Paulo Campos em exclusivo ao Jornal de Oleiros

Paulo Campos

Paulo Campos ao Jornal de Oleiros

Jornal de Oleiros: Como sabe Oleiros é um concelho da zona do Pinhal interior,de há 20 anos a esta parte muito se transformou, hoje temos infraestruturas e recursos humanos de excelência , todavia deparamo-nos com  problemas de sempre , como seja o despovoamento, isolamento, e devotados ao ostracismo, em sua opinião quais as variáveis mais relevantes para o sucedido?

Paulo Campos: A estratégia que desenvolvemos durante 6 anos visava justamente contrariar esse problema estrutural. Fizemos um grande esforço para promover a igualdade de oportunidades, para dar aos territórios e populações do interior as mesmas condições que o litoral já dispunha. É uma acto de justiça, pois durante muitos anos as populações do interior contribuíram com os seus impostos para os fortes investimentos no litoral. Aquilo que se fez no interior, na modernização das escolas, na promoção de barragens e parques eólicos, nas acessibilidades e nas tecnologias de informação, com a generalização do uso de computadores, nas escolas e famílias e com a rede de banda larga foi um grande passo para que o interior ganhe competitividade. Recordo, por exemplo o justo investimento com a estrada 238 Oleiros-Sertã, ou com a 351 Isna de Oleiros-Ic8, ou as obras da PPP Pinhal Interior, que incluíam a beneficiação da ligação a Pampilhosa, da ligação Sertã a Ferreira ou ainda as obras do IC8. Infelizmente a crise internacional e a ganância da actual maioria em chegar ao poder, recusando o PEC IV para promover as dezenas de PEC’s que apresentam permanentemente ao país, vieram deitar por terra esse grande esforço. Hoje não é o interior que está a ser despovoado e que sofre o isolamento, é todo o país!


JO- As PPP têm estado no centro da polémica nacional nos últimos tempos e o Dr Paulo Campos tem sido o alvo de todas as atenções. O que correu mal? O que teria feito de forma diferente?

PC: Tenho muita honra e orgulho nos projectos que lançámos e concretizamos nos dois governos a que pertenci. Todos esses projectos foram realizados com concursos públicos, vencidos pela proposta com mais baixo preço, ao contrário das PPP promovidas pelo actual governo, como no caso dos aeroportos, que foram feitos através de “negociações particulares” e não por concurso público. Essas PPP foram investimento e estradas para desenvolver o interior, assegurar coesão territorial, combater a sinistralidade e promover a igualdade de oportunidades. São obras, são estradas que existem, que servem as populações e as empresas. Não houve derrapagens, nem atrasos na construção, enquanto fomos governo… Apenas me compete transmitir a verdade factual para que cada português possa fazer a sua avaliação. O que é hoje claro é que as PPP rodoviárias foram utilizadas pela governação como o alibi para o seu falhanço. Mentiram, deturparam e omitiram a informação correcta sobre a matéria e fizeram com que muitos cidadãos, por não terem tido a informação correcta, sejam críticos dos projectos. A minha missão é fornecer os dados oficiais, para que todos possam tirar as suas ilações. Disseram que todas as PPP, feitas por todos os governos desde Cavaco Silva, eram 150, quando são 36. Em todos os sectores! Propalaram que os encargos são 2.5 Mil Milhões/ano, durante os próximos 25 anos, há declarações do Dr. Passos a dizer isso, quando os encargos médios são entre 300 a 400 Milhões/ano, nos próximos 30! No sector rodoviário, o mais atacado, falou-se em rentabilidade dos privados na ordem dos 20%, quando são de 6 a 10%. As PPP rodoviárias são 22 no total e apenas 8 foram feitas no último governo, representando apenas 17% do total das auto-estradas feitas em Portugal. Sim, 83% das célebres auto-estradas foram feitas nas governações anteriores. E mais! Os encargos com as Parcerias Público-Privadas são hoje inferiores aos encargos que tinhamos herdado em 2005. Sim, tendo desenvolvido 8 novas concessões, conseguimos diminuir a contribuição pública por via das alterações ao modelo rodoviário que realizamos. Por incrível que lhe possa parecer a EP. Estradas de Portugal, foi a empresa pública portuguesa que mais lucro deu ao estado em 2011!


