O Naufrágio, por Joaquim Vitorino

                                                                       O NAUFRÁGIO      

 

Joaquim Vitorino

As medidas de austeridade impostas para combater o défice, vão ter um efeito verdadeiramente dramático a curto prazo nos países do sul, com uma grande incidência em Espanha e Portugal, onde o desemprego no conjunto dos dois países, soma perto de (8) oito milhões, afetando mais de (20) milhões de pessoas, no conjunto dos seus agregados familiares; o drama que se estenderá posteriormente a toda Europa, terá proporções gigantescas, que à posterior também se vão refletir em todo o mundo.

A austeridade baseada no desemprego e no empobrecimento dos povos, é um equívoco baseado em políticas financeiras, que servem interesses de uns quantos, mas estão a atirar muitos países, para uma catástrofe social sem procedentes. 2/3 terços da economia Mundial está em pleno crescimento; sendo que é nesta perspetiva, de não perder o comboio desse desenvolvimento, que os países do norte da Europa, com a Alemanha na frente, optaram por uma terapia de choque, com base na austeridade, penalizando os países do sul, que têm as economias mais débeis.

Se este caminho não for travado quanto antes, será no futuro associado às grandes tragédias humanitárias.

Não é a derrubar governos, nem a pedir o afastamento do Presidente da República como hoje “no primeiro de maio” uma Central Sindical o fez, que se resolve o problema que levou os portugueses, para uma tragédia desta magnitude.

As duas Centrais Sindicais, têm a sua sustentabilidade em grande parte na função pública; como todos sabem, a média salarial ultrapassa o dobro do setor privado, tendo estes a desvantagem de diariamente terem que enfrentar, a precaridade e risco do seu posto de trabalho. Não quero dizer que o setor público, não tenha toda a legitimidade de pedir melhores condições, só que o momento não é oportuno. A fome e miséria no nosso país, ainda não se faz sentir no setor público, com a crueldade com que atingiu o privado, onde 15% da nossa população trabalha em voluntariado incansavelmente, para minimizar os efeitos devastadores desta crise, com que dois milhões de portugueses estão confrontados; se o governo for em frente com a política de despedimentos no setor público, que ainda tem algum poder de compra para fazer mexer a frágil economia, então o país irá estagnar, e será um salve-se quem poder.

Os portugueses andam a flagelar-se há mais de três décadas, entregando o seu país e o futuro dos seus filhos, a quem não teve a clarividência política para avaliar, todas as consequências da nossa entrada na Europa e depois no euro; a incompetência de uns e a desonestidade de outros, levou Portugal a um tremendo retrocesso, um total falhanço em que o resultado está à vista, com todas as consequências daí resultantes.

A nossa entrada na União, para muitos portugueses seria um sucesso, juntarmo-nos ao grupo dos ricos; mas a realidade é outra bem diferente, Portugal foi atirado para o grupo dos náufragos, geriu pessimamente os fundos comunitários que lhe tem sido atribuídos, e também lhe foram desferidos vários golpes financeiros, o último dos quais foi o caso das swaps em que responsáveis, alguns com formação na área da economia, colocaram os interesses do país num sistema de ( bolha ) em que os únicos benefícios revertiam para a banca, não obstante terem o exemplo, do que aconteceu na Islândia, e que levou esse pequeno país à falência.

Os portugueses têm repetidamente entregue o seu voto em bandeja, a quem não tem capacidade para nos governar, e a alguns que dele se serviram, como instrumento de riqueza. Neste quadro partidário atual, a democracia falhou e também se esgotou; é preciso restituir o país aos verdadeiros portugueses, a gente com inquestionável honestidade, e com um passado intocável, com capacidade parar retirar da tábua de salvação, o que resta deste naufrágio de que Portugal foi vítima.

Certamente que o Sr. Presidente da República encontrará patriotas, com reconhecida competência no meio empresarial, dispostos a ajudar Portugal a seguir em frente, e a devolver aos portugueses uma perspetiva de um futuro diferente.

Esta fase negra da nossa História, nunca mais pode voltar a acontecer; as nossas crianças de hoje, e as próximas gerações, jamais nos perdoariam.

* Joaquim Vitorino – Correspondente do Jornal de Oleiros na Vermelha – Cadaval

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