Portugal e a emigração, por Joaquim Vitorino

PORTUGAL E A EMIGRAÇÃO

Poucos são aqueles, que não foram afetados, por esta hemorragia emigratória, de um povo, que desde o fim da monarquia, foi compelido a abandonar o seu país; Portugal sempre se serviu da emigração para colmatar, algumas das suas crises, do ponto de vista financeiro, e também económico e social; começou em força na primeira República, e depois continuou com o Estado Novo que, há parte um curto interregno, quando o euro entrou em vigor, começa agora em força nos nossos dias; só que agora os atores deste drama, que vão subindo ao palco são outros; efetivamente eles constituem, um novo tipo de emigração, na sua grande maioria, com cursos académicos, muitos deles tirados nas universidades públicas, pagos com os nossos impostos; é triste e lamentável que o país, não dê condições a estes jovens, para não terem que partir. O grande salto emigratório, começa a seguir ao final do primeiro conflito mundial, o meu avô paterno e muitos familiares, partiu de Aljubarrota, Alcobaça, em 1919 para os EUA, Fall River Massachusetts, vindo a falecer 2 anos mais tarde, a minha avó e o meu pai, regressaram a Portugal em 1933, quando a recessão nos Estados Unidos, tinha atingido o auge, e estava a chegar à Europa, sendo que a “rica” Alemanha de hoje, foi dos países mais atingidos; toda a minha família paterna que sobreviveram, nunca mais regressaram; eu apenas conheci o meu pai e a minha avó. A segunda grande onda emigratória, começa no início dos anos 60, e que constituiu o maior drama emigratório português, que coincidiu com o começo das hostilidades, no então ultramar português; esta tremenda avalanche que saíu do país, teve contornos e consequências, de grande intensidade dramática, que são de todo indiscritíveis; com pais a terem que abandonar os filhos, alguns ainda Bébés, deixando-os ao cuidado de terceiros, ou de familiares, normalmente avós sem condições de saúde, ou meios económicos para o fazer; e também marcados pelo desgosto, de verem partir para a aventura, ao sabor da sorte e dos ventos, os seu queridos familiares, muitos eram jovens, que partiam para não cumprir, o serviço militar, eu não os sensuro por isso; eu cumpri o meu 36 meses, ainda hoje me pergunto porquê?. Eu sei do que estou a falar, pertenci a esse grupo da década de 60; mas tive que levar o meu filho comigo, com meses de idade, por não ter, com quem o deixar.Tive a “sorte”de rumar ao Reino Unido, onde a Direção do Hotel para onde fui trabalhar, me ter gentilmente cedido, um pequeno quarto interior, onde três pessoas viviam, incluindo uma criança com um ano de idade; mas foi na França, que o drama dos portugueses, atingiu proporções verdadeiramente dramáticas, sem saber a língua, cheios de fome e desorientados, muitos foram aqueles, que viveram e morreram, debaixo das pontes. Portugal nunca conseguiu, desde 1890 compensar, as importações com as exportações; este saldo foi sempre negativo, Portugal nunca gastou, com peso conta e medida; recorrendo ao endividamento; e ao envio de divisas dos nossos emigrantes, para fazer face à importação de bens de consumo, que servia uma pequena classe priviligiada, e ao custo astronómico, das três frentes de guerra. Estas remessas dos emigrantes, eram sempre certas, pois os familiares que deixaram em Portugal, necessitavam delas. Eles foram sempre, são agora, e serão no futuro, alguma sustentabilidade deste pobre país; são eles as vítimas continuadas, deste Portugal que os manda partir, com a situação que se vive no momento, é mais que certo, que é deles; os emigrantes, que vamos novamente, depender e precisar. Sinceramente não creio; que Passos Coelho, tenha dito intencionalmente, para os portugueses emigrarem; porque em caso afirmativo, seria muito grave, que o tivesse dito.

A minha solidariedade para com todos eles; em que incluo também, os que deixaram os seus países, para trabalharem entre nós; a todos desejo um Feliz Natal, e um futuro mais promissor, para os seus filhos.

Joaquim Vitorino

Joaquim Vitorino

Correspondente na Zona Oeste do Jornal de Oleiros

Exclusivo, para Jornal de Oleiros; comunidades, USA, Brasil, Europa, África do Sul e Palop.

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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