O ECO DO SILÊNCIO, por António Graça

O autor ignora o Novo Acordo (?) Ortográfico

Águas de Março

O movimento “ Que se lixe a Troika”, convocou os portugueses para uma manifestação de carácter nacional a realizar no próximo sábado, dia 2 de Março

Trata-se de um direito constitucionalmente concedido a todos os cidadãos, que não podemos deixar de aplaudir e apoiar. Penso, contudo que, mesmo, ou, sobretudo, para exercerem livremente os seus direitos fundamentais de cidadania, os portugueses não se podem deixar arrastar para situações de violência, normalmente provocadas por cobardes de cara escondida, que, nomeadamente,  provocam as forças de polícia que enquadram as manifestações, e são os primeiros a fugir quando estas reagem.

Este tipo de actuação não só provoca danos colaterais em bens e pessoas que são alheios aos actos contra os quais se protesta, como serve às forças no poder para dar ao protesto um carácter de arruaça e, uma vez mais ignorar o descontentamento de um país.

O recurso a extremismos em nada serve a causa pela qual se manifestam. Penso mesmo que, por exemplo, uma manifestação silenciosa de centenas de milhares, entoando a espaços canções de protesto, como o Grândola ou Os Vampiros, poderia ter um impacto forte.

O facto de alguns sectores políticos e sindicais, estes comandados por partidos, se quererem colar à manifestação, poderá retirar-lhe o carácter de movimento de cidadania, que caracterizou a manifestação de Setembro, o que é de lamentar.

Esta manifestação não terá, obviamente, como efeito, a queda do governo, facto que, no momento actual seria problemático, dada a inexistência de alternativa minimamente credível. No mínimo, já seria útil se acordasse o “reformado” presidente da República, para que este, face ao evidente descontentamento popular, desse um murro na mesa e fizesse ver a Passos & Cia a enorme dimensão do erro que estão a cometer. Sinceramente, não acredito que Cavaco Silva mexa uma palha.

Em tempo de troika veio o ministro Gaspar, assumir “pequenos” desvios nas suas previsões orçamentais. São pequenos desvios que, em alguns indicadores chegam perto dos 100%. Que credibilidade tem este ministro para continuar com a sua teimosa política orçamental?

Passos Coelho, do alto da sua arrogante ignorância, continua a afirmar que o país está no bom caminho, o Relvas, como se viu no ISCTE, tem tanto jeito para cantar como para ser governante, e o país lá vai, embalado nas novelas, no futebol e nas vidas das autodenominadas figuras públicas, que fazem as capas das revistas ditas cor-de-rosa.

* António Graça, Engº, é Colunista especializado do Jornal de Oleiros.

António Graça

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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2 Respostas a O ECO DO SILÊNCIO, por António Graça

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Em absoluto de acordo com António Graça; manifestações à revelia dos partidos, não servem os partidos, nem a democracia; muito menos esta, que está assente em corda bamba. Qualquer atitude de violência, só serve os chacais ocultos na sombra, que esperam a sua vez. O povo é sereno, não pode dar o pretexto a quem quer que seja, de se aproveitarem da sua \desgraça\, não será esse o caminho, para milhões de portugueses matarem a fome, que já ninguém consegue esconder. A polícia deve atuar com firmeza; apenas sobre os prevaricadores, e dentro da proporcionalidade.

  2. O artigo do Eng. António Graça é de grande oportunidade. Na verdade, dia 2 de março encerra várias perigosidades. A primeira e mais importante é que deixou de ser uma manifestação popular autónoma (como o 15 de Setembro) e passou a ser controlada de perto pelo BE e pelo BCP via CGTP e, desta forma, não serve objectivos perseguidos pelo povo português justamente. Esperamos que o actual poder que merece ser criticado e remodelado, não aproveite esta oferta que não era necessária.

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