O FAROL, ” Um rumo para Portugal”, por António Graça

O FAROL POR ANTÓNIO GRAÇA

O autor de “O Farol” não reconhece as regras do novo acordo ortográfico

UM RUMO PARA PORTUGAL

Em 22 de Fevereiro de 1974, a editora Arcádia publicava um livro intitulado “Portugal e o futuro”, da autoria do ex-governador da Guiné, general António de Spínola.

O livro defendia uma solução política para a guerra do Ultramar, que se arrastava há cerca de 13 anos e constituiu uma “pedrada no charco” para o regime de então, chefiado pelo Professor Marcelo Caetano. Algumas correntes pretendem, erroneamente, associar a publicação do livro ao movimento dos capitães, que veio a culminar no golpe militar de 25 de Abril de 1974.

Hoje, passados que são cerca de 40 anos sobre estes acontecimentos, o país tem de novo uma guerra a travar, desta vez contra os interesses agiotas dos chamados mercados, contra a decadência e incapacidade da União Europeia para defender os seus membros, e, contra aqueles que, do lado de dentro, parecem estar apostados em encaminhar o país para o descalabro como nação e povo independentes.

Face a esta situação, a actualidade justificaria a publicação de um novo livro intitulado “PORTUGAL, QUE RUMO?”, isto porque, hoje em dia, o país não tem dirigentes nem uma linha política que nos permitam perceber para onde caminhamos, ou melhor, se caminhamos para um futuro positivo ou para um cenário de pobreza catastrófica.

Os governantes actuais são de fraquíssima qualidade, formados numa cultura de facilitismo, tráfico de influências e golpismo, não dando, também por esse motivo, valor ao trabalho honesto e competente.

O governo, porque não tem ideias próprias, socorre-se, para justificar as barbaridades que comete, de um “acordo” assinado com entidades financiadoras, representadas por funcionários de 3ª categoria, entre os quais há quem ouse, e, perdoe-se-me a expressão, “mandar palpites” sobre o que deve ser feito em Portugal, talvez pretendendo baixar o nosso país aos níveis de miséria característicos dos seus países de origem.

O vazio de ideias é notório pelas trapalhadas, avanços e recuos governamentais sobre variados assuntos, que são provocados por decisões tomadas à pressa sem qualquer ponderação cuidada sobre o seu enquadramento e sobre os seus efeitos. Chegados ao ponto em que nos encontramos, é legítimo que os portugueses se interroguem sobre o futuro do país, que será também o seu. O actual sistema político já provou estar esgotado e incapaz de resolver os problemas com que o país se debate, antes os agrava progressivamente.

Não é o conceito de democracia que está em causa, mas sim a forma como ela tem vindo a ser entendida pelos agentes políticos nacionais. Os partidos apoderaram-se dela e travestiram-na de acordo com as suas conveniências, convertendo o país num centro de negócios, em que no parlamento têm assento os representantes dos interesses envolvidos nesses negócios e não os cidadãos que, com o seu voto, determinam a formação parlamentar.

A Constituição, muitas vezes apontada como entrave ao progresso do país tem, de facto, aspectos que carecem de revisão, mas isso parece não ser o verdadeiro entrave, conforme o provam as sucessivas violações da mesma cometidas pelos recentes governos.

Podemos mesmo afirmar pelas experiências recentes que as maiorias parlamentares transformam a democracia em algo de aberrante, a que poderemos chamar uma “democradura”, ou ditadura democrática.

Nas condições actuais, impõe-se um combate pela reposição das bases do sistema democrático, ou seja, os cidadãos à face do que lhes é permitido pela constituição devem organizar-se em grupos de pressão, independentes de qualquer corrente partidária, grupos esses que deverão ser incomodativos e provocar desconforto, objectivamente contra a forma como o país está a ser conduzido

Um bom exemplo deste tipo de grupo é a TIAC -Transparência e Integridade Associação CÍVICA, cujo objectivo é o combate à corrupção. Mais informação sobre esta Associação está disponível em www.transparência.pt

Para além deste tipo de associação, outras poderão ser constituídas, como por exemplo, uma associação de defesa do contribuinte.

São pequenos passos que poderão dar grandes resultados.

