” Três notas e uma clave de sol” por Carlos Fernandes

“Três notas e uma clave de sol”

Clave de Sol

Para quem é, Grândola não basta.

Não será surpresa para ninguém que o dia de ontem, foi marcado pelo regresso ao debate político de José Sócrates, facto que por si só, foi garante de lotação esgotada e subida de audiências, como há muito não se registava na RTP, de norte a sul de Portugal e ilhas, ninguém ficou indiferente.

Pouco mais de duas dezenas de manifestantes, esperavam o entrevistado junto às instalações da RTP, de um lado protestos e uma fatura do outro lado flores, isto é a idiotice elevada ao expoente máximo, que a meu ver deveria ser taxada, já não bastavam as petições ridículas e brejeiras.

Notoriamente, os dois jornalistas entrevistadores, estavam impreparados, ou não levaram em linha de conta as aptidões políticas e intelectuais do entrevistado, ou pior, estão mal habituados, ou não estavam ali para esclarecer mas sim para baralhar, desejando ser mais que mediadores como se impunha, serem os protagonistas.

Durante hora e meia o antigo líder socialista tentou rebater as acusações de despesismo deslealdade etc, que ao longo de dois anos o tiveram como alvo, autênticos julgamentos sumários na praça pública, foi primeira página uma série de vezes, sempre acusado de ter fugido, de levar uma vida de luxo, uma verdadeira intoxicação da opinião pública, por parte de uma imprensa que apelidou de lixo.

Denotando um ar mais conservador e uma serenidade, que há muito não se via por estas bandas, desenvolveu a sua tese em três grandes notas, sendo preciso objetivo e conciso.

1ª Nota: A verdadeira culpa do pedido de resgate, deveu-se não só à grave crise Europeia de 2009,mas essencialmente ao chumbo do PEC IV pelo parlamento, nomeadamente os partidos que votaram contra (PSD, PCP, Verdes, CDS) mas também pela mão escondida do presidente da república, que os incentivou, já que o mesmo já estava acordado com os parceiros europeus, comissão europeia, banco central europeu, com o chumbo e o passar do tempo, o resgate tornou-se inevitável. (tínhamos a solução deitamo-la fora ).

2ª Nota: A divida pública entre 2008 e 2010 subiu vinte pontos percentuais, entre 2010 e 2012 subiu trinta pontos percentuais, no que às pascerias público privadas diz respeito, também a história vai mal contada. No orçamento de 2011 o último elaborado pelo seu governo, estava estimado o custo para o estado até 2050 com as PPP 9,9 mil milhões. Este número não incluía contudo os encargos com as concessões rodoviárias que foram reduzidas em 2011. Em 2013, o último orçamento do atual governo prevê que o estado gaste até 2050 cerca de 9,2 milhões. Este, numero já inclui os gastos, com as concessões, mas exclui o TGV.

Além do mais, dos 22 contratos das PPP só 8 foram executados pelo seu governo.

3ª Nota: Deixai toda a esperança, vós que entrais! (Dante Alighieri).

José Sócrates

Foi com esta citação que se referiu ao atual estado da governação, sem rumo sem esperança, cavando a sua própria sepultura, em nome de uma austeridade sem sentido, que não nos leva a lado nenhum, enfim o continuar a cair no mesmo erro, sem crescimento económico, sem esperança, não haverá futuro.

Portugal precisava alguém que combatesse a narrativa do pensamento único. Precisava de uma voz que nos devolvesse a esperança, encontrou -a, hoje nasceu a verdadeira oposição, o seu protagonista encontra-se em forma, foi brilhante, já fez mossa e atrito na maioria não tardará desligará a máquina, que suporta este estado de coma vegetativo.

Ao seu partido de sempre, sou faltou dizer levanta-te e anda !

Para quem é, Grândola não basta.

Bem hajam

* Carlos Fernandes, Director – Adjunto do Jornal de Oleiros 

Carlos Fernandes

 

 

 

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