Administração danosa, por António Moreira

ADMINISTRAÇÃO DANOSA

Quando, no dia 01.01.1986, aderimos à, então C.E.E. (Comunidade Económica Europeia) julgávamos nós, ingénuos cidadãos, que os nossos problemas económicos e financeiros nos iriam deixar em paz, e deles ficaríamos livres e imunes para todo o nosso futuro.

         A partir dessa data começavam a chegar subsídios para todas as actividades económicas, como que a compensar do nosso atraso nestas áreas em relação aos nossos novos parceiros económicos a que nos vínhamos juntar.

         Todos nos convencíamos, ingenuamente, que tais subsídios se destinavam a desenvolver e modernizar a nossa economia, nomeadamente a Agricultura, as Pescas e as Industrias.

         Os ideais de liberdade, fraternidade e desenvolvimento harmónico, solidário e progressivo que, em boa hora, então iluminaram e determinaram os HERÓIS DA EUROPA, KONRAD ADENAUER, JEAN MONET, ROBERT SCHUMAN e ALCIDE DE GASPERI, e, mais tarde, WILLY BRANDT, MITTERRAND, HELMUT KOHL, JAQUES DELORS, entre outros, plasmados no Tratado de Roma de 25.03.1957, são hoje, infelizmente, letra morta.

         De facto a União Europeia tem sido dirigida, nos últimos anos, por Políticos de 3ª. Categoria que, movidos por interesses mesquinhos e egoístas, todos os dias vêm aniquilando e desfazendo aquelas nobres ideais que nos levaram a aderir à sonhada Europa unida, livre, próspera e solidária.

         Os Países do Norte desta Europa, mais ricos e desenvolvidos que os do Sul, continuam  cada vez mais ricos e desenvolvidos, enquanto que  os do Sul, entre os quais o nosso Portugal, vão ficando, cada vez mais pobres e subdesenvolvidos.

         Isto é, o desenvolvimento progressivo e solidário, entre outros objectivos, bem espelhado no artº. 2º do Tratado de Roma, não passa, infelizmente, de uma miragem, ou melhor, de uma grande mentira e uma triste desilusão.

         O que têm feito os nossos Governantes desde 01.01.1986, sem excepção, neste domínio?

         Recebemos milhões e milhões de euros para a nossa actividade económica, a nossa Agricultura, as nossas Pescas e as nossas Indústrias.

         Julgávamos nós que as remessas destes milhões de euros recebidos da C.E.E. serviriam para o tal desenvolvimento económico, solidário e progressivo.

         Mas aconteceu exatamente o contrário.

         Tais remessas de dinheiros públicos foram destinados à destruição quase total da nossa economia, quando não a gastos sumptuários, isto é, à compra de Mercedes, Jeeps e moradias no Algarve para férias, assim como para a construção de estádios de futebol, hoje às moscas, e outros investimentos públicos, desnecessários e supérfluos.

         A nossa agricultura, que então já era atrasada, mais atrasada se encontra, com cerca de 2 milhões de hectares de terras abandonadas, temos hoje mais de 220.000 (duzentos e vinte mil) agricultores a receberem subsídios para manterem as suas terras incultas, desertas e abandonadas,  obrigando-nos a importar cerca de 80% dos bens alimentares de que necessitamos.

         Nas pescas, apesar de termos a maior Zona Económica Exclusiva (Z.E.E.), isto é, um imenso mar, passa-se cenário idêntico, com o abate, a troco de subsídios, de mais de metade das nossas embarcações de pesca, o que nos obriga a importar mais de 60% do pescado de que necessitamos, quando toda a lógica impunha, a “cabeças” medianamente atentas e diligentes, que tais subsídios fossem afectados ao desenvolvimento e optimização da nossa capacidade de captura deste precioso alimento.

         Temos hoje mais de 1.000.000 (um milhão de desempregados) dos quais uma boa parte, os que sentissem atraídos e estimulados para estas actividades, podiam e deviam trabalhar nos campos e nos mares, e em todas as actividades ligadas à agricultura, às pescas e às agro-industrias, de pescas, etc. etc…

         O nosso Povo é extremamente laborioso, dedicado, fraterno e solidário, e dá lições, cá dentro, e por esse mundo fora, destas suas qualidades.

         É assim com os nossos cientistas, com os nossos intelectuais e com os nossos operários, assim como com os nossos artistas e desportistas.

         É assim, também com os nossos soldados e marinheiros e com as nossas forças de segurança,  GNR e PSP, que por esse mundo fora, onde são chamados a intervir, têm honrado e elevado, bem alto, o nome e o prestígio do nosso País, e de toda a Nação Portuguesa.

         Se assim é, porque será então que grande parte os nossos Políticos não se comportam a este nível e se têm distinguido tão negativamente?

         Diz o artigo 235º. do Código Penal que quem infringir intencionalmente as regras económicas de uma gestão racional provocando dano patrimonial importante é punido com pena de prisão até 5 anos…

         É assim, para nós, evidente que os responsáveis por estas políticas que nos conduziram a esta miséria e à pobreza da esmagadora maioria dos nossos concidadãos, cometeram este crime, de administração danosa, na forma continuada, por terem agido, não com dolo directo, mas com dolo eventual, já que, pelas funções de que estavam investidos, não podiam ignorar a péssima situação económica a que nos conduziriam com a sua descrita actuação, e tendo-a previsto, como previram, preferiram agir, aceitando estes miseráveis resultados.

P.S.: António Martins Moreira escreve

        ao abrigo da antiga ortografia.

* António Martins Moreira, Colaborador do Jornal de oleiros, Torres Vedras

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António Moreira

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