Tribalismo político, por Joaquim Vitorino

                                                                     Tribalismo Político

Na situação dramática em que Portugal se encontra, assiste-se a um inaceitável tribalismo político, por parte dos partidos que se afirmam os grandes defensores do povo, e de um futuro digno para todos os portugueses.

Os arautos de todas as soluções, para fazer sair o país do pantanal que eles próprios ajudaram a construir estão muito além, de passarem a mensagem de que serão eles a solução tão esperada; pelo contrário, estamos a assistir a uma utopia propagandista, por parte daqueles que se dizem os verdadeiros patriotas; afirmando serem eles os detentores da varinha de condão, que fará Portugal sair da crise.

Os portugueses não se podem deixar cair neste fosso demagógico. Recentemente um deputado do PS, disse não ser aceitável ao seu partido aceitar qualquer acordo, que passe pelo suicido político do seu líder António Seguro; esta afirmação diz tudo para um bom entendedor; então o PS coloca o interesse pessoal deste político, com mais peso na balança do que a sobrevivência do país e dos seus 10 milhões e meio de portugueses?

Esta afirmação, despensa quaisquer comentário; e não foi qualquer descuido porque João Galamba, o afirmou várias vezes, e o seu Líder não o veio desmentir. Estes habilidosos, não têm quaisquer ideias ou soluções para Portugal que não passe pela renegociação da dívida ou o perdão da mesma; teria um efeito benéfico de um curto prazo; mas em pouco tempo o país sentiria um devastador preço a pagar, por qualquer destas duas opções, porque ninguém vai emprestar mais dinheiro a alguém, que se afirma não estar em condições de poder pagar; e aqueles que nos emprestaram antes, são precisamente os mesmos de quem Portugal depende no futuro.

Só a perspetiva de eleições antecipadas, enquanto o memorando estiver em curso, coloca Portugal em alto risco, com a contagiante oscilação dos mercados, que pesam negativamente sempre que se coloca o cenário de eleições antecipadas; Portugal não poderia voltar aos mercados para pedir dinheiro emprestado, porque simplesmente ninguém o emprestava, os economistas e o vulgar do cidadão sabem bem, que se o vizinho não lhe pagar a dívida em atraso, não venha outra vez bater-lhe à porta, porque esta se encontra fechada. Quando questionado porque voltou com a palavra atrás, na sua recente demissão, Paulo Portas disse que o país estava primeiro que ele; eu que fui bastante duro com este governante, num recente artigo publicado, “ Golpe de Teatro em São Bento”, venho reconhecer que não é fácil dar a cara à imprensa, depois deste volte face pessoal de Paulo Portas; que tendo em conta os superiores interesses do país, lhe ficou muito bem a sua atitude, de dar o dito por não dito. Não é esta a linha seguida por António José Seguro, que coloca o seu futuro político, acima do interesse Nacional; esta sua gaffe política, embora dita por um dos seus mandatados, vai-lhe custar muito maís no seu futuro político, que já não é muito promissor; os erros pagam-se, e as palavras também; antes de dizermos o que pensamos, temos que ter muito cuidado naquilo que dizemos. O PS é um grande partido, fundamental à nossa débil democracia, é urgente a mudança de tática, ou a substituição do seu Líder imediatamente.

Joaquim Vitorino

* Joaquim Vitorino

Vermelha – Cadaval     Correspondente do Jornal de Oleiros.

 

 

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