JO: Com o encerramento de escolas , centros de saúde, juntas de freguesias, CTT , finanças e tribunais,que fazer ?

PC: Esse é o resultado de uma governação que, até hoje, não falou uma única vez do interior. Não tem uma política, uma ideia, para atenuar o abandono a que estamos sujeitos. A austeridade, a recessão, o corte absurdo, o aumento de impostos, o desemprego e o decréscimo abrupto do crescimento, acarretam essa realidade. O mais surpreendente é que não existe coordenação no Governo e as consequências são óbvias. Cada Ministro decide cortar onde é mais fácil. Onde há menos votos. Por isso, em simultâneo, todos cortam no interior, são as obras nas escolas do interior que param, são os tribunais do interior que encerram, são as juntas do interior que se extinguem, são os centros de saúde do interior que perdem valências e encerram, são os postos de correios do interior que fecham… É o estado a abandonar o interior, a abandonar coesão territorial e a igualdade de oportunidades. Oleiros e o Distrito de Castelo Branco não precisam de ver encerrados os serviços. Precisam, isso sim, de atrair empresas, precisam de atrair pessoas, vida, desenvolvimento e esperança.


JO -Qual a sua opinião do desempenho deste executivo,quais as alternativas? Trata-se na verdade de um desgoverno.

PC: Temos mais recessão, mais pobreza, mais desemprego, mais dívida, menos investimento, menos consumo, menos crescimento das exportações e mais deficit do que o previsto no Orçamento de Estado. Não temos um único indicador positivo. Temos mais impostos, mais falências, menos criação de empresas e menos rendimento disponível nas famílias. Os sacrifícios que foram pedidos e entregues pelos portugueses estão a ser desbaratados.

JO: Afinal quem mentiu, durante a última campanha eleitoral? Quem estava a mentir no célebre debate na televisão, em que o Dr. Passos jurava a pés juntos que não aumentava impostos, que não poria em causa as funções essenciais do estado? Foi José Sócrates, ou o Dr. Passos que mentiu?

PC: Penso que hoje ninguém tem dúvidas! Prometeram que resolviam o problema cortando nas famosas “gorduras do estado”, nas rendas excessivas e nas fundações. O que fizeram? Aumentaram impostos, cortaram os subsídios de férias, abandonaram o interior e cortaram nas funções sociais. As “gorduras” mantêm-se, as rendas nem tocaram e extinguiram 4 fundações! É o descrédito total desta forma de fazer política.
JO: -Neste tempo de depressão,  descrédito, onde a confiança na  classe política anda pelas ruas da amargura, que mensagem gostaria de deixar ?

 

PC: Esta maioria chegou ao poder através da desinformação, do ataque pessoal e difamatório. É pois natural que sejam vítimas dessa própria forma de fazer política.  É preciso voltar a estabelecer uma relação de confiança com as pessoas. É preciso dignificar o discurso e a intervenção política! É preciso cumprir o que se promete e não prometer o que não se pode cumprir. É preciso é que os melhores, os mais bem preparados técnica e politicamente, voltem a ter a responsabilidade de conduzir o país para a saída desta situação. E que sejam executadas as políticas necessárias, a favor dos cidadãos e não as que beneficiam a banca e os especuladores. Portugal deve exigir as mesmas condições que estão a ser dadas a outros países. A Espanha resolveu o problema com a sua banca privada com muito menos juros que os que estão a ser exigidos ao estado português. Repare: se Portugal tivesse o mesmo juro que Espanha, imediatamente recuperávamos os famosos 4 Mil Milhões que a governação pretende cobrar ao povo. Faz-nos pensar, não faz?

