O ECO DO SILÊNCIO (II), por António Graça

O ECO DO SILÊNCIO, por António Graça

Por Eng.º António Graça

Abaixo o Acordo (?)Ortográfico

GRÂNDOLA VILA MORENA

A balada “Grândola, Vila Morena”, escrita por José Afonso, em homenagem à sociedade Fraternidade Operária Grandolense em 1971, tem sido utilizada por grupos de protestantes que se manifestam em locais nos quais marcam presença membros do actual governo.

Damos o nosso completo apoio a esses grupos, entendemos mesmo que, usando o direito de manifestação que lhes é concedido pela Constituição, os portugueses devem transmitir a quem era suposto governar o país o seu descontentamento e fazê-los sentir desconfortáveis, onde quer que um deles apareça.

Parece-nos contudo que, na vasta e bela obra de José Afonso há uma balada que melhor se adapta à situação que os portugueses vivem actualmente, é a balada Os vampiros”, cuja letra, com a devida vénia, passo a transcrever:

………..

 

No céu cinzento

Sob o astro mudo

Batendo as asas

Pela noite calada

Vem em bandos

Com pés veludo

Chupar o sangue

Fresco da manada

Se alguém se engana

Com seu ar sisudo

E lhes franqueia

As portas à chegada

Eles comem tudo

Eles comem tudo

Eles comem tudo

E não deixam nada

A toda a parte

Chegam os vampiros

Poisam nos prédios

Poisam nas calçadas

Trazem no ventre

Despojos antigos

Mas nada os prende

Às vidas acabadas

São os mordomos

Do universo todo

Senhores à força

Mandadores sem lei

Enchem as tulhas

Bebem vinho novo

Dançam a ronda

No pinhal do rei

Eles comem tudo

Eles comem tudo

Eles comem tudo

E não deixam nada No chão do medo

Tombam os vencidos

Ouvem-se os gritos

Na noite abafada

Jazem nos fossos

Vítimas dum credo

E não se esgota

O sangue da manada

Se alguém se engana

Com seu ar sisudo

E lhes franqueia

As portas à chegada

Eles comem tudo

Eles comem tudo

Eles comem tudo

E não deixam nada

Eles comem tudo

Eles comem tudo

Eles comem tudo

E não deixam nada

…………

Penso que será mais interessante entoar esta balada, até porque o xotor Relvas não deve saber a letra.

* António Graça, Colunista Especializado do Jornal de Oleiros

António Graça

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Castelo Branco, Comunidades, Desemprego, Destaques, Economia. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *