25 de abril, sempre!, com José Lagiosa

25 de abril, sempre! Comemoramos amanhã o trigésimo nono aniversário de um acontecimento que ficará indelevelmente marcado na história de Portugal, na memória dos portugueses e na história de outros países e povos que, outrora, pertenceram a um Império decadente, suportado por um regime caduco que sacrificou, em nome de uma ideia ultrapassada e bafienta – e apenas para proveito de alguns -, um conjunto de valores que sustentam as nossas convicções mais profundas.

 “Quis saber quem sou, o que faço aqui”.

Largo do Carmo

Foram estas as dúvidas que assolaram a mente de muitos, mas também as palavras que deram o mote à razão de estarmos aqui hoje, 39 anos depois daquele que foi o primeiro dia do resto das nossas vidas!

Era madrugada de 25 de Abril de 1974, e o que foi, não voltou mais a ser. Portugal respirou Liberdade! Liberdade que como todos sabemos, constitui um pilar essencial da Democracia.

Foi há 39 anos atrás que o Capitão Salgueiro Maia e todos os que o seguiram, fizeram com que fosse possível estarmos aqui hoje reunidos, independentemente da nossa faixa etária ou ideologia, podendo partilhar livremente opiniões e, acima de tudo, poder celebrar com altivez o patriotismo que nos abrange e tanto nos honra.

Foi a determinação e o inconformismo daqueles destemidos homens, que nos abriu as portas da Democracia. E é graças aos Capitães de Abril que, com muito orgulho, posso dizer que sou livre! Livre para ser quem sou! Livre para escolher o que faço e o que quero fazer aqui!

Salgueiro Maia

Por isso mesmo, o 25 de Abril não pode ser apenas recordado como uma efeméride. O 25 de Abril é a efeméride! É a Revolução dos Cravos! É o momento a partir do qual ganhámos o direito que me permite estar aqui hoje perante vós, o direito à liberdade de expressão!

Contudo neste exercício legítimo de liberdade, deve também estar presente a noção de responsabilidade.

Cada um de nós tem de assumir a responsabilidade daquilo que diz e daquilo que faz em nome da liberdade.

Felizmente, agora podemos escolher o rumo que queremos seguir.

Temos a possibilidade de fazer opções. Cada indivíduo sabe o que é melhor para si, fazer as suas escolhas, consoante a sua própria consciência, não estando obrigado a ceder a pressões de terceiros.

A Revolução dos Cravos deixou-nos esse legado, o livre arbítrio.

Em cada um, uma forma de pensar, de agir, uma escolha verdadeiramente pessoal.

O 25 de Abril foi feito para terminar com as enormes desigualdades de que a sociedade portuguesa padecia. Foi feito para fazer com que as classes mais desfavorecidas passassem a ser menos desfavorecidas, foi feito para se construir uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais solidária.

No entanto após 39 anos temos que concluir que o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é cada vez maior.

Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua História recente.

A uma crise económica e financeira de novos contornos e com uma dimensão nunca vista, provocada por aqueles que hoje ganham com ela, acrescentou-se uma crise política, fruto de uma coligação negativa, na Assembleia da República, entre a direita e a extrema – esquerda, inviabilizando as medidas contidas na proposta do PEC4, essenciais para combater a pressão das instituições e dos mercados financeiros, que pairavam sobre o país, mas também para fazer face aos compromissos com a União Europeia. Foi uma votação contra os interesses do país, numa demonstração de imaturidade, irresponsabilidade e inconsciência. Para além da queda do Governo, da dissolução da Assembleia da República e da marcação de eleições legislativas antecipadas para 5 de Junho, a postura irresponsável da oposição conduziu a uma mais rápida degradação da nossa situação financeira, provocando uma onda de reacções nos mercados e na avaliação das agências de notação e rating que conduziram o país para situações insustentáveis e para um indesejável pedido de ajuda externa que não era desejada nem pelo governo da nação nem por grande percentagem de portugueses.

Portugal nesse dia afastou-se, ainda mais, dos desígnios de Abril.

Agora os Portugueses, sofrem na pele as políticas de austeridade, custe o que custar, impostas por um Governo que se apressou a impor políticas neoliberais, comandadas pela troika depois de terem escolhido, nas urnas, a irresponsabilidade de quem aposta no desmantelamento do Estado Social pondo em causa princípios tão fundamentais como a universalidade da educação e um serviço nacional de saúde de qualidade.

É tempo de dizer basta.

A participação de todos é imprescindível! Há que cumprir afincadamente os nossos deveres, fazendo valer os nossos direitos, nunca esquecendo quem tanto lutou por eles. É imprescindível fazer renascer Abril. É imprescindível coragem para enfrentar o presente e projetar um futuro de esperança e desenvolvimento, o último D de Abril que está ainda por cumprir na sua plenitude.

É pois fundamental que nós, os mais velhos, os que um dia já estiveram privados do seu bem mais precioso, a liberdade, não permitam nunca que nos esqueçamos como já foi um dia. Para que vós, os mais jovens, possais impedir que tal volte a acontecer.

Porque tal como as flores, e não fosse um cravo o símbolo máximo deste dia, a Liberdade precisa de ser cuidada, precisa de ser “regada”; com novas ideias, com novas intervenções, com novas atitudes! Seja bem-vindo quem vier por bem!

Não podemos deixar o cravo murchar!

         

Viva o 25 de Abril!

Viva a liberdade!

Viva Portugal!

* José Lagiosa, Correspondente em Castelo Branco

 Castelo Branco, 25 de Abril de 2011

Cravo flor

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