O Consenso, por Joaquim Vitorino

                                                                         O CONSENSO

Seria um grande benefício para o nosso país, a que os portugueses estariam certamente gratos, que os dois maiores partidos, tivessem chegado a um consenso, quando se antevia o caminho que Portugal estava a trilhar, que era o pedido de resgate.

Por interesses de uns, e alguma incompetência demonstrada por outros, foi entregue ao povo a decisão através de eleições. Os portugueses elegeram um governo, que apoiado por uns, e contestado por outros, ainda continua em funções; neste momento, na situação de quase calamidade económica e social, em que o país se encontra, só alguém com muita ambição pessoal ou sentido de missão, estaria disposto a formar um novo governo.

No dia 17/04/13, antes de receber a troika  o Líder do PS, foi recebido pelo primeiro Ministro a pedido deste; este encontro teve lugar imediatamente antes de Seguro receber a troika; foram criadas algumas expectativas, que só encaixam em quem é ingénuo ou não está minimamente atento. Seguro recentemente confirmado como Líder “incontestável” apresenta-se sozinho no encontro, o Primeiro Ministro, é acompanhado por dois ministros, um ligado à área social, que sempre representou o cavalo de batalha do PS, e o outro nomeado há dias, especialista em assuntos Europeus. Ao apresentar-se só, o Líder do PS desvalorizou o encontro; que provavelmente poderia ter aproximado os dois maiores partidos políticos portugueses, que também são os responsáveis por parte da situação trágica em que vivemos, e por não saberem responder a ela.

Um consenso é pressupostamente entendido como cedência de ambas as partes, é obvio que isso não aconteceu; Seguro continua a bater na tecla que vai dar a eleições, tanto mais que foi confirmado como Líder no último congresso do PS.

Lamento ter que o dizer, mas não encontro grande empenho em alguém resolver os problemas do país, quando sabe que eleições antecipadas, não vai levar a nenhum lado, que não seja à cadeira de Primeiro Ministro  em São Bento.

É lamentável, porque na situação em que Portugal se encontra, não pode haver interesses ou objetivos pessoais e partidários a atingir, que tenham prioridade face à sobrevivência do país. Seguro fala sempre em rever prazos e juros da dívida; mas o BE e o PCP, já andam dizer o mesmo, muito antes que ele; para estes partidos, também é fácil de falar, quando não se tem a responsabilidade de governar, portanto não é uma novidade a posição de Seguro; pelo menos em três artigos meus, publicados há uns seis meses, escrevi que Portugal estava a entrar num campo muito perigoso e semelhante ao grego, e que iria ter grandes dificuldades em pagar as dívidas, nas condições em que as estava a contrair. Portugal colocou, a última dívida pública nos mercados a curto prazo de 1750 milhões, a juros altíssimos e com pouca procura; no mesmo dia a Alemanha, consegue os juros mais baixos de sempre, 1,28% e com maturidades de 10 anos.

Nesta situação, Portugal apenas vai gerindo as suas contas com empréstimos, que são imediatamente reencaminhados para compromissos de juros e amortização da dívida, não existe rotatividade económica, porque não sobra dinheiro para circular, vão tapando este e aquele buraco, mas a manta está cada vez mais rôta.

O país está numa rota recessiva sem fim à vista, e caiu numa letargia sem procedentes, existe uma falta de ânimo coletivo, só as crianças ainda vão sorrindo, porque desconhecem o que está a acontecer; as grandes cidades ainda mexem, mas é tudo virtual, não tarda vamos cair na realidade. Seria um ato de elevado patriotismo, que os partidos do arco governativo, e se possível também os que estão situados à esquerda do PS, se sentassem à mesma mesa quanto antes, para não ser tarde demais.

Não é correto deixar à responsabilidade de uns quantos, as medidas impopulares, que terão um elevado custo em próximas eleições, a democracia não é isto; terá que haver um compromisso de todos, no momento excecional que os portugueses estão a viver; o relógio entrou em contagem decrescente, não pode haver mais argumentos falsos, ou criatividade da palavra.

Portugal terá que decidir, se quer viver por algum tempo, com algumas dificuldades mas independente; ou por um longo período afundado na dívida, na escravatura do euro, e cada vez mais subserviente.

* Joaquim Vitorino, Correspondente do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

Joaquim Vitorino

 

 

 

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