Encomendação das Almas em Proença-a-Nova

Proença-a-Velha partilhou tradições da Quaresma

Encomendação

Pavilhão municipal acolheu seis grupos de mulheres que cantam a encomendação das almas.

 

As vozes das mulheres que mantêm viva a tradição de encomendar as almas, no período da Quaresma, ecoaram no sábado passado pelo pavilhão desportivo de Proença-a-Nova. O tempo frio e chuvoso obrigou a deslocar para uma área coberta o encontro que, pelo terceiro ano consecutivo, juntou os grupos das cinco aldeias do concelho que continuam a fazer estas orações. Pela primeira vez a iniciativa teve ainda um grupo convidado, vindo de Proença-a-Velha.

No meio da escuridão, apenas velas e luzes de candeias iluminavam os vultos negros das mulheres. Pouco depois das 21h30, as sete mulheres vindas de Proença-a-Velha cruzaram o centro do pavilhão, acompanhadas por um homem que levava a candeia – é assim que manda a tradição e é assim que continua a ser repetido o ritual naquela localidade do concelho de Idanha-a-Nova, nas três sextas-feiras que antecedem a semana santa, ao bater da meia-noite.

Atalaias, Chão do Galego, Cunqueiros e Galisteu cantam aos fins de semana, enquanto nas Corgas a encomendação se repete de forma ininterrupta todas as noites da Quaresma. Nalgumas aldeias a tradição chegou a estar adormecida, mas voltou a ser recuperada e transmitida a crianças e jovens, como é o caso em Atalaias e Chão do Galego.

No encontro realizado em Proença-a-Nova foram cantados apenas excertos dos cânticos, que habitualmente são repetidos em vários pontos das aldeias, para que toda a população possa ouvir. A antiguidade deste ritual da religiosidade popular e as histórias a ele associadas despertaram a curiosidade de um mestrando da Universidade Nova de Lisboa, que iniciou esta semana filmagens que servirão de base a um documentário e tese de mestrado.

* Com Magda Ribeiro em Proença-a-Nova

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