Politécnico de Castelo Branco tem impacto anual superior a 40 milhões

IPCB DIVULGA ESTUDO SOBRE O IMPACTO DA INSTITUIÇÃO NA ECONOMIA REGIONAL

Carlos Maia

Politécnico tem um impacto anual de 40,2 milhões de euros

O impacto anual total do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) na região de Castelo Branco foi em 2012 de um total de 40,2 milhões de euros, o que equivale a 5,6% do Produto Interno Bruto (PIB) dos concelhos de Castelo Branco e de Idanha-a-Nova, onde a instituição possui as suas escolas em funcionamento.

Estes dados foram tornados públicos na passada segunda-feira, durante a apresentação de um estudo sobre o impacto socioeconómico do IPCB na região, que decorreu nos serviços da presidência desta instituição de ensino superior albicastrense e que contou com a presença do presidente do IPCB, Carlos Maia e dos docentes Sara Nunes e Luís Farinha.

Este estudo cuja metodologia aplicada foi seguida por sete instituições politécnicas situadas no Interior do País e cuja coordenação esteve a cargo de investigadores da Universidade do Minho e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar foi realizado no IPCB por Sara Nunes da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova e teve como objetivo principal identificar os efeitos diretos e indiretos do IPCB na atividade económica dos concelhos de Castelo Branco e de Idanha-a-Nova.

E os resultados não podiam ser mais evidentes em relação à importância socioeconómica que a instituição tem nestes dois concelhos do Interior.

IPCB

Para além do impacto de 40,2 milhões de euros em 2012, o estudo mostra ainda que por cada euro gasto pelo Estado no financiamento do IPCB, é gerado um nível de atividade económica de cerca de três euros, ou seja, três vezes mais do que o investimento efetuado o que demonstra bem da importância da instituição na economia regional.

Em 2012, o gasto anual dos docentes que integram o IPCB situou-se nos 6,5 milhões de euros, sendo que ao nível dos funcionários da instituição esse valor cifrou-se em 1,7 milhões de euros e no que diz respeito aos gastos anuais dos alunos atingiram os 30,7 milhões de euros. A instituição registou um gasto de 1,3 milhões de euros.

O presidente do IPCB realça a importância destes números e o seu impacto na região onde está inserida.

Carlos Maia sublinha ainda a credibilidade das instituições envolvidas no estudo bem como a sua imparcialidade o que vem credibilizar ainda mais os dados recolhidos, facto que o leva mesmo a afirmar que “não conhece nenhum investimento que tenha um retorno destes” na região.

Aliás, o responsável do IPCB faz questão de sublinhar que o ensino superior é o único setor de atividade que não é referido como um problema em Portugal pela Troika.

Por outro lado, diz que será “muito bom que não se cometam irracionalidades em nome da racionalidade” por parte dos decisores políticos no que diz respeito ao ensino superior público português e em particular ao ensino superior politécnico e defende mesmo que é preciso “coragem para haver uma discriminação positiva”.

Carlos Maia mostra-se defensor de uma reorganização do setor mas sublinha que esta não deve ser feita “pelo critério meramente quantitativo”.

 

Trabalhadores-estudantes são 50,6% dos alunos

 

O estudo agora apresentado surge numa conjuntura económica e social marcada por cortes orçamentais e os responsáveis do IPCB consideram essencial que as instituições de ensino superior consigam quantificar o impacto que as suas atividades têm na comunidade em que estão inseridas bem como no desenvolvimento económico, pelo que o documento está enquadrado no esforço contínuo que a instituição albicastrense faz ao nível da avaliação do seu impacto na economia regional.

Para a elaboração do estudo foram selecionados aleatoriamente de toda a comunidade do IPCB um total de 420 estudantes (300 de cursos de licenciatura, 100 de cursos de mestrado ou pós-graduação e 20 de cursos de especialização tecnológica), 80 docentes e 60 funcionários.

Posteriormente, foram obtidas um total de 358 respostas válidas, das quais 231 estavam completas (162 estudantes, 34 docentes e 35 funcionários).

Refira-se ainda que para a análise foram apenas utilizadas as respostas completas, sendo que se verificou que a amostra recolhida era representativa da população em estudo.

Recorde-se que em 2012, o IPCB contava com 374 docentes, 259 funcionários e 4.582 estudantes.

O estudo permitiu ainda observar que 35,3% dos docentes da instituição mudou o seu concelho de residência para trabalhar no IPCB e 26,5% dos docentes deslocavam-se diariamente de outros concelhos para Castelo Branco ou Idanha-a-Nova.

Em relação aos funcionários, 20% mudou de residência para desempenhar funções no Politécnico albicastrense e 5,8% deslocava-se diariamente de outro concelho.

Por outro lado, no que diz respeito aos alunos, verificou-se que 43,2% mudou de localidade de residência para frequentar a instituição ainda que 45,7% dos alunos seja natural da região ou se desloque de um raio não superior a 50 quilómetros, sendo que 37% dos alunos deslocou-se de um raio superior a cem quilómetros.

Outro dado de extrema importância mostra que 86,4% dos inquiridos escolheram o atual curso que frequentam no IPCB como primeira opção e nos alunos que mudaram de residência essa percentagem situa-se nos 82,9%.

Por último, constatou-se que 50,6% dos alunos são trabalhadores-estudantes.

No que diz respeito aos gastos dos alunos em alojamento, alimentação, transportes, propinas e taxas, bens pessoais, material escolar, informático, lazer e saúde verificou-se que cada aluno do IPCB gasta em média mensalmente 382 euros.

Por outro lado, verifica-se que os alunos que mudaram de concelho de residência para estudar no Politécnico de Castelo Branco, o gasto médio mensal situa-se nos 429 euros, enquanto os restantes gastam mensalmente 332 euros.

* Com José Lagiosa em Castelo Branco

 

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Uma Resposta a Politécnico de Castelo Branco tem impacto anual superior a 40 milhões

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Sinceramente gostei do que acabei de ler; o interior está a dar uma resposta muito positiva ao ensino, nestes dois Concelhos. É a única via para incentivar o combate à interioridade, a que o Governo se tem alheado; espero que este exemplo se propague a outras regiões do país; os custos aqui apresentados são extraordinários. Muito aceitáveis em contraponto com o despesismo central.

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