O Ato político, crónica de José Lagiosa

O ATO POLÍTICO

O ato político, o que é? Como se define?

O ato político é, antes de mais, tudo aquilo que direta ou indiretamente, ativa ou passivamente pode interferir com a nossa vida, bem como com a vida coletiva ou individual dos cidadãos.

Votar é, um ato político. Mas abster-se de votar é também um ato político.

A diferença está em que, no primeiro caso exercemos um direito e simultaneamente cumprimos um dever de cidadania. Na segunda hipótese renunciamos ao direito democrático de votar e negligenciamos um dever, que nos retira moralmente o direito futuro de crítica.

Mas o ato político não se fica por aqui.

Quando afirmamos que não temos partido político, só estamos a declarar a nossa condição de apartidários, o que é completamente diferente de ser apolítico. Esta afirmação de não partidarismo é, também ela, um ato político.

Quando compramos diariamente o jornal qualquer que ele seja, estamos a praticar um ato político.

Quando comentamos, seja em casa, no trabalho, no café ou simplesmente em conversa de rua, este ou aquele acontecimento, esta ou aquela realização cultural, este ou aquele trabalho que foi executado pela nossa autarquia, estamos a ter atos políticos.

Quando escrevo estas crónicas, estou a praticar um ato político.

Quando o nosso vizinho opta por adquirir determinada marca de automóvel em detrimento de outra, está a ter um ato político.

Quando as nossas televisões, em vez de programação cuidada e de qualidade, optam por nos fazer entrar pela casa dentro filmes de baixa qualidade, publicidade em quantidades astronómicas ou reality shows de interesse duvidoso, estão manifestamente a ter atos políticos.

Quando os nossos gestores, sejam públicos ou privados, fazem as suas opções estratégicas de gestão, estão a praticar atos políticos.

Quando os nossos juizes, na sua atividade de julgamento imparcial, proferem as respetivas sentenças, estão a ter atos políticos.

Quando um jovem, em vez de escolher a via de um crescimento saudável e equilibrado, opta pela via da experimentação perigosa de estupefacientes, ou por uma vida recheada de perigos e caminhos fora da lei, começa logo aí, a ter um ato político.

Quando os dirigentes desportivos, em vez de opções de gestão nos clubes virada para a prática desportiva, fazem opções com base exclusivamente nos resultados desportivos imediatos, estão a ter atos políticos.Quando todos nós, vamos às grandes superfícies fazer compras, em detrimento do comércio tradicional ou de proximidade, estamos a ter um ato político.

Quando se descrimina, por via da raça, cor, religião ou outra, quem quer que seja, está-se a praticar um ato político.

Quando decidimos assumir um compromisso como casar ou conceber um filho, estamos a ter um ato político.

Quando afirmamos o nosso tradicional pessimismo ou pelo contrário lutamos para inverter este clima de depressão que nos assola continuamente, estamos a ter um ato político.

Enfim isto tudo para vos dizer que quando decidiram começar a ler esta crónica, tiveram também um ato político.

Fiquem bem e continuem a praticar os vossos atos políticos, porque  viver, é já por si, um ato político.

* José Lagiosa, Correspondente e Representante do Jornal de Oleiros em Castelo Branco

José Lagiosa

 

 

 

 

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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