Nota: Paulo Campos, ex- Secretário de Estado foi entrevistado pelo Director-Adjunto do nosso Jornal .

Agradecemos a oportunidade e frontalidade esclarecida das respostas.

Director


Paulo Campos

 

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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4 Respostas a Paulo Campos em exclusivo ao Jornal de Oleiros

  1. Joaquim Vitorino diz:

    O Dr. Paulo Campos; é um homem inteligente, com dom de palavra e de reconhecida capacidade de diálago; lamento ter que lhe dizer, que na área em que incidiu a sua governação, algo não correu muito bem, também não será de todo culpa sua, sem questionar evidentemente a sua honestidade. O Dr. Paulo Campos, sabe que a recusa do pec IV pelo PSD, foi antecedida de uma meta colocada pelo ministro Teixeira dos Santos, de 7% dos juros da dívida, que como consequência, ditaram o pedido de resgate. O Dr. Paulo Campos, quer dizer que os mais preparados, técnica e politicamente para tirar o país desta situação, são os mesmos que em parte, nos colocaram nela?, por muita vontade que tenham, não posso estar mais em desacordo; o país não pode ser transformado num laboratório de experiência política, não podemos correr esse risco; o próximo governo, deveria ser de iniciativa Presidencial, no contexto atual, seria o melhor para o país e para os partidos políticos, só assim conseguiremos minimizar os danos, que nos últimos anos, têm causado ao país.

  2. Gabriela diz:

    Joaquim Vitorino, deixe-me dizer as saudades que tenho de governantes que nos apoiaram para desenvolver a nossa terra. O Dr. Paulo Campos, a quem o senhor reconhece capacidades, foi um desses homens. Hoje anda a ser acusado por essencialmente ter feito os investimentos aqui na nossa terra e noutras semelhantes. As gentes de Lisboa e Porto não lhe perdoam por o governo dele ter, ao contrário dos anteriores, desviado o investimento para nós.
    Agora é o que sabemos, pararam os investimentos e querem tirar-nos o pouco que temos. O meu filho mais velho já teve que emigrar.
    Assim não dá e a responsabilidade de termos chegado aqui é de quem colocou Portugal com uma crise política em cima da crise financeira internacional. O Dr. Paulo Campos tem razão quando diz que se o PEC IV não tivesse sido chumbado não teria sido preciso a vinda da troika. Os juros só subiram para valores incomportáveis após se ter iniciado a crise política em Portugal. A crise que temos é uma crise internacional e neste momento europeia. A solução tem também que ser europeia. Sou mãe de 5 filhos e todos os dias trabalho para que a família esteja em harmonia. O que eu gostaria de ver no nosso país era harmonia para lutarmos contra essa crise europeia em vez de andarmos a perder energia nas lutas entre nós.
    Parabéns ao Jornal de Oleiros

  3. Joaquim Vitorino diz:

    Minha Cara Gabriela; lamento só hoje 2 de fevereiro, ter reparado na sua resposta ao Dr. Paulo campos, e ao meu comentário; a Senhora representa o que de mais valor, o país ainda tem. Certamente que criar 5 filhos, não é tarefa fácil, muitas vezes sem qualquer apoio, tenho esperança que esta situação de crise, que também é de valores e de solidariedade, tem que ser invertida quanto antes, Portugal não pode, e não merece viver neste pesadelo. Nós somos um povo bom, generoso e pacífico, e por isso que, cada governo que entra, a carga que nos coloca em cima, é cada vez mais pesada. Isto tem que acabar quanto antes, para que o seu filho e muitos outros poderem regressar, pois este país também é o deles. Muitas felicidades para si e toda a sua família. PS: O Dr. Paulo Campos, terá certamente oportunidade, de dar o seu melhor ao país, porque é um homem inteligente, com muita capacidade, e ainda jovem.

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