Francisco o Papa, por Joaquim Vitorino

FRANCISCO   O   PAPA

Esta trilogia, João Paulo II, Bento XVI e Francisco I, não foi um mero acaso; o mundo precisa de uma nova ética e um novo rumo, que o afaste da diferença cada vez maior, entre ricos e pobres; não existindo qualquer dúvida, que em grande parte, o esforço dos últimos é responsável, pelo enriquecimento dos primeiros.

Francisco sabe que não vai ser tarefa fácil, alterar esta situação de injustiça milenar, que também se instalou na instituição a que Preside; mas os tempos têm que ser de mudança, e a Igreja Católica tem que dar o exemplo; Francisco marcou a diferença desde o primeiro momento, em que foi proclamado Papa; Ele vai precisar de força, coragem e proteção Divina. João Paulo II abordou com toda a certeza, várias vezes este tema com Bento XVI; eles foram amigos de longa data, e antes de falecer certamente pensou; se o seu substituto não seria o seu velho amigo. Bento XVI é um homem de inteligência rara e também de grande Fé e sentido do dever, que coloca acima de tudo a Igreja, onde terá que haver uma mudança urgente, para relançar a Fé e a solidariedade entre os homens e as Nações.

Todos os dias, o número de seres humanos, que atingem a pobreza extrema, é mil vezes superior ao de novos milionários que no seu conjunto são 7% da população, mas detêm 93% da riqueza mundial; enquanto que a 93% lhes cabe apenas os outros 7% da riqueza; esta triste realidade assimétrica coloca 2000 milhões de seres humanos, a lutar pela sobrevivência. Se este terrível quadro não mudar, muitos são aqueles que começam a perder a esperança, de ver algum equilíbrio e aproximação, entre os que tudo têm, e os que nada possuem. Francisco sente ter chegado o momento, e que tem uma “Grande Missão” a cumprir; mas precisa de muito apoio dos fiéis, e também daqueles mais próximos de si, que terão que abdicar de alguns privilégios, adquiridos ao longo dos tempos. A Igreja terá que continuar austera, mas sem ostentar tanta riqueza.

Nunca um Papa, na sua primeira apresentação aos fiéis, pediu a estes que rezassem por Ele; sabe com toda a certeza ter a ajuda do Espírito Santo, mas milhões a rezar, reforçará a sua determinação em alterar alguns dos paradigmas, que no passado e mesmo recentemente, afastaram muitos da Igreja. É para fazer regressar os que se afastaram, que estes três Papas, vão desempenhar um papel preponderante, nesta viragem de atitudes e preconceitos, que terá como alvo principal os Jovens, que foram sempre uma preocupação constante de João Paulo II; porque serão eles os grandes transmissores das novas doutrinas e mentalidades, que terão como base, a defesa dos direitos humanos, alicerçados na solidariedade, o acesso ao conhecimento, e à sobrevivência da dignidade humana, e justiça para todos, independentemente dos meios que tiver, a quem a ela recorrer.

A Universalidade da Igreja Católica, só conseguirá reafirmar-se, na vanguarda daqueles que defendem um mundo justo. João Paulo II, despertou a Juventude; sabia que seriam eles a dar o início à esperada mudança, invertendo muitos dos comportamentos, que são algumas das causas, identificadas do empobrecimento que provocam danos sociais, muitas vezes irreparáveis.

Francisco sabe que combater a pobreza, vai ser uma tarefa árdua, mas não pode esperar mais; as palavras não matam a fome a mais de 150 milhões de Cristãos; ele é um franciscano, ninguém melhor entende o sofrimento daqueles, que nasceram no berço da pobreza, a quem nunca fora dada uma oportunidade de sair dela; 90% é herdada, de gerações em gerações, num ciclo de tragédias familiares, que levam à perda de esperança em atingir um futuro diferente.

O novo Papa está predestinado, a lançar este alerta; a paz no mundo só será alcançada, com um equilíbrio na repartição de bens, que leve à erradicação da fome no planeta; sabe que a zona com mais incidência deste flagelo a curto prazo será a Europa, o berço civilizacional e do Cristianismo. João Paulo II, foi o percursor da grande abertura a leste, com o movimento solidariedade na Polónia, e a queda do muro de Berlim; ele sabia bem a missão de que fora incumbido; a seu lado esteve sempre Bento XVI, que iria ser um Papa transitório por duas razões; João Paulo II, não era de fácil substituição, e Bento XVI nasceu alemão; a Alemanha, ainda vive cheia de ressentimentos, pela perda de duas guerras, que eles próprios provocaram; atitude que se reflete, na falta de solidariedade e respeito, pelos países mais pobres; Francisco I lançará um alerta; muitos países estão a empobrecer a um ritmo muito perigoso, situação que poderá levar a um conflito, entre nações ricas e pobres. Francisco I terá nesta luta de classes, com a sua autoridade moral, um papel de mediador; é uma urgência, porque já estamos em contagem decrescente.

O mundo Cristão, tem os olhos postos neste homem, que está a dar provas de uma grande humildade; e está decidido a marcar a diferença dos seus antecessores; este Franciscano, o primeiro a chegar a Papa, tem uma missão a cumprir, sensibilizar o mundo para o flagelo da fome, da intolerância, da xenofobia e da desigualdade; aparece no momento certo, para deixar uma esperança e mensagem, a todos os injustiçados, de que a Igreja está atenta, e que não os esquecerá. 

* Joaquim Vitorino, Correspondente e Colunista do Jornal de Oleiros na zona Oeste

Vermelha  –  Cadaval

 

Joaquim Vitorino

 

 

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