Portugal; A grande assimetria social, por Joaquim Vitorino

Portugal está a deslizar para o perigoso caminho da luta de classes; existe um desequilíbrio que se acentua a um ritmo alarmante;  esta atual situação pode ser o embrião, que tanto agora como no passado, está na base de descontentamento, que pode levar um país, a uma grande conflitualidade, com consequências difícies de prever.

O triste e repugnante episódio,  em que despudoradamente um grupo de privilegiados reformados da banca, se queixavam de cortes nas reformas, com exigências desenquadradas do contexto atual, e que mereceu uma crítica violenta de um dos presentes, é revelador do que se está  passar em Portugal. Alguns destes  contestatários às medidas de austeridade, conseguiram reformas milionárias, ao abrigo de leis, cujo engenho é em parte de sua própria autoria, para depois eles e os seus pares usufruirem delas, em detrimento dos degraçados que têm que suportar os desvios de BPN’S & companhia; muitos deles com uma atividade de 10 ou 15 anos, estão reformados há mais de 25 anos, e ainda porque, com a saúde bem tratada, porque têm meios ao seu dispor, o que lhes dá uma perspetiva de vida, que a outros é negada, vão estar mais umas  dezenas de anos a usufruir destas escandalosas reformas; não são poucos os casos acima de 20.000 euros, sendo que no final das suas vidas, o saldo do que receberam, e a contribuição que deram, é várias vezes negativa à segunda.

A este privilegiado “extrato da nossa sociedade” juntam-se algumas elites políticas, com reformas garantidas, depois de curtas passagens em cargos, ou na Assembleia da República, que iam dando rotatividade a outros e assim sucessivamente.

Também nas forças armadas, quando forçados a abandonar o Ultramar, foram colocados na situação de reformados, milhares de oficiais e outros quadros, porque naquela altura eram excedentários, originando que Portugal, é o único país na União Europeia  em que existem, mais altas patentes das forças armadas na situação de reforma, do que no ativo.

Portugal encontra-se num estado de calamidade social, um terço do país, já recorre à solidariedade, que em grande parte é exercida pelos pobres entre si, em cada três crianças, uma apenas tem uma refeição por dia; as instituições estão em grandes dificuldades, para manter esta ajuda, sem a qual muitas delas não vão sobreviver; muitos dos pais estão sem força anímica, para lutar pelo seu futuro, para que estas crianças, mesmo debilitadas pelas dificuldades que enfrentam, tenham um dia alguma força para trabalhar, e continuar a pagar reformas milionárias àqueles, que agora lhe negam a existência.

Estas reformas da banca, não confundir com os bancários; não refletem uma vida de trabalho, algumas foram arrancadas com esperteza e ao abrigo das leis que as favorecem, em detrimento de quem já luta pela sobrevivência, não credibiliza Portugal e coloca-nos, perante a comunidade internacional, numa séria dúvida se conseguimos assumir o cumprimento da dívida que estamos a contrair; e se nesta vergonhosa assimetria na nossa sociedade, entre ricos e pobres, a miséria e a abastança; o país ainda é “digno” de ser ajudado. Creio que sim, pelas nossas crianças, que tiveram a infelicidade de aqui nascer; é a elas, que dedico este meu artigo.

* Joaquim Vitorino, Colaborador do Jornal de Oleiros, região oeste.

Vermelha  –  Cadaval

Joaquim Vitorino

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