Nós, os Gregos e os outros, por Joaquim Vitorino

A saída desordenada de Portugal, das então, ditas colónias; com a cumplicidade, de alguns portugueses, ditou o nosso rumo, em direção à Europa; era essa, a única saída; para nos redimirmos, de anos de fatalismo e pobreza; pensávamos nós.

Para a Europa, era a grande oportunidade, de entrar pela porta grande, de onde nós, havíamos saído, pela pequena. Incluo aqui, também o Brasil; com quem mantemos, um bom relacionamento que, algumas piadas à parte; gostamos muito uns dos outros. Quando foi pedida a nossa adesão; note-se que, não foi oferecida; já estávamos numa situação de emergência financeira e, graves problemas, sociais, com o aumento da população em 12 por cento, motivada com a fuga do ultramar, de mais de um milhão de pessoas.

Apesar do ouro que, o país tinha acumulado, o pedido de assistência nos anos 80 ao FMI, foi inevitável.

Convém esclarecer que, o ouro guardado, não cria riqueza; mas, termos que o entregar para pagar dívidas, é bem pior.

Entramos na Europa; finalmente, vamos ter um futuro promissor; não nos vai faltar nada; os ricos, nunca nos vão deixar numa situação de desespero; estávamos rigorosamente enganados. Voltamos aos tristes anos do salto, nas décadas de 60 e 70; eu fui uma das vítimas, quando deixei o meu país, e parti para Inglaterra, com um filho de 8 meses de idade na bagagem.

Jamais pensei ver, os meus compatriotas, 45 anos depois, na mesma situação em que, então vivi.

Durante anos, os portugueses entregaram, fielmente o seu voto, como se, de um clube, ou coletividade de bairro se tratasse; o futuro de seu país.

Ficamos embriagados, com campos de futebol (as Catedrais da era moderna) auto estradas; em que, Portugal, foi rasgado alto abaixo, sem respeito pela paisagem ou ambiente, tudo isto em nome do desenvolvimento económico; parte delas, estão às moscas; onde está a nossa produção, e bens para transportar se, o que produzimos, é insignificante ?

 Vão servindo essas vias de comunicação, aos nossos vizinhos espanhóis, e outros; para nos abastecerem de produtos, que os nossos responsáveis, nos convenceram, a deixar de produzir.

Todos somos responsáveis, em maior ou menor grau; só não o são, as crianças e jovens, que não exerceram o seu voto; são elas, as principais vítimas que, nós adultos, levados pelo facilitismo do dinheiro fácil, nos deixamos cair neste logro, que foi a nossa adesão á união europeia.

Como sabem, uma minoria não pensa assim; eles ficaram bem; a esmagadora maioria é que não. O futuro das nossas crianças, é uma incerteza; o nosso está à vista.

Os gregos, aprenderam a lição, e vão recuperar; nós, dificilmente o vamos conseguir; ficamos nós; com a tragédia deles, que é a Grega.

* Joaquim Vitorino, Correspondente do Jornal de Oleiros para a Zona Oeste, Comunidades da Europa, Brasil, EUA e África Austral.

Joaquim Vitorino

 

África do Sul e Palop

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