Despertar dos Gigantes, por Joaquim Vitorino

Eles acordaram, e estão a fazer tremer o mundo; em menos de duas décadas, conseguiram a uma velocidade estonteante, colocarem-se na frente da produção industrial e não só; ombreando com  empresas, tradicionalmente ocidentais, em áreas ainda há pouco tempo, consideradas impenetráveis, como o comércio e as financeiras, eles dominam 100 das 120 maiores empresas mundiais, e controlam 50% do PIB global; eles são, os países emergentes.

As suas empresas estão, geograficamente colocadas, em todo o planeta; onde a seguir ao segundo conflito mundial, beneficiaram de uma política de globalização, lançada pelo ocidente, quando a procura de mão de obra barata, ditou a deslocalização do melhor que tínhamos, em tecnologia de ponta, para os países asiáticos, e inicialmente também, para o sul da Europa.

Os EUA e a União Europeia, nunca terão condições para concorrer com estes “monstros” da produção, dentro do contexto económico em que estamos neste momento inseridos; estes gigantes da produção, nunca vão ceder, em favor das suas congéneres ocidentais; para além de um elevado consumo interno, têm o suporte dos Estados; e nos seus quadros empresariais, estão muitos dos membros de topo dos partidos, como no caso da China, que não tem qualquer problema para as alimentar, pois tem os cofres do país, a “abarrotar” de divisas, acumuladas ao longo de anos, fruto de uma severa restrição imposta ao consumo; os ocidentais fizeram exatamente o contrário, consumiam em grande escala, porque os outros produziam barato; agora temos aí o reverso da medalha; para competirmos com eles, teríamos que reduzir drasticamente o nosso nível de vida; e para impor a esses países os nossos produtos, era preciso que a nossa produção, fosse mais barata que a deles; e era preciso nós aceitarmos o padrão de vida, que eles tinham há 15 anos atrás; isso é de todo impossível.

Na Índia, onde se produz mais de 50% da tecnologia de ponta, é feita uma seleção rigorosa nas suas universidades; onde os “cérebros” mais brilhantes, são enviados para os EUA, e regressam já formados à Índia, para dirigirem as grandes empresas do seu país.

Não tenho espaço para detalhadamente, mencionar todas as gigantes, que as concorrentes ocidentais, têm que enfrentar; mas vou dar alguns exemplos: a China detém 30% do boom do crescimento; vou referir algumas das grandes empresas, deste campeão Mundial da produção: Geely International, Johnson Eletronic, Wanxiang Group, Aviation Industry Corporation, China National Offshore Oil Corp, Goldwind, Petrochina, Shanghai Eletric Group, Sinopec e Trina Solar. India 20%: Bajaj Auto, Mahindra & Mahindra, Motherson Sumi Systems, Tata Motors, Reliance Industries, Sun Pharmaceutical Industries, Dr. Reddy’s Lupin Pharmaceuticals. Brasil: a Marcopolo está entre os três maiores construtores de autocarros do mundo, Iochpe-Maxion, WEG, Embraer, Petrobras, Votarantim Group. Ainda na linha dos emergentes, a Rússia: Gazprom Lukoil. Malásia: Air Ásia e Petronas. África do Sul: Aspen Pharmacare. México: Alfa. Argentina: Tenaris. Chile: Latam Group. Turquia: Koc Holding e Turkish Airlines. Egypto: El Sewedy Eletric. Qatar, Tailândia, Emirados Unidos, Colômbia, Arábia Saudita e Indonésia, pertencem ao grupo dos que saltaram, para o palco do crescimento; eles serão os novos ricos do planeta; em menos de duas décadas, nós ocidentais, que fomos os seus mentores do desenvolvimento, colocando todo o conhecimento e tecnologia ao seu dispor; estamos numa situação muito difícil de ultrapassar, em ambos os lados do Atlântico; em que surpreendentemente, o empobrecimento bateu-nos à porta, e veio para ficar; primeiro atingiu fortemente os países do sul da Europa; mas vai estender-se aos do norte, onde os efeitos vão ser, simplesmente devastadores.

Eles os emergentes, ainda sentem alguma apetência e nostalgia, por alguns dos nossos tradicionais bens de qualidade, mas o orgulho que sentem pelos seus países, irá ditar as suas preferências, no seu próprio produto; para eles chegou o momento, de nos apresentarem, a pesada fatura do colonialismo.

Agora somos confrontados com este paradigma; num curto espaço de tempo, Americanos e Europeus, passaram de ricos a pobres; e de globalizadores a globalizados.

* Joaquim Vitorino, Colaborador do Jornal de Oleiros, Zona Oeste de Portugal (Vermelha- Cadaval)

Joaquim Vitorino

 

 

 

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