Alfama vence Marchas de Lisboa

Marcha de Alfama

Alfama regressa às vitórias

Numa noite intensa, mais de 20 marchas com história deram o melhor na Avenida da Liberdade.

Alfama regressou às vitórias e o Alto do Pina, a surpresa dos últimos dois anos ficou na 2ª posição.

Confraria dos Pãezinhos

Antes do desfile, a Confraria dos Pãezinhos de Santos distribuiu pães pelo povo.

De inaltecer a qualidade cénica e o esforço que estas organizações implicam.

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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3 Respostas a Alfama vence Marchas de Lisboa

  1. Carlos Fernandes diz:

    Tradições dos santos populares
    Junho é o mês dos santos populares. Nos bairros mais típicos e antigos, as ruas são decoradas com grinaldas de flores, balões e lanternas feitas em papel colorido, criando um ambiente alegre repleto de cores, luzes e música, a que se mistura o fumo das fogueiras e das sardinhas assadas na brasa, abafando o cheiro dos manjericos pendurados em cada janela. À noite, toda a gente sai à rua, fazendo o arraial. Nas esplanadas improvisadas, as sardinhas fazem-se acompanhar pelo caldo verde, pão com chouriça e vinho tinto. “Em Lisboa, o ciclo de Junho abrange as celebrações em nome dos três «santos populares» — Santo António, S. João e S. Pedro — , e consta de iluminações festivas, desfiles e «marchas» de «bairros», com as suas cantigas, bandeiras e luminárias, bailes populares nos mercados, fogueiras em certas ruas e bairros populares, venda de ervas aromáticas, etc.” (Oliveira, 1984: 124)
    O primeiro santo a ser celebrado neste ciclo é Santo António, cuja festa ocorre a 13 de Junho. É tido como um santo alegre e bonacheirão, que favorece as moças solteiras arranjando-lhes casamento. Se nada, na sua biografia, suporta esta versão, isso deriva da persistência da tradição pagã que, por esta altura, na proximidade do solstício de Verão, festeja a fecundidade, os frutos e os cereais que brotam da terra e o início da época estival.
    São vários os ritos propiciatórios que se fazem nesta noite para angariar noivo ou para lhe adivinhar a identidade:
    – a imagem do santo é afogado, vendado, colocado de cabeça para baixo, enquanto a rapariga faz o pedido de marido, mantendo a imagem dessa maneira, até ser realizado;
    – a rapariga escreve o nome de cada um dos seus pretendentes num papel que dobra e põe todos os papéis e um outro em branco, igualmente dobrado, numa bacia com água, para que, na manhã seguinte, o papel que estiver mais desdobrado lhe apresenta o nome do futuro marido, sendo que, se for o que estava em branco, significa que ficará solteira ou, na melhor das hipóteses, de alguém que ainda irá conhecer;
    – à meia-noite, num quarto às escuras e diante de um espelho, a rapariga diz sete vezes o nome do santo e acende uma vela, após o que olha na direção do espelho e vê refletido nele as feições do homem com quem irá casar; chama por Santo António sete vezes e acende uma vela… e logo verá refletido o rosto do homem com quem casará.
    O manjerico, também conhecido como “erva dos namorados”, é um dos principais atributos destas festas. Manda a tradição que os rapazes comprem um pequeno vaso de barro com um manjerico, a que se juntou recentemente um cravo de papel e uma bandeirola com uma quadra, jocosa ou brejeira, para oferecer às namoradas, numa prova de amor ou numa tentativa de conquista. É uma planta delicada, que seca passado pouco tempo: será esta uma analogia do enamoramento? Enquanto dura, é fácil de cuidar: «é só cuidar e pôr ao luar».
    A origem das marchas populares pode remontar às danças populares associadas à festa das Maias e, que por serem consideradas pagãs, foram proibidas por D. João I, ainda no século XIV, mas sem um êxito efetivo, transferindo-se para os bailes de quinta-feira da espiga; entretanto, durante as invasões napoleónicas, implantou-se o costume de dançar ao som das marchas militares, tal como faziam os franceses com a revolucionária “marche aux flambeaux”, marchando alegremente com tochas acesas na mão. Às luminárias foram associados os balões de papel e o fogo-de-artifício, costumes importados do contacto com a China e que eram já comuns nas feiras e arraiais de então. Não obstante, as marchas, tal como as conhecemos hoje, foram instituídas durante o Estado Novo, em 1932, seguindo uma ideia do realizador de cinema Leitão de Barros, com objetivos propagandísticos do regime e da exaltação de uma suposta cultura popular e folclorista. Tal como as Noivas de Santo António, que surgiram em 1950 por iniciativa do Diário Popular e que, ao mesmo tempo que ajudava os “casais pobres” promoviam as casas comerciais que patrocinavam o evento; interrompidas após o 25 de Abril, foram depois retomadas por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa.
    Entretanto, outras tradições se perderam ou diluíram, como o trono de Santo António, erguido à porta de casa e onde os transeuntes deixavam esmolas, ou o pedido feito pelas crianças de “um tostãozinho para Santo António”. Ou o pular das fogueiras, nos arraiais. Também era costume que, nesta data, as igrejas distribuíssem aos mais pobres os “pãezinhos de Santo António”, sendo tradição que, se o pão não fosse comido e guardado durante o ano junto ao arroz, se conservaria sem estragar e assegurava o cumprimento de todos os pedidos feitos ao santo.
    Bem hajam .

  2. Joaquim Vitorino diz:

    Lisboa é uma Cidade Bairrista, com uma longa tradição das marchas populares; e os típicos arraiais; possivelmente, não existe nada igual em toda a Europa. Lisboa, e também o Porto, são Cidades alegres que não se deixam abater pela crise; mas esta resposta é dada pelo povo, que ainda não perdeu a esperança de dias melhores; por ironia ele o “povo” é simultaneamente a vítima e a porta de saída, para com o seu trabalho e generosidade, tirar o país deste lamaçal. Muito bem Ilustre amigo Carlos Fernandes.

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