“Axis Mundi”, Turismo, turistas e outras coisas…”, Carlos Fernandes

“Turismo, turistas e outras coisas…..”

A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ver com novos olhos. Marcel Proust .

Na minha opinião, a missão de quem escreve não será só a de informar a opinião pública do que se vai passando em seu redor, mas também de opinar ou transmitir conhecimentos adquiridos através da sua própria vivência, sobretudo aqueles que de algum modo possam esclarecer ou mesmo facilitar uma outra visão das coisas que por vezes passam despercebidas á maioria das pessoas.

Todos sabemos que o turismo tem uma importância verdadeiramente estratégica para a economia nacional pela sua capacidade de criar riqueza e emprego. Trata-se de um sector em que temos vantagens competitivas claríssimas , como sucede em poucos outros.

O turismo é um dos principais sectores da economia portuguesa, tendo o seu peso na economia vindo a crescer nos últimos anos, contribui com cerca de 11% do PIB (produto interno bruto).

No entanto Portugal perdeu quota de mercado a nível internacional , e está demasiado dependente não só de quatro mercados emissores como também do desempenho de três regiões (Algarve , Lisboa e Madeira), sendo ainda condicionado por uma elevada sazonalidade e limitações nas ligações aéreas .

Existe capacidade instalada de excelente qualidade quer em termos de infra-estruturas quer de recursos humanos.  Estão a surgir novos destinos de grande qualidade onde a inovação e criatividade se afirmam dia a dia, por exemplo o litoral Alentejano, a zona Oeste , Porto Santo e o fantástico Douro , fruto da iniciativa empresarial e da agilização de processos por parte da tutela .

Já muito foi feito, desde o desbloqueamento de processos que se encontravam parados há anos , como a ligação a rede Inftur ás melhores escolas e universidades estrangeiras para elevar o nível do ensino, foi criado o Turismo de Portugal .

Mas ainda há muito para fazer. Desde segmentar melhor as propostas de valor a aumentar a oferta de qualidade. Melhorar as acessibilidades, segurança,  mais e melhores investimentos, promover as iniciativas privadas.  Criar uma imagem mais forte junto dos clientes exigentes . Facilitar o licenciamento baseado em critérios de qualidade e desempenho , apostar fortemente na qualidade dos recursos humanos e reduzir a burocracia, que a adhocracia se implante.

A visão para o Turismo de Portugal terá que ser uma visão estratégica assente em três pilares , Portugal deverá ser um dos destinos de maior crescimento da Europa, através do desenvolvimento baseado na qualificação e competitividade da oferta. A proposta de valor de Portugal deverá apostar nos factores que mais nos diferenciam de outros destinos concorrentes , clima e luz, história , cultura e tradição, hospitalidade e diversidade concertada, e em elementos que qualificam Portugal ; Autenticidade moderna , segurança e qualidade competitiva.

No que ao turista se refere, o seu novo perfil baseado na sua maior exigência conhecimento e menor disponibilidade financeira, onde nestes tempos o turista deixou de querer consumir, mas sim fruir ser o actor principal, num tempo em que as shorts trips se afirmam, cabe a todos essa observação intensa para cada vez mais a oferta ir ao encontro da procura.

Hoje o turista além, da hospitalidade, paisagem procura vivencias , animação, autenticidade , segurança e acrescentar conhecimento ás suas experiências, no fundo momentos únicos e marcantes é esta magia que todos teremos que fazer acontecer.

Outras coisas …

Analisando com algum cuidado, sem ter acesso a qualquer conta satélite ou dados estatísticos, na nossa região constato a proliferação como cogumelos de alojamentos de turismo rural, sem estratégia , sem planeamento, sinceramente ás vezes o meu cérebro não aguenta, a maioria abre no Verão ou ao fim de semana, será isto desenvolvimento sustentável ou outra coisa….

A maioria restaurou casas rusticas com dinheiro de todos, sem oferecer postos de trabalho a maioria faz destes espaços verdadeiras casas de veraneio e fim de semana para os amigos será isto correcto? Ou outra coisa …..

Não contentes com estes desempenhos, investe-se em unidades hoteleiras com dinheiro de todos sem qualquer visão estratégica, para tapar o sol com a peneira fazem-se umas rotas uns festivais gastronómicos umas feiritas, uns batizados e casamentos, será isto turismo ou outra coisa….

Sem uma visão global baseada em sinergias de todos os agentes turísticos da região, sem o devido acompanhamento de quem sabe de turismo e não ande a fazer turismo, não será fácil, urge apostar em parques temáticos , museus , na realização de um ou dois mega eventos que por si só sejam diferenciadores dos nossos concorrentes, urge a certificação de festas e romarias, de produtos regionais , apostar na promoção e divulgação daquilo que nos distingue, é essencial construir a marca Pinhal.

Com tudo isto, com todos , com o trabalho e a palavra de todos, se afirme a o poder da palavra, em vez da palavra do poder .

Por ora, apetece-me apenas dizer; desventurados os ignorantes que por falta de motivação superior, não se apercebem do bom e do belo, que nunca chegarão a usufruir, simplesmente por desconhecimento da sua existência !

Contudo nos tempos que correm , só é ignorante quem quer , digo eu !!

BEM HAJAM

* Carlos Fernandes, Director – Adjunto do Jornal de Oleiros

Turismo

 

 

 

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a “Axis Mundi”, Turismo, turistas e outras coisas…”, Carlos Fernandes

  1. Helena Cunha diz:

    Apesar de o artigo começar de forma brilhante, acaba por atacar pequenos interesses. Por que e para que ?

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