A quem pertence o futuro? por Ana Silva

 
 

A quem pertence o futuro?

 

Passei a minha infância a ouvir a minha avó dizer que o “futuro a Deus pertence”. Continuo sem saber se ela tinha razão, mas uma coisa é certa: a nós é que não pertence!

Os meus pais viram grandes empresas erguerem-se, pessoas formarem-se e tornarem-se grandes profissionais.

Eu vejo as mesmas empresas falirem, os profissionais terem de mudar de ramo ou perderem o seu trabalho de uma vida. Vejo jovens qualificados sem conseguirem arranjar emprego, jovens estes que vivem frustrados com as limitações impostas pela crise e vejo outros tantos que simplesmente não querem trabalhar. Vejo jovens perdidos em vidas boémias, que prolongam a sua passagem pela vida académica para poderem aproveitar mais esta vida, somando cursos atrás de cursos não chegando a completar nenhum.

Vejo também que uma geração que passou privações no passado, deu tudo aos seus filhos, tudo o que não teve, acabando por cair no exagero da abundância, protegendo-os de tudo e todos e escondendo os lados maus da vida.

Esta geração deu origem á mais privilegiada geração de todas.

Nos dias de hoje a criança ainda não sabe ler e já tem um telemóvel, um computador e uma playstation.

Estes pais asseguraram-se que nada faltaria aos seus filhos.

Agora chegou a crise e os pais estão á rasca.

Estão á rasca para por comida na mesa e contam os tostões para pagar as contas, mas não abdicam de mimar os seus rebentos com internet ilimitada, jogos, iphones e bilhetes para concertos que chegam a custar 300 euros para ver o Justin Bieber.

Estes pais não sabem dizer não.

Chega pois a hora de muitos destes pais terem de recorrer também eles aos respectivos pais. Idosos que vivem de parcas reformas veem-se muitas vezes obrigados a ajudar os filhos e os netos em detrimento do seu próprio bem-estar.

É pois verdade que em muitos casos são os idosos a pagar a factura da crise, mas também a do consumismo desmedido.

São 3 gerações juntas a atravessar a crise.

Mas afinal de quem é a culpa?

É dos avós, que eles próprios viveram uma crise pior que a actual e que criaram os filhos com dificuldade e privações?

É dos pais que, por terem vivido tantas privações quiseram dar o melhor aos seus filhos, acabando por cair no exagero?

Ou é dos filhos que são muito exigentes e nunca ouviram um não?

Não sei de quem é a culpa. Talvez de todos, talvez de ninguém.

Mas sei que os jovens (geração na qual me insiro mas não identifico em alguns dos aspectos falados) não estão ainda á rasca.

O que está á rasca são os nossos sonhos, o nosso futuro.

O sonho de ter emprego, comprar casa e carro e constituir família.

Mas como a nossa geração não esta habituada a ouvir um não, é hora de reagir, de continuar a sonhar e a lutar para tentar aguentar a instabilidade, a insegurança e a desconfiança no futuro…para que um dia o futuro nos pertença! Mas até lá o futuro a Deus pertence.

  • Ana Silva, Correspondente em Álvaro e Milrico (OLR)
  • Ana Silva

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Álvaro, Oleiros. ligação permanente.

14 Respostas a A quem pertence o futuro? por Ana Silva

  1. Carlos Fernandes diz:

    Gosto do artigo ilustre amiga, explica grosso modo a vossa , nossa situação, mas parafraseando o poeta um homem nunca desiste, cabe a cada um de nós com a união de todos reinventar o futuro,lutar por um melhor nível de vida, no fundo as pessoas primeiro e que ninguém fique para trás, que todos combatam o poder instalado perpétuamente, sem medo que pela sua competência e cidadania consiga dizer basta, que não nos deixemos amedrontar sempre pelos mesmos esses estão sempre bem , esses continuam a ser donos das nossas vidas, são esse que dominam o mercado de trabalho o tráfico de influências, são esses que quando não possuem qualidade se calam e mandam calar os outros.
    Cabe a todos nós no sitio certo mostrar o nosso descontentamento para que não continuem com 74% e mandem a seu belo prazer, enquanto isto acontecer todos são culpados , não é seu pai nem o seu avô esses são provavelmente os homens que nunca foram meninos , Bem haja amiga e parabéns pela oportunidade do artigo

    • Ana Silva diz:

      obrigada :)e sim é verdade o meu pai e avo nunca souberam o que era ser meninos tornaram-se homens cedo demais…e penso que é isso que tambem nos faz falta a nos jovens: crescermos e amadurecermos mais rapido. Cumprimentos

  2. Joaquim Vitorino diz:

    Que extraordinária análise, a Ana Silva nos trás, desta trilogia de gerações, avós pais e filhos, todos viciados num bem estar virtual, orquestrados num endividamento, cujas consequências, estão longe de serem conhecidas; sabendo-se para já que vários países estão na falência, e que a sua recuperação nos próximos 50 anos ( 2 gerações ) é uma miragem. Vai haver uma rutura radical, nos nossos habitos de consumo, e também no relacionamento familiar, os grandes sonhos desmoronaram-.se, por necessidades, as pessoas e famílisa vão estar mais próximas; sendo que isto constitui um triste paradigma, ter que ser a tragédia, ou privações materiais, para para unir aqueles que o bem tinha separado. Pabéns à Ana Silva, minha amiga do facebook.

  3. É um orgulho para o Jornal de Oleiros descobrir talentos mesmo em terras tão distantes como Oleiros. As preocupações que exibe são forjadas na Sua própria experiência profissional. Ela sabe do que fala e bem. Parabéns Ana e obrigado pelas Suas contribuições. Director

  4. Ana Silva diz:

    Obrigada e que continue a realizar o excelente trabalho pela nossa terra que tambem é sua :)

  5. António diz:

    É com tristeza que vejo tanta gente (in)formada, com cursos superiores (da treta) que não sabem que “á” não existe !!!! iraaaaaa
    Ana no facebook ainda é como o outro, agora no Jornal é demais.

    • Caro Senhor António
      Agradeci o facto de nos ler recentemente.
      Venho agora dizer-Lhe que o Seu comentário está online para que perceba a diferença entre um Jornal livre e um jornal “amordaçado”. Num desses, o Seu inapropriado e hediondo comentário não teria cabimento.
      O Senhor não pode agredir seja quem fôr, menos ainda o Jornal.
      Conforme Lhe agradeci o facto de nos ler, recomendo que deixe de o fazer pois não é bem vindo enquanto se comporte da forma que o faz.
      Bem haja.

  6. António diz:

    O Sr. Director não precisa ficar chateado! Pelos vistos também não sabe que “for” não leva acento circunflexo.
    Haja Paciência

  7. Joaquim Vitorino diz:

    Só um energúmeno labrego, sem um mínimo de educação, tem a atitude deste antónio; são estas ovelhas negras, a parte mais negativa, deste povo considerado dos mais educados de toda a Europa, espero que não transmita aos seus descendentes, se os tiver, todo o instinto das cavernas que transporta consigo, a Ana Silva compreende os Jovens, a quem tenta incutir a realidade dos nossos dias; possivelmente os familiares do autor do triste comentário, não estão de acordo com ele. Quanto aos falsos Doutores a que se refere, espero que a leitura, lhe tenha sido útil, para cultivar a educação que falta.

  8. Ana Silva diz:

    Realmente foi um lapso da minha parte ou do Sr. Paulino que não verificou tal erro (gravíssimo) antes de o publicar…ainda bem que há quem repare nos erros ortográficos já que o conteúdo do artigo o(a) afecta de alguma forma ou pertence à classe dos que não querem trabalhar ou à classe dos que tiram curso atrás de curso sem completar nenhum..mas de português percebe está visto e que ninguém duvide…o meu erro foi um acento ortográfico…já o seu..esconder-se atrás de um nome e mail falsos só prova que não tem maturidade Peço desculpa se o ofendi com o que escrevi, se se identificou assim tão bem com alguma situação.Cumprimentos(se encontrar algum erro avise). E já agora o meu curso não é da treta, pelo menos não me retirou a educação.

  9. Carlos Fernandes diz:

    Sempre gostei de opiniões divergentes de criticas, não me revejo em incontinências verbais, mas como prezo a saúde pública direi que este é um dos sintomas mais frequentes da patologia psicossomática, recomendo vivamente uma consulta.
    Caso não se confirme o meu receio, dedico-lhe este pensamento Tóino ou será António para o caso não me parece relevante .
    O triunfo dos imbecis !! Não nos deve surpreender que, a maior parte das vezes, os imbecis triunfem mais no mundo do que os grandes talentos. Enquanto estes têm por vezes de lutar contra si próprios e, como se isso não bastasse, contra todos os medíocres que detestam toda e qualquer forma de superioridade, o imbecil, onde quer que vá, encontra-se entre os seus pares, entre companheiros e irmãos e é, por espírito de corpo instintivo, ajudado e protegido. O estúpido só profere pensamentos vulgares de forma comum, pelo que é imediatamente entendido e aprovado por todos, ao passo que o génio tem o vício terível de se contrapor às opiniões dominantes e querer subverter, juntamente com o pensamento, a vida da maioria dos outros.
    Isto explica por que as obras escritas e realizadas pelos imbecis são tão abundante e solicitamente louvadas – os juízes são, quase na totalidade, do mesmo nível e dos mesmos gostos, pelo que aprovam com entusiasmo as ideias e paixões medíocres, expressas por alguém um pouco menos medíocre do que eles.
    Este favor quase universal que acolhe os frutos da imbecilidade instruída e temerária aumenta a sua já copiosa felicidade. A obra do grande, ao invés, só pode ser entendida e admirada pelos seus pares, que são, em todas as gerações, muito poucos, e apenas com o tempo esses poucos conseguem impô-la à apreciação idiota e ovina da maioria. A maior vitória dos néscios consiste em obrigar, com certa frequência, os sábios a actuar e falar deles, quer para levar uma vida mais calma, quer para a salvar nos dias da epidemia aguda da loucura universal.
    bem hajam !!!

  10. Ana Silva diz:

    Caro amigo Carlos a sua resposta está tão bem elaborada e floreada que não sei se o \Toino\ como tão bem apelidou irá entendê-la, mas conta a intenção :)Cumprimentos

  11. Exmos Senhores, Caro Director-Adjunto, Leitores Amigos e Inimigos
    Utilizo agora a descricionaridade do poder legal que me está conferido por Lei, para anunciar que a matéria iniciada pelo Sr António Pedro ( de algures ) não é merecedora de mais qualquer comentário, seja de quem fôr.
    A situação do País e da região, obrigam-nos a uma concentração no que á válido e útil e não em coisas marginais e irresponsáveis.
    Ao tomar esta atitude invulgar na minha pessoa, faço-o por considerar estarem bem clarificados os pontos de vista de todas as partes.
    Agradeço ainda e a terminar a solidariedade com que intervieram em favor da nossa estimada colaborador, deixando o aviso que o Jornal de Oleiros é como uma “Alcateia de Lobos” e nunca abandonamos os nossos que admiramos pela coragem de dar a cara, coisa tão difícil neste definhado país carregado de imoralidades.
    Cordialmente.
    Director
    email: jornaldeoleiros.director@sapo.pt

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