Regresso ao passado, por Joaquim Vitorino

Regresso ao passado

Os ventos correm a favor dos que regressam; infelizmente não acontece o mesmo com aqueles que recentemente tiveram que partir, sendo que os primeiros, estão na origem do abandono forçado, de muitos que perderam os seus empregos, e foram colocados numa situação de sobrevivência difícil, arrastando os seus familiares, para responsabilidades que não têm condições de suportar; muitos são idosos, que ficam a cuidar dos netos, sem meios suficientes nem forças, para que as crianças não sintam, com tanta severidade a ausência dos pais.

Um dos regressados, foi o antigo primeiro ministro que ao poder, beneficiando de acontecimentos que envolveram alguns membros do seu partido, que posteriormente a justiça ilibou.

Nunca aceitou ter perdido as eleições, para os o que estão agora a governar. Este português regressa cheio de ressentimentos, e disposto a vingar-se de todos os que lhe fizeram frente, mesmo os do próprio partido; manipulador da palavra, dominando os entrevistadores, não dá lugar a contraditórios, e utiliza um canal televisivo pago pelos contribuintes, para justificar o que ele fez; e não tem interesse em se lembrar, que também foi responsável, pela dramática situação em que Portugal se encontra, independentemente da culpa do atual Governo, pelas políticas erradas que teimosamente insistem em aplicar; uma atitude não desculpa a outra. A questão da licenciatura que a jornalista lhe coloca, e que ficou para o fim do seu segundo tempo de antena, que lhe é generosamente concedido pelo canal público; o primeiro foi quando do regresso e apresentação, como futuro comentador.

Este tema que se arrasta há anos, não deveria constituir assunto de grande relevância para os portugueses; pois mais de 50% dos nossos licenciados acabam em caixas de supermercados ou no desemprego, que a este governo e o anterior cabe uma grande culpa.

O novo comentador do canal público está a utilizar este espaço, para atingir o único objetivo que agora lhe interessa, que não é voltar a ser primeiro ministro nem retirar do caos  o país, que em parte é um dos culpados; ele veio para “atacar” a mais alta instância do poder;  apenas lhe interessa um lugar de topo na política portuguesa; quer ser Presidente da República.

Foi por este motivo, que quis poupar o secretário geral do seu partido. Inteligente e dominador, este homem não consegue esconder, que tem como objetivo ajuste de contas, com todos aqueles que no passado lhe fizeram frente.

Portugal não pode entrar neste jogo político, entre os  que já deram provas da sua incapacidade, para nos devolver a nossa soberania económica, que é a pedra basilar da independência de um país, que é de todos os portugueses.

A pressão deste regresso obrigou a uma moção de censura precipitada, desprovida de qualquer estratégia.

Os portugueses deixam-se facilmente influenciar, por aqueles que já falharam, e que voltarão a falhar; reclamam inocência na atual crise em que mergulharam Portugal, pouco lhes importa os danos que o país possa sofrer, e o seu regresso, a que tem todo o direito, já se está a sentir negativamente. Apresenta-se como um intocável, que não tem que prestar contas a quem quer que seja; escolhe o momento para a sua entrada em cena, sabe que está a provocar alguns danos, que se refletem no exterior. Por esclarecer fica como é que TC se pronuncia sobre a inconstitucionalidade de algumas medidas, dois dias depois o atual primeiro ministro fala ao país, e duas horas mais tarde, o “comentador” dispõe em tempo nobre de um canal público, pago por todos nós, para atacar aqueles, para quem perdeu as eleições, e que têm a legitimidade de governar, não obstante o descontentamento e contestação popular.

Joaquim Vitorino – Correspondente do Jornal de Oleiros

Joaquim Vitorino

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Destaques. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *