PORTUGAL, “à beira do abismo”, por Joaquim Vitorino

Os portugueses sentem-se desmotivados, mais pobres, e também enganados; existe uma rutura cada vez mais acentuada entre os políticos, e os cidadãos que lhes deram o suporte, e a legitimidade para governar; algumas franjas da sociedade portuguesa, mesmo as mais conservadoras, vem alertando, para o perigo em que, algumas políticas levadas a cabo, estão a colocar a sobrevivência de centenas de milhares de portugueses; na minha perspetiva, o próprio sistema democrático, e no seu amplo contexto o próprio  país.

As políticas  desenvolvidas na base do memorando de entendimento, já indiciaram não ser este o caminho certo, para retirar Portugal do fosso em que caíu, porque a recuperação económica, necessita de políticas concretas de investimento, que consequentemente levem à criação de postos de trabalho, para o país entrar na  rotatividade económica, e se produza riqueza, para podermos assumir mais dívidas de curto prazo, e não aquelas que são para as gerações futuras pagar; porque para além de uma injustiça, é insensato que alguém venha tirar benefícios, quaisquer que sejam os argumentos, tendo sempre em conta, que são os outros que os vão pagar. Com os partidos políticos da área da governação, a dar uma triste imagem para o exterior, de total desorientação e também  lutas internas pela liderança, não deixando aos portugueses uma frágil esperança, que tanto a oposição, como quem governa, tenha capacidade de salvar o país.

Os portugueses entraram no esquema do empobrecimento, que é a formação de  técnicos altamente especializados, à custa das dívidas que  contraímos, para  depois os enviarmos para trabalhar nos países ricos, alguns nossos parceiros do norte; com custo zero na sua formação, eles vão enriquecer ainda mais; sendo o nosso fosso entre nós e eles, cada vez maior; o efeito que terá na nossa recuperação é demolidor; dando origem a que o país fique cada vez mais débil e subserviente; isto é o começo do fim, da independência de um país. Portugal não tem condições para competir na agricultura e nas pescas, com qualquer país, o nosso terreno agricola, está multifracionado,  não tendo condições para produzir com competitividade; nas pescas estamos condicionados na captura, a frota foi abatida quando da nossa entrada na comunidade; não temos dinheiro para a renovar; na agricultura a nível de maquinaria, acontece o mesmo, estamos atrasados 30 anos.

Resta a Portugal uma única saída, que não será com os atuais governantes, ou com aqueles que estiveram na origem da causa, que levou ao pedido de resgaste, deixando a terceiros os destinos do nosso país, que tantos sacrifícios custaram aos nossos antepassados;  para além de vexatório e falta de patriotismo, é também uma afronta às suas memórias. Começámos a “exportar” uma emigração de luxo; é mais que evidente, que não é a deixar partir os nossos melhores, que vamos recuperar; a sua saída está a empobrecer ainda mais Portugal, muitos deles, se lhes forem dadas condições para ficar, iriam integrar os quadros das nossas empresas, transmitir o seu saber nas nossas universidades, criar uma elite do conhecimento, lançar Portugal na alta tecnologia, virada para a exportação, concorrer com o melhor que existe no mercado, criar marcas e padrões inimitáveis, impormos o respeito pela nossa criatividade; seria uma nova aventura oceânica, sem tempo a perder. A aposta no turismo, terá que se estender a todo o país; irá dar trabalho a centenas de milhares de pessoas, e será uma fonte de divisas, de que o país tanto carece.

Portugal não pode fechar as fronteiras a quem quer saír, mas pode dar-lhes condições para não partirem; iniciando quanto antes, em estreita colaboração com as nossas universidades, que são das melhores, com reconhecida qualidade; é esse o principal motivo da sua saída, e a imediata absorção no mercado do trabalho, para onde quer que seja o seu destino; eles também são um orgulho para o nosso país; mas se partirem, não nos vão  ajudar a combater a crise em que nos estamos a afundar, tendo como agravante, que foram formados, pelo dinheiro dos contribuintes; muitos milhares destes, que pagaram a sua formação, estão agora numa situação de desemprego, caminham diáriamente, para os centros de caridade, a pedir comida.

Portugal já tem uma dívida colossal, não sou a favor, que se peça o perdão da mesma; a geração que contraiu o empréstimo, tem o dever de o pagar, e não deixar para as gerações seguintes; contudo, os credores que me desculpem; mas não existe nenhuma dívida, que tenha alguma prioridade, face à sobrevivência de uma Nação.

* Joaquim Vitorino – Vermelha

Colaborador e Correspondente do Jornal de Oleiros – Zona Oeste

 

 

Joaquim Vitorino

 

 

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