No limite, por Joaquim Vitorino

NO  LIMITE

Tudo não passaria de uma comédia, se em causa não estivesse a sobrevivência deste país. Efetivamente, os últimos dados divulgados pela troika e ministro Gaspar, indiciam que todos os sacrifícios que nos foram impostos, não sortiram qualquer efeito, Portugal está a afundar-se; e o futuro de todos nós, apresenta-se negro e indistinto.

Como solução falharam as medidas de austeridade, que levaram ao desemprego 2 em cada 7 da população ativa, note-se que a estes números, temos que juntar, os que não estão escritos nos centros de emprego, e os que tiveram como única saída a emigração; estes novos emigrantes, constituem a mais qualificada mão-de-obra de sempre, alguns tiraram as licenciaturas, pós-graduações e doutoramentos, com o dinheiro emprestado pelos países, que agora vão usufruir do conhecimento que as nossas universidades lhes transmitiram; eles vão deixar o país mais pobre; as perspetivas do seu regresso nos próximos 25 anos, são praticamente nulas.

As condições que a troika está a impor a Portugal, não abona um país com 869 anos de história; e coloca Portugal ao nível, de uma república das bananas. Os portugueses não podem subscrever, as condições que nos querem impor, porque condena o país à estagnação, arrastando-nos para um atraso a todos os níveis, em que mais de 80% da população, seria condenada à pobreza extrema; centenas de milhares de portugueses não sobreviveriam, levando-nos à impossibilidade, de nos podermos levantar de novo, e pagar as dívidas.

Quando do resgate da Irlanda, que incidiu na área financeira, os irlandeses não permitiram que fossem os outros, a estabelecerem as regras no seu país. Portugal está a ser destruído a um ritmo acelerado, estamos a chegar ao limite; qualquer partido que de momento, se venha assumir como seu salvador, é pura propaganda eleitoralista; nestas condições, só um governo de salvação nacional, o mais abrangente possível, pode ter algum êxito. Existe neste terrível contexto, uma prioridade absoluta, que é a sobrevivência de Portugal; não obstante algum empenho, que quem governa tenha demonstrado, o que não lhe retira o grau de incompetência, qualquer outro partido ou coligação, que venha a governar nestas mesmas condições, será para continuar com esta política de destruição, porque no quadro partidário, a solução está esgotada, e a convocação de eleições antecipadas, só iria alongar esta agonia, que por consequência levaria, certamente a mais sacrifícios, tornando a recuperação do país, praticamente impossível; é assim que se perde uma Nação.

Os que nunca foram governo, não estão de todo isentos de culpa, ao longo de 38 anos, ajudaram a colocar o país em estado de calamidade contínua, empurrando os portugueses, para uma classe média artificial baseada no endividamento; colocando o sector público, com a maior diferença de salários entre si, de toda a Europa; em consequência da disputa entre as duas centrais sindicais, em que muitas vezes, se dava a uma, o que era recusado à outra; tudo dependia de quem, no momento detinha o poder.

No quadro atual dos partidos, a democracia tem que ser repensada, não se pode condenar uma Nação que é de todos, em nome da sobrevivência de alguns; os principais atores políticos são os mesmos nos últimos 38 anos, eles minaram os seus partidos, para manter os privilégios, e querem transmitir aos jovens políticos, os mesmos vícios que os mantiveram no poder, todos estes anos, como o exemplo dos dois maiores partidos nacionais; os portugueses estão a acordar para esta realidade; já identificaram a causa do seu empobrecimento e atraso dos últimos 30 anos.

Alguns daqueles que hoje se encontram à frente dos destinos do país, para além da competência que lhes falta para o cargo; eles já deram provas suficientes de incapacidade, para retirar Portugal das areias movediças, em que caiu. Os dois maiores partidos, são contestados internamente, pelo que nunca seria viável, um gesto patriótico entre estas duas forças políticas, de se unirem para salvar o pouco que resta de Portugal; para eles o voto está sempre em primeiro lugar.

No quadro das instituições, e sem incorrermos no risco, de uma interrupção na democracia, que dificilmente seria reposta; só um governo de iniciativa Presidencial, poderá evitar o pior.

Portugal pode cair pela segunda vez, numa situação de subserviência de uma centena de anos; como a que, recentemente “2011” foi paga, a última tranche de uma dívida com 119 anos. A troika tem que sair quanto antes, deste país que não é deles.

Portugal terá provavelmente que deixar a zona euro, tanto depressa quanto possível; também seria de esperar, mais patriotismo por parte dos nossos empresários, que deveriam fazer parcerias com países emergentes, como o Brasil, china e Japão e os Palop; a “máquina portuguesa” tem que começar a produzir a 100%. Estaleiros navais e pescas, agricultura e florestas, reabilitação do património, turismo e educação; dar subsídios sim, mas só com prestação de serviços, exigidos a todos os que tiverem condições para o fazer, e em todas as áreas, em especial na saúde e proteção do ambiente; também em tempo de paz, os militares não devem estar aquartelados, existem serviços cívicos a prestar; só todos a trabalhar, podemos levantar Portugal, é uma tarefa gigantesca, que se for levada ao termo, ficará positivamente marcada na história de Portugal, que vive em tempo de paz, o período mais negro da sua existência. As nossas crianças merecem o nosso esforço, e também renascerá o orgulho em sermos portugueses.

* Joaquim Vitorino, Representante e Corresponde do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

Joaquim Vitorino

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