Natal: Deus Feito Carne, por Fernando Caldeira da Silva

NATAL: DEUS FEITO CARNE

Por Fernando Silva

Passados tantos séculos o mundo celebra e rejubila com o Natal. No entanto nem todos entenderam bem o significado desta festa cristã. Mas para os cristãos esta marca a vitória do cristianismo sobre o paganismo e o politeísmo arcaico. Mesmo sabendo nós que Jesus não nasceu à 2012 anos atrás, nem nasceu no dia 25 de dezembro. Mas nasceu, encarnou, Deus fez-se Homem.

O nascimento e a vida de Cristo na terra sublinhou a intenção eterna quanto à história humana, tornando-se o seu eixo. Fez compreender as teofanias de então, as profecias bíblicas quanto à redenção e à restauração duma raça espiritual de seres humanos diferente de todas. Os religiosos israelitas não compreenderam Cristo. Porque Se apresentou não como um rabino liberal mas como o culminar da revelação da própria Tora. O problema para os judeus dos tempos do Messias era que Jesus não aceitava simplesmente a interpretação tradicional israelita da Tora. Ele incluia-Se a Si mesmo nela e acima dela.

Para Jesus Cristo o ser-se santo como a Tora prescrevia não era suficiente (Levítico 19:2; 11:44). Com Jesus o importante era acreditar Nele e segui-Lo (Mateus 19:21). Ou seja, Jesus era a interpretação correta e o suplemento definitivo da Tora.

Com o Tabernáculo de Moisés Deus determinara encontrar-Se com o Sumo Sacerdote do Seu povo uma vez por ano no Propiciatório, que era a tampa de ouro que cobria a Arca da Aliança escondida de todos no Lugar Santíssimo. Determinara que o ponto de encontro por excelência com a raça humana que acreditava em Si era a Misericórdia (significado do Propiciatório). Esta foi também a mensagem essencial que Cristo propagou: a misericórdia divina relativamente ao pobre pecador. Os judeus legalistas propagavam a exterioridade da Lei de Deus. Mas Cristo foi direto à questão central. Por isso confrontou os líderes religiosos do seu tempo, dizendo-lhes: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2:27).

No entanto, houvera sempre um remanescente cuja linhagem não assentava em pedigree familiar ou em classe social. O remanescente messiânico entroncava no Rei Melquisedeque, passando por Abraão, Moisés, Samuel, David e muita gente anónima como o sacerdote Simeão e a profetiza Ana. Durante séculos esta gente “esquisita” – assim pensavam os judeus tradicionalistas – esperava o cumprimento profético quanto à vinda do Messias. O Profeta Miqueias profetizou sobre a cidade onde nasceria o Messias, “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miqueias 5:2). O Profeta Isaías declarou também profeticamente o Seu destino e a Sua natureza “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de David e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça” (Isaías 9:6-7).

Esta corrente messiânica era diametralmente oposta por ser universalista enquanto a dos outros israelitas era particularista acerca a eleição de Israel no plano eterno de Deus. A salvação que Deus traria não era apenas para Israel mas para todas as nações, povos, tribos e línguas da terra. Por isso David pediu autorização a Deus para edificar o seu próprio Tabernáculo como substituto temporário do Tabernáculo de Moisés. No Tabernáculo de David que erigiu no Monte Sião, a acrópole de Jerusalém que conquistara aos pagãos jebuseus, colocou a Arca da Aliança (então símbolo da presença de Deus na terra) no meio da tenda à vista de todos os que nela entravam. Além disso, de forma reformadora da velha religião de Moisés, permitiu que os gentios entrassem para adorar e louvar a Deus. Só para a consagração dessa tenda é que houve sacrifícios de animais cujo sangue foi derramado pelos pecados do povo crente. Mas a partir dessa altura o ministério foi reduzido à adoração por meio de música e de cânticos. Eram grupos corais, eram solistas, eram orquestras completas com todos os instrumentos musicais disponíveis à época. Enfim, todos se revezavam numa programação ininterrupta dia e noite durante muitas décadas até o Templo de Salomão ficar concluído.

Como fora o Rei Melquisedeque, o que contava era a ligação e legitimidade outorgada pelo próprio Deus no céu. Essa legitimidade espiritual deu-lhes permissão para entrarem como sacerdotes para ministrar perante Deus homens que não eram da tribo de Levi, nem da família sacerdotal de Arão. Refiro-me a Samuel que era da tribo de Efraim e a David que era da tribo de Judá (religiosamente proibidos de minitrar no Tabernáculo de Moisés mas legitimados pela sua intimidade pessoal com Deus). Essa gente era espiritualmente atrevida devido à sua genuína afeição a Deus. Uma verdadeira metanoia e transformação aconteceu nas suas vidas através desse vínculo de comunhão profundo com o seu Deus pessoal e nacional. Assim, também Jesus Cristo descendente de David depois de ascender ao céu ocupou a posição mais elevada da hierarquia dos messiânicos na Ordem de Melquisedeque. Ele é o Sumo Sacerdote eterno segundo a Ordem de Melquisedeque “E muito mais manifesto é ainda, se à semelhança de Melquisedeque se levantar outro sacerdote, que não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível. Porque dele [de Jesus Cristo] assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebreus 7:15-17).

O eixo de todo esse movimento espiritual eterno passou por Belém, onde Jesus Cristo encarnou como o Emanuel – que significa Deus connosco – nascendo da Virgem Maria, bem-aventurada, como nos informa os relatos bíblicos:

“Ora o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projectando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de David, não temas receber a Maria tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo; e dará à luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:18-20).

“E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo. Pois, na cidade de David, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos pois até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura” (Lucas 2:10-16).( )

Com Jesus Cristo no coração e na vida pode-se desfrutar de Feliz Natal e de um Ano Novo abençoado. É o que desejo sinceramente a todos os meus queridos leitores do Jornal de Oleiros, aos colegas colaboradores e ao Diretor.

Fernando Caldeira da Silva

([1]) Poder-se-á fazer download gratuitamente duma cópia da Bíblia Sagrada utilizada neste artigo encontrada em www.theword.net, um sítio de Costas Stergiou a quem presto a devida vénia.

* Fernando Caldeira da Silva, Correspondente do Jornal de Oleiros na África Austral.

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