Golpe de teatro em S. Bento, por Joaquim Vitorino

GOLPE de TEATRO em SÃO BENTO

Joaquim Vitorino

O demissionário ministro Paulo Portas, deixou o país à beira de um ataque de nervos; não vou mencionar como responsável o partido que ele ainda representa, porque já é público que a esmagadora maioria da nomenclatura do CDS-PP, não se identifica com esta irresponsabilidade de procedimento, que levou o país num só dia a perder milhares de milhões de euros na bolsa; penalizando as empresas que apostam com algumas dificuldades, na recuperação de Portugal. A atitude de Paulo Portas levou a que os juros subissem na dívida pública, para valores incomportáveis, e colocou o país na eminência de um segundo resgaste.

Este homem provocou provavelmente, mais estragos num só dia, que os governos de José Socrates e Passos Coelho juntos; porque as verdadeiras consequências ainda são difíceis de avaliar, se o país for para um segundo resgate. A acrescentar à tragédia grega que Portugal está a viver, existe uma outra “causa efeito” gravíssima, feita na calada da noite, com a transferência de centenas, ou mesmo milhares de milhões de euros, de volumosas contas bancárias para paraísos fiscais, que a curto prazo vão deixar o país descapitalizado e à beira da bancarrota; obrigando o Governo a recorrer a engenharias financeiras, que passam por mais privatizações ao preço da “chuva”, ou a recorrer a fundos que não lhes pertencem, mas que podem deitar a mão em nome do cumprimento do défice.

Todo este terramoto foi provocado por um só homem, que anda de feira em feira a conquistar votos, afirmando-se como um patriota. Se for levada em linha de conta, que na origem da sua demissão está a nomeação de uma ministra, que já exercia funções de Secretária de Estado naquele Ministério, então o caso é muito mais grave, porque foi uma atitude de prepotência e finca-pé ao Primeiro Ministro sem razão nem sentido. O que se passou ao certo não é do domínio público, mas a questão não foi, embora a tenha evocado, a nomeação da ministra Maria Luis Albuquerque; existindo uma razão mais que plausível para a sua demissão, que arrumou de vez a sua carreira política. Este homem provocou um terramoto financeiro, e causou grandes estragos à credibilidade do país face ao exterior, apanhando também de surpresa o Presidente da República e os seus colegas do executivo. Uma coisa é certa, ou não pensou nas consequências imediatas da sua demissão; ou se pensou, então reveste-se de gravidade acrescida, porque entrou em linha de rutura com os interesses do país, e com os eleitores que o elegeram, como também com o Presidente da República que nele confiava.

Atitudes como a deste ex-ministro, é do que o nosso país menos precisa; cabendo ao CDS-PP a urgente substituição da sua liderança do partido, para assegurar no Parlamento as medidas necessárias, fim de minimizar os estragos, que serão terríveis a curto e longo prazo, provocado por alguém que era suposto ser, parte importante da estabilidade governativa. As eleições antecipadas tornaram-se inevitáveis; cabe ao CDS-PP ajudar que estas se realizem num ambiente de tranquilidade, para que no mínimo Portugal, seja visto como um país pobre; mas que acima de tudo, somos um povo civilizado.

O país e os portugueses não mereciam isto. Este ministro de Estado, que começou por estabelecer fronteiras nos cortes dos pensionistas, onde o seu partido tem a base de sustentação de voto, fê-lo sempre com pompa e circunstância em conferências de imprensa, quando o deveria ter feito em conselho de ministros.

Quando encarregue pelo primeiro ministro de encontrar uma substituição das taxas dos pensionistas, para colmatar o “chumbo” do TC, e encontrar os caminhos que iriam dar ao corte, dos 4.700 milhões que a troika exigia; a solução foi obviamente demitir-se.

* Joaquim Vitorino  –  Colunista do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

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