Portugal, do vasto império ao Protetorado, por Joaquim Vitorino

Entalados entre a grande Espanha e o Atlântico; os portugueses da época quinhentista, sabiam que tinhamos, que sair do retângulo quanto antes; fizemo-lo antes dos Espanhóis, e muito antes dos Ingleses. Fomos inicialmente bem sucedidos; durante algum tempo andamos por aí, sem ser incomodados; mas a notícia espalhou-se  depressa e a concorrência lançou-se na nossa peugada; franceses, holandeses, belgas e ingleses, seguiram-nos no caminho de áfrica; todos queriam ali ter o seu “Imperiozinho”; Portugal e a Espanha, teriam que manter em segredo rigoroso, a descoberta da América do Sul, assinaram tratados nesse sentido; mas Portugal que já estava em África, e sendo um país pequeno, e com pouca população, iria enfrentar efeitos devastadores, com a ocupação desses novos territórios que  iam descobrindo. Efetivamente, ao retirar milhares de homens, alguns ainda na adolescência, para irem ocupar essas terras longínquas, alguns  sabiam que não mais iriam voltar; muitos eram crianças, arrancadas ao seio das famílias. Os dramas então vividos são inimagináveis; 80 por cento dos que partiram, nunca mais, abraçaram os seus queridos. A falta de homens jovens  levaram a casamentos de raparigas  com homens de muito mais idade, que iriam deixar os filhos orfãos pouco tempo depois; o equilíbrio demográfico, nunca foi reposto ao longo de 550 anos. Portugal nunca teve uma política de crescimento demográfico, para colmatar a deslocação constante, de milhares de jovens, para mantermos os territórios ultramarinos. O sofrimento de todos aqueles que sairam daqui, em particular  adolescentes, para servir nos navios, sem alguém que os protegesse da violência física sobre eles exercida, não sabiam ler nem escrever, nunca mais contactaram as suas famílias. O que mais me entristece, é saber que o legado que o seu sofrimento nos deixou, e que é Portugal, está longe de honrar as suas memórias, eu vergo-me perante eles. Não obstante  os meios tecnológicos ao nosso dispor, e a diferença abismal no acesso à informação, os feitos dos nossos antepassados, devem-nos encher de vergonha, aponto só um exemplo; fez recentemente 257 anos, que Lisboa foi destruida por um terramoto; a sua reconstrução, com qualidade  beleza e rapidez, com que foi feita, deixou a europa pasmada; a visão de quem planeou, e arquitetou Lisboa, é um exemplo para todos nós; para mim é mais bela cidade do mundo. É triste e frustrante que ao fim de 869 anos, Portugal que enfrentou desafios de toda a espécie, em que centenas de milhares, entregaram generosamente o seu empenho e vidas, para deixar este belo país aos seus descendentes, que somos nós; e que durante centenas de anos, entendeu como missão, proteger outros povos; a exemplo Cabinda, Macau e Timor, não foi preciso muito tempo, para  aquele que, chegou a ser um vasto Império, passasse de protetor a protetorado. Certamente que a História vai julgar, a última geração 1975 a 2000, e esta ainda mais recente a partir de 2000 e que já leva 13 anos, como a pior de sempre. O endividamento, em que estamos a colocar as próximas 6 gerações ( 150 anos ), não lhes vai dar muito orgulho, em serem nossos descendentes; muitas das placas, que ostentam nas nossas ruas, os nomes dos responsáveis por esta tragédia, irão com toda a certeza, serem por eles, atiradas para o lixo. Muitos portugueses, estão a abandonar o país, esta nova emigração estudou nas melhores universidades, eles vão enriquecer ainda mais, os países  do norte, porque aqui não têm condições para ficar; Portugal fica  mais pobre, pois estes que estão a partir, constituiriam uma grande mais valia, para  ajudar o país a recuperar. Portugal vive o pior momento da sua existência, porquanto este deveria ser o melhor; mais de metade da população, terá que viver neste crepúsculo, de pobreza e subdesenvolvimento,  até ao resto das suas vidas.

Joaquim Vitorino –  Vermelha  –  Oeste.

* Correspondente do Jornal de Oleiros.

Joaquim Vitorino

 

 

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Comunidades, Destaques, Economia, História. ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *