Uma lição de civismo, por Joaquim Vitorino

UMA   LIÇÃO   DE   CIVISMO

Os portugueses, rotulados com a mais baixa taxa de instrução de toda a Europa, têm em compensação, a mais elevada educação de todo este continente; a dar consistência a este fenómeno de comportamento social, estão patentiadas as duas últimas grandes manifestações que, não obstante os motivos subjacentes que lhe deram lugar, elas decorreram em clima tenso, mas em control de emoções absoluto. Esta lição  de democracia assumida pelos portugueses,  que têm sido colocados em prova constante, até quando o suportável atinja o seu limite, deixou o mundo espantado com o civismo deste país com 869 anos de sofrimento e incertezas.

O motivo que está na base, destas grandes concentrações, que tiveram lugar, em 40 cidades do país, todos nós sabemos. Só nas duas maiores cidades do país, Porto e Lisboa; manifestaram-se nas ruas ordeiramente, o equivalente à sua população residente; o mundo noticiou o acontecimento, nos mais importantes meios de comunicação do ocidente, a exemplo os canais televisivos, CNN, BBC e SKY NEWS, e consequentemente de toda a União Europeia. Os motivos e causas, estão identificados, este civilizado e humilde povo, não suporta mais, a fatura dos erros cometidos sucessivamente, por todos os que nos últimos anos, têm com despudor utilizado o voto neles confiado, para com comprovada incompetência de alguns, e menos lisura de outros, subvertido a confiança neles depositada; este singular e disciplinado grito de revolta, foi compreendido e comentado em toda a imprensa internacional, como um aviso sério ao governo deste país; todos entenderam o porquê; parece que o executivo é que não.

Eles fixaram-se numa obcessão quase doentia pelo défice, mostrando-se insensíveis, e à margem dos danos colaterais, que este irrudetível comportamento vai causando, nas camadas mais vulneráveis da sociedade portuguesa.

A consistência do voto, que de algum modo legitimaria esta conduta, foi ultrapassada pelo incumprimento do programa com que se apresentaram ao eleitorado; também os compromissos assumidos na aliança, não foram a votos, e ainda pelo cartão vermelho, com que este governo foi presentiado, nestas duas últimas grandes manisfestações.

Quem tem a missão de governar, joga em seu favor, que na atual circunstância, ninguém fará melhor; mas existe aqui uma condição adversa; é que quem os elegeu, já retirou a este governo, o benefício de dúvida, para a entregar a quem vier depois.

Na minha perspetiva, a solução com menos danos para este marterizado país, seria um governo de iniciativa Presidencial, com todos os partidos envolvidos; mas Primeiro Ministro, e todos os ministros, não teriam ligação partidária; a nível de Secretários de Estado e Diretores sim.

Seria um governo de emergência Nacional; o falhanço e alguma incompetência, na aplicação de medidas, que levaram Portugal ao estado de calamidade em que nos encontramos, são mais que suficientes para uma mudança de rumo, que salvaguardaria a democracia, e também colocaria Portugal a salvo, de quem está na sombra, esperando uma oportunidade, para o afundar ainda mais; é que esse filme, já foi visto por todos nós, e sabemos que os atores andam por aí. Mesmo quem tenha defendido, a inevitabilidade de medidas de alguma austeridade, nunca pensou, que elas fossem atingir com esta brutalidade, a  população mais desfavorecida.

Creio que seria uma decisão de coragem, se o  Sr. Primeiro Ministro, colocasse o seu lugar à disposição do Sr. Presidente da República, para que nas condições que acima referi se evitar eleições, que não levariam a uma solução, antes ao agravamento da crise, e levaria Portugal a uma situação semelhante, ao que recentemente aconteceu em Itália. Portugal precisa, de um governo de salvação Nacional.

* Joaquim Vitorino, Colaborador do Jornal de Oleiros

Vermelha – Cadaval

Joaquim Vitorino

 

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