Chipre ao rubro, por Joaquim Vitorino

O resgate a Chipre, decidido à pressa pelo Eurogrupo, lançou o pânico generalizado nos países com assistência financeira, e em toda a zona euro;  estamos a assistir a uma limpeza, de todos os que não interessam aos que defendem um euro forte, sendo necessário um saneamento nos países, que não cumprem com o défice, enfraquecendo o euro, e chocando com os interesses em particular da Alemanha.

Isto constitui um inaceitável ataque à economia de um país membro, em nome de uma estratégia  financeira; em que o único objetivo, é manter o euro forte, para que as matérias primas de que são dependentes lhes fiquem mais baratas; os alvos são previamente escolhidos, foi a Grécia, Irlanda, Portugal e agora Chipre; a seguir será Malta, Andorra, Mónaco, São Marino e Vaticano, que também têm o euro como sua moeda; esta situação não será extensiva a Espanha ou Itália, porque não existem fundos na União, para resgatar estes dois colossos, que no conjunto representam, um terço do PIB Europeu; então o porquê do “ataque” a pequenos países, cujas economias pouco representam no contexto Europeu? Aqui cada caso, tem uma leitura diferente; os bancos de Chipre são um paraíso para os Russos, eles têm nos bancos locais 20.000 milhões, que será possivelmente a ponta do Iceberg; noutros países da zona euro, terão dezenas de vezes mais; se for aplicada a contestada taxa, só os depósitos russos pagarão 50% do resgate; mas trata-se de uma falsa questão, a Alemanha e os aliados do norte, não querem as economias frágeis no euro, mas não os querem expulsar, para no futuro continuarem a manter estes mercados; esqueceram-se que o efeito sistémico pode ser demolidor, levando à desconfiança dos mercados financeiros, e estes a apostar nas economias emergentes.

No caso de Chipre, pela situação geoestratégica, tornou-se num alvo preferencial, tem dois conflitos à porta;  a guerra civil na Síria, e o conflito Israel-Palestiniano, ambos sem fim à vista; sendo que não convem às potências Ocidentais, que os russos encham os bancos da região com rublos, que são imediatamente transformados em euros; o mar negro está ali ao lado, e é dominado pelas esquadras russas; os russos sediaram-se em Chipre, que passou a ser um entreposto económico, que em caso de conflito alargado, selo-á também militar; não é estranho que em todos os países do Eurogrupo, nem um único se colocou ao lado de Chipre; todos foram a favor da tipologia de resgate a ser aplicado, cuja finalidade é barrar a entrada a mais dinheiro do leste, que será imediatamente convertido, o efeito será precisamente o contrário; se forem os russos a assumir o resgate a Chipre, então a União Europeia, acabou de atirar para a orbita russa um país membro; deixando no ar a questão, quem será o seguinte?; Portugal que muitos viam, como uma entrada da União, para os mercados brasileiros e africanos, estavam muito enganados quem assim pensou, porque a União Europeia já lá está, sem qualquer interferência portuguesa; Portugal nunca foi visto como rampa de lançamento dos produtos europeus, nas ex-colónias portuguesas, os políticos deste país, não avaliaram bem, a nossa entrada na comunidade, foi uma decisão estratégica do Ocidente; as duas intervenções do FMI da década de 80, foram mais políticas que económicas, não obstante estarmos quase na bancarrota.

Ainda não ouvi um único político envolvido na nossa entrada na comunidade, e posteriormente no euro, reconhecer que  acabou para os outros a nossa utilidade, e que como tal, temos que sair do euro, e mais tarde da União, porque nos estamos a afastar deles a grande velocidade; e que a nossa passagem pela casa dos ricos chegou ao fim, regredimos muito anos no nosso padrão de vida; de momento não existe futurologia, que minimamente nos possa indicar, onde esta  aventura nos vai levar.

Estamos perante uma nova “Alcácer Quibir”; da primeira perdemos a nossa independência 60 anos; esta já nos atirou para o fundo Europa, mas isto é só a ponta do iceberg.

* Joaquim Vitorino, Colaborador do Jornal de Oleiros

na Vermelha – Cadaval

Joaquim Vitorino

 

 

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