Há, sobretudo, que credibilizar a política, por forma a poder captar para ela gente honesta, com currículo e provas de competência incontestáveis.

ABS

Não vamos falar do conhecido dispositivo de auxílio à travagem dos automóveis.

ABS são as iniciais de Artur Baptista da Silva, o indivíduo que tem ocupado as manchetes dos órgãos de comunicação.

ABS apresentou-se como sendo um colaborador da ONU, e, nessa condição foi, desde logo, convidado a participar em mesas redondas, conferências, etc.

Quando foi desmontado o cenário criado por Baptista da Silva, logo se levantaram vozes, incluindo as de quem, antes de se ter aproveitado do mesmo para os fins que lhe eram convenientes, deveria ter o cuidado de verificar a autenticidade das credenciais de ABS, apelidando o sujeito de burlão, oportunista, etc.,etc.,etc.,.

Tudo indica que o sujeito é um impostor, tal como tantos outros que governam a vidinha no nosso país, que prometem e não cumprem, ou que se fazem passar por aquilo que não são, com a diferença que, nestes casos, com prejuízos evidentes para todos nós.

ABS tem como atenuante o facto de a sua actuação, ao contrário da dos outros impostores que referimos, não ter causado quaisquer prejuízos ao país.

BPN

São as iniciais da maior burla praticada no nosso país.

Um trabalho de investigação levado a cabo pela SIC, revelou a existência de um considerável número de clientes do banco que deixaram de pagar as dividas relativas a elevados financiamentos que lhes foram concedidos pelo mesmo.

Mais que ABS, esses sim, são os verdadeiros burlões, para com os quais, dificilmente se compreenderá que a Justiça não venha a ter mão pesada, já que as vítimas das suas burlas são os milhões de contribuintes que vão pagar a factura.

Como esses indivíduos não serão propriamente indigentes, o seu património deverá responder, até ao último cêntimo pelas suas dívidas ao banco. Alguns terão já transferido a posse dos seus bens para familiares ou terceiros, mas o cruzamento de registos e os mecanismos legais, permitirão a reversão dessas transações e o arresto dos bens em causa. Num país em que os devedores de prestações do crédito à habitação, ficam sem os seus lares, é inaceitável que estes burlões, sejam eles quem forem e por muito importantes que sejam os seus amigos, fiquem impunes e no gozo do seu património, sendo considerados seus cúmplices aqueles que, tendo a responsabilidade de os fazer pagar pelas suas burlas, o não fizerem

Até breve

* António Graça, Colunista do Jornal de Oleiros

António Graça

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2 Respostas a O FAROL, ” Um rumo para Portugal”, por António Graça

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Meu Caro António Graça; li atentamente o seu artigo; não o tinha feito antes por, falta de rede na minha propriedade na Vermelha Cadaval. O seu trabalho é de excelente qualidade, com a análize fria e simples; da tragédia recente, e atual deste pobre país; pena é que, os portugueses não tenham disponibilidade, para refletir no Portugal que vem a seguir; creio que o meu amigo, leu o meu artigo: Portugal 2013; A Verdade Escondida, que vem de encontro às suas procupações; este país vejo, como uma calçada imaginária, a quem uma a uma, vão arrancando as pedras, até nenhuma restar. O dinheiro que a Troika, permite a entrada em Portugal, é devolvido de seguida, para juros e amortizações; melhor seria, iniciarmos imediatamente, e em grande escala, o desenvolvimento da nossa agricultura e pescas; e isto vai ter que ser, tarefa daqueles que, vão ser confrontados com esta terríl situação; quando o flash, desta tragédia, for do conhecimento público, os causadores, e os poderiam a ter evitado; como as baratas, quando se acende a luz, estarão a milhas, arrastando com eles, tudo o que estiver à mão, e nos bancos evidentemente. Um abraço Vitorino.

    • António Graca diz:

      Caro Joaquim Vitorino.
      Agradeço, em primeiro lugar, a lisongeiras considerações que produziu acerca do meu artigo. Entendo, igualmente que o seu texto é um excelente trabalho.
      Será importante que o nosso trabalho sirva para despertar a consciência cívica do maior número de leitores, por forma a induzir uma mudança no panorama actual.

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