria nestas condições; por ironia foi o voto dos socialistas a favor da moção, que deu a legitimidade à maioria para governar até ao final da legislatura.

António Seguro vai pagar caro este erro, quando ajustar contas com o eleitorado; provavelmente não será ele, mas o seu substituto.

O Partido Socialista caiu na armadilha da esquerda, que lhes vão sugar alguns votos; não foram grandes estrategas políticos, e deram ao Presidente da República, toda a legitimidade para confirmar a maioria até ao final da legislatura, em nome da estabilidade, e do supremo interesse Nacional.

António Seguro foi a jogo, mas não aguentou a pressão dos históricos do partido, e fracassou perante estes; só existe uma conclusão, é que dos fracos não reza a história. O Presidente da República é o grande vencedor; ganhou em duas frentes, e mantém o governo que neste momento é o que mais interessa ao país; e devolveu a Seguro o apagão político, que a sua ambição desmedida contemplou.

* Joaquim Vitorino, Colunista do Jornal de Oleiros 

Vermelha Cadaval  

 

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a A Armadilha do Acordo, por Joaquim Vitorino

  1. Estou de acordo com o Ilustre Amigo, lamentando a simples hipótese de o ainda Presidente ter equacionado nestes termos o processo que se desenvolvia, aparentemente de Salvação do País.
    Anoto ainda a perda de tempo do PD a falar com um Partido (BE) que numa fase destas em Portugal, achou importante sair da NATO…fantástico.
    Espero e desejo que seja possível ainda em Democracia uma solução, mas vou tendo dúvidas fundadas.

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