Testemunho, por Joaquim Vitorino

TESTEMUNHO

A coligação que governa o país, procura proteção, atrás da legitimidade do voto; quando na verdade, esta caducou no momento em que, colocou na gaveta o programa, com que se apresentou ao eleitorado; faria sentido que, não o podendo cumprir, se demitisse.

Este governo não leva à discusssão, o que deveria ser até à exaustão; tudo o que lhe é  imposto; nenhum português se apercebeu, de um partido troika, se ter apresentado ao eleitorado; portanto não podem, mandar num país, porque não é o deles; também nenhuma circunstância, mesmo uma emergência, como a que nos encontramos;  dará a qualquer partido político o direito, de desvirtuar o acto eleitoral, não cumprindo a sua parte, que tem como base, o programa com que se apresentou ao eleitorado; qualquer que seja o pertexto, não tem qualquer fundamento.

É inaceitável que alguém do exterior, que nem se lhe conhece o rosto, venha dar ordens no nosso país; para além de inaceitável, é vexatório.

Os Gregos não o aceitaram, nós também não temos que o fazer, independentemente da situação em que nos encontramos. Portugal entrou em contagem decrescente; os chacais estão à espera, que o leão acabe com a vítima, para se banquetearem, com os restos que sobram.

Não vai faltar lutas, para alguns manterem os previlégios, as vítimas são sempre os mesmos, para não variar.

O povo português, nasceu marcado por este paradigma, é sempre ele, que entrega a chave, ao seu carcereiro.

O grande drama em que Portugal mergulhou, está a passar ao lado de muita gente; para além da crise económica, financeira e sobretudo social, trata-se da perda de patriotismo; muitos dos quadros qualificados, que são compelidos a sair do país, não vão querer regressar; na sua grande  maioria, estes jovens licenciados, e muitos  outros que perderam os empregos, com formação em alta tecnologia, partem de Portugal, cheios de recentimentos, por lhes terem negado, uma outra perspetiva de vida, que lhes possibilitasse, continuar no ceio das suas famílias; também estas, irão culpar aqueles, que obrigaram os seus queridos a partir, por lhes terem negado, condições para ficar; Portugal não terá nos proximos anos, condições para os fazer regressar. Os portugueses investiram na sua formação académica, e o país nada pode fazer, para aqui os sedentar.

Certamente que existem responsáveis, por este abandono em massa, daqueles mais capacitados, que nos ajudariam a sair, deste “calamitoso estado de sítio”; eles vão aumentar, o elevado padrão de vida, e riqueza dos países, que tiram o benefício directo, da precaridade do nosso sistema; a falta de clarividência política, levou-nos para o seio da União Europeia, apenas para sermos, servidores de mão de obra barata.

O afundamento na dívida, só vem agravar mais, a gravíssima situação em que nos encontramos; até porque, quanto mais dinheiro entrar em Portugal, mais depressa ele será, levado daqui para fora.

O voto que os portugueses, delegaram neste governo; foi como a entrega de um testemunho, que não chegou ao seu destino. Evidentemente que o voto, deu a este governo, legitimidade para  governar; mas que implicitamente teria,  o dever de cumprir. Portugal de hoje, é produto dos próprios portugueses;  não nos queremos resignar, mas também não nos podemos queixar; porque fomos nós, que sistemáticamente escolhemos, aqueles que nos atiraram, para a cauda da Europa.

Portugal está a viver, a sua pior crise, desde 1385; quando este deveria ser, o seu melhor momento. Apetece-me dizer, patriotas precisam-se.

* Joaquim Vitorino  –  Vermelha, Correspondente do Jornal de Oleiros, para a Zona Oeste.

Joaquim Vitorino

 

 

 

 

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Uma Resposta a Testemunho, por Joaquim Vitorino

  1. António Graça diz:

    Caro Joaquim Vitorino.
    Excelente e oportuna análise. O país não pode ser governado de fora para dentro nem com medidas de desenrrasca para satisfazer economistas em visita turística, como afirmou Guilherme de Oliveira Martins.

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