Comendador Gilberto Leal faleceu na África do Sul

 

Sentidos pêsamos

Faleceu o Comendador Gilberto Leal

O funeral do comendador Gilberto Leal realizou-se na tarde de domingo passado dia 10 de março, na Igreja Adventista do Sétimo Dia em Bassónia. Durante a cerimónia religiosa foram feitas intervenções sobre a figura do artista plástico que deixa vasta obra no campo da cerâmica, estatuária e azulejaria na África do Sul, Moçambique e Portugal.

Gilberto Leal nasceu a 28 de Outubro de 1943 em São Jorge (Batalha), Portugal. O seu pai morreu quatro anos depois, deixando a sua mãe com quatro crianças para criar. Concluiu os seus estudos primários em S. Jorge e frequentou o liceu no Colégio dos Irmãos La Salle em Lisboa. Com 17 anos participou na Exposição “Salão dos Novíssimos”, que era na altura a maior exposição de arte em Portugal. Aos 19 anos era chefe dos cenaristas, responsável pela pintura e montagem de cenários para o Teatro Monumental. Tudo isto enquanto estudava Arte na Escola Superior de Belas Artes António Arroios. Aos 21 anos tinha concluído o seu curso.

Cumpriu o serviço militar em Moçambique, após o que trabalhou, em Lourenço Marques, na Sogere, no sector publicitário daquela indústria cervejeira. Em 1974 radicou-se na África do Sul. O seu primeiro trabalho em terras sul-africanas foi para o Civic Theatre. A sua primeira exposição foi no Festival das Artes em Durban, a que se seguiram várias exposições dos seus quadros a óleo, esculturas e murais.

Hoje os seus trabalhos artísticos estão expostos em museus, embaixadas, consulados, associações, teatros, restaurantes, igrejas, hotéis e casas particulares. Para os clubes e instituições de solidariedade social era generoso e costumava dizer “só pagam os materiais”. Alguns dos seus trabalhos públicos estão na Universidade da Wits, em Joanesburgo; no Teatro Nelson Mandela da mesma cidade; nas Câmaras Municipais de Joanesburgo e do Cabo; em Luderitz, na Namíbia; nos jardins Arcadia, na capital sul-africana, monumento a assinalar os 500 anos da chegada do navegador Bartolomeu Dias à África do Sul, oferecido pelo Comendador António Braz à cidade de Pretória; busto de Fernando Pessoa na entrada da União Cultural, Recreativa e Desportiva Portuguesa, em Turffontein; estátua da Rainha Santa Isabel no Lar de Idosos da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Albertskroon, doada pelo benemérito José Gonçalves; no Museu de Pietermaritzburg; na Escola Portuguesa em Maputo; e no Museu de Mossel Bay, onde se encontra a réplica da Caravela de Bartolomeu Dias.

Gilberto Leal foi nos anos 80 membro do Conselho das Comunidades Portuguesas da África do Sul, tendo participado em vários encontros mundiais deste órgão de consulta do Governo português. A sua dedicação à Comunidade Portuguesa vê-se no seu entusiasmo pelas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Gilberto Leal foi um dos membros fundadores do Lusito/Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Deficientes Mentais, e do Núcleo de Arte e Cultura.

Recebeu a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em reconhecimento pela sua contribuição às Artes, depois de ter saído do PSD para se filiar no partido eanista PRD. Foi também vice-presidente da Associação Nacional de Artes Visuais na África do Sul, e recebeu a Medalha de Mérito pela sua contribuição à Arte na África do Sul. O seu último trabalho, que ficou incompleto, é o nicho que estava a pintar à entrada da Igreja de Santo António dos Portugueses em Mayfair, Crown Mines.

Notícia facultada por O Século de Joanesburgo a quem agradecemos. (Contactos: seculo@oseculo.co.za; Telef. +27 11 496 1650. Corner Northern Parkway & Rouillard Street Ormonde Johannesburg 2000. Republic of South Africa.

Citado por Fernando Caldeira da Silva (*)

* (Representante do Jornal de Oleiros)

* Nota do Director: A Direcção do Jornal de Oleiros, lamenta a notícia. Solicitamos ao Professor Doutor Fernando Caldeira da Silva, o favôr e a atenção de fazer chegar as nossas condolências.

para a África Austral)

 

 

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