A insensibilidade social, por Joaquim Vitorino

                                                           A INSENSIBILIDADE SOCIAL

Os portugueses são o único povo europeu que se auto nivelou por baixo; tristes e apáticos, sem ambição e sem esperança no futuro, vêm transformando o seu quotidiano, num pesadelo sem fim.

Joaquim Vitorino

A falta de um discurso moralizador por parte daqueles a quem confiaram o seu voto e os destinos do seu país, estão na base deste descontentamento; eles não corresponderam minimamente às suas expectativas.

A situação tem vindo a agravar-se, e a causar grandes estragos na nossa sociedade em que a degradação social atingiu proporções verdadeiramente inquietantes.

Quem está atento sabe, que a situação levará na melhor das perspetivas, duas dezenas de anos a ser reposta, este país começou a resvalar para o perigosíssimo campo da insegurança social.

Isto não é nenhuma falácia Jornalística antes que o fosse, porque se trata da realidade que muitos dos responsáveis do país não querem admitir, por simples conveniência ou miopia política. O mais preocupante, é que as mais altas instituições do estado não reagem, e deixam Portugal a afundar-se num buraco colossal.

Todos os dias o número de desempregados aumenta, já são mais de 400.000 que não recebem qualquer subsídio, não obstante terem trabalhado toda a sua vida; este peso brutal cai sobre os familiares, eles também em risco eminente de ficarem desempregados; se disserem que as famílias se estão a unir devido crise é falso, porque a falta de condições no seio familiar, também provoca desagregação nas famílias, onde os conflitos são frequentes e normalmente são as crianças que pagam a fatura. Não vamos perder tempo à procura de culpados, porque estes há muito que estão identificados; vamos começar pelo vértice que neste caso é a Assembleia da República, onde teimosamente a maioria continua a apoiar este governo, mesmo sabendo que o suporte popular, não seria o mesmo se neste momento fossem convocadas novas eleições; aqui o que importa para eles, é agarrar bem o seu lugarzinho de deputado, sendo que os dramas do país vão passando ao lado.

A justiça, nem sequer esta palavra deveria ser aqui mencionada; centenas de milhares de processos estão a ser cancelados, quem não tiver dinheiro para os retirar da gaveta é melhor esquecer, porque o Estado não os vai defender. A fome que grassa no país está a ser mitigada, precisamente por aqueles que já não têm muito no estômago, o Estado desvinculou-se dos cidadãos em dificuldade, esquecendo completamente que a ele cabe essa tarefa.

Os portugueses em dificuldade são na sua esmagadora maioria, os que menos se sabem defender, ficando à mercê de uma vergonhosa caridade daqueles em quem confiaram, muitos dos quais deixaram os escrúpulos à porta dos gabinetes quando assumiram funções; sendo que uma grande parte dos empréstimos, é para manter os seus lugares e privilégios, e não para matar a fome a dois milhões de portugueses, das quais 800.000 são crianças.

Nunca nenhum país foi tão insensível como este o está a ser; Portugal quebrou uma tradição, que é a solidariedade entre si; os principais responsáveis e parceiros de coligação, têm que parar com este embuste de unidos, porque sabem que não será tão depressa, que os portugueses vão esquecer quem os atirou para o fundo da Europa. Portugal regrediu 50 anos, quando deveríamos ter avançado 50, o que significa que andamos 100 anos para trás, se considerarmos o que outros povos Europeus avançaram, a exemplo países do leste que hoje fazem parte da União, os portugueses voltaram à primeira República.

* Joaquim Vitorino, Correspondente do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques, Opinião. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *