“As coisas de um regime”, por Carlos Fernandes

“As coisas de um regime”

“O regime das coisas”

Sem saudosismos de qualquer espécie, sem querer criar qualquer tipo de controvérsia, mas tão só ir ao encontro da história, para melhor compreender e interpretar os novos sinais do tempo, sabendo que quer queiramos ou não, o futuro será a soma do passado com presente.

“As coisas de um regime”

Decorria o ano de 1971, a Europa e o Mundo atravessavam um período extremamente difícil, em recessão profunda, com o abrandamento económico a todos os níveis, estávamos no epicentro da crise energética, a chamada crise do petróleo.

Portugal, eram tempos de mudança, tempos de transição, vindo de um crescimento económico, jamais vistos neste Portugal, mas ainda a braços com a guerra do Ultramar, deu início ao apelidado ciclo da evolução sem revolução, pela primeira vez, foi dada alguma liberdade de expressão pela primeira vez, se ouviu falar em estado social, criou-se a ANP, (Acção Nacional Popular, foi definida estatuariamente como associação cívica, era destinada a promover a participação dos cidadãos no estudo dos problemas da Nação portuguesa) era o tempo da denominada Primavera Marcelista.

É neste quadro, que ao encerrar o III Plenário da ANP, o Ex. Sr. Professor Marcelo Caetano, profere este discurso, que passo a citar, não antes afirmar, que ele é elucidativo da qualidade intelectual, e do sentido de estado, que a meu ver só está ao alcance dos grandes estadistas.

(discurso 18 de Junho de 1972)

“É o povo português d`aquém e d`além mar que neste momento visiono e saúdo.

Estamos a trabalhar para que o nosso território na Europa não se converta numa faixa litoral activa com um interior deprimido e despovoado. A vitalização das zonas rurais tem que ser levada a cabo. Para isso se tem procurado animar a vida municipal e fortalecê-la pela federação dos municípios, aumentar a comodidade dos povos facilitando-lhes a justiça mediante a criação de novos tribunais -em vez de seguir a linha tecnocrática das comarcas -, promover o acesso à educação pela instituição de novas escolas, primárias, preparatórias, secundárias e superiores, também enriquecedoras da escola local, (……..) estudar a concessão de incentivos para o desenvolvimento económico da província portuguesa, melhorar a assistência sanitária preventiva e curativa e, sobretudo apoiar os trabalhadores rurais de modo que a classe camponesa não fique atrás das outras classes nos benefícios do salá rio , do apoio à família e da previdência social.

Já foi dito que milhões de egoísmos não formam uma Pátria; pois é no povo que se encontra maior generosidade na compreensão dos grandes esforços e na participação nos grandes sacrifícios colectivos. Ele tem a intuição do valor das causas e da nobreza dos desígnios. É sem aplicações intelectuais, e sem alarde , que dá o seu suor e o seu sangue. Portugal para o Povo português não é uma abstracção. Nem um fardo, É a terra que ama, a história que se vive, o futuro que se conquista. E é isso que para todos nós deve continuar a ser Portugal.”

Sem dúvida um discurso, à boa maneira do estado novo, mas denota um sentido de estado, uma qualidade intelectual a todos os níveis de assinalar, uma convergência de esforços e um sentimento de união, enfim o caracter e atitude que se quer num líder .

“O regime das coisas”

Final do ano 2012,a Europa em crise profunda, em falência técnica dizem alguns, palavras mais escutadas austeridade, desemprego recessão, a apelidada crise financeira dos mercados. Portugal, desde há muito sem crescimento económico, campeão na criação de pobreza e precariedade.

Transformou-se uma Pátria num país sem soberania, onde a bandalheira, as trapalhadas abundam e reinam a seu belo prazer, são casos atrás de casos, destruição massiva do estado social, roubo do património nacional, (TAP ,EDP, RTP, etc….) as falências aumentam dia a dia, o interior do país devotado à sua sorte, onde agricultura é comandada pelas leis da natureza ,o despovoamento, a velhice, a falta de natalidade, são quem mais ordena, onde os órgãos de justiça encerraram para obras (agora acabou a impunidade), os julgamentos são feitas na praça pública, o segredo de justiça é coisa vã, saúde e educação só para ricos.

É este o Portugal de hoje, e o legitimo leader e representante do povo, a única coisa que tem para nos dizer é falar dos antecessores ( nas coisas do regime, depois de herdar 38 anos de antecessor, jamais o mencionou), ofender pensionistas. chamar piegas a um povo, e dividir para reinar, não obstante ainda executa uma chantagem inqualificável ao Presidente da Republica, chama-se a isto um leader? … Pois para mim chamo impreparação, arrogância e lixo intelectual. (oh Serra deixa estar estamos em democracia, reconfortante no mínimo …)

No que ao Presidente diz respeito, a apatia e o silêncio, são notas fortes, nada de admirar, é este o resultado de um (des) governo uma maioria um presidente.

Resta-nos a verdadeira oposição, o Dr Mário Soares, que teve a coragem de afirmar que hoje existe mais fome que no tempo do estado novo, logo apareceram a terreiro os mercenários da politica, hoje comentadores do reino da rebaldaria, mais as donas abastanças, qual virgens ofendidas, a dizer que não há fome em Portugal ,não discuto , mas uma coisa estou certo a maior das fomes é a falta de esperança e dessa vocês são os verdadeiros responsáveis .

Em jeito de despedida fiquemos, com as palavras, de cuja qualidade intelectual, fez engrandecer a nossa Pátria :” A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não entendimento possível entre nós…. Separa-nos um fosso da largura da verdade…Ouvir um político é ouvir um papagaio insincero” (**)

Bem hajam

Carlos Fernandes

* Director-Adjunto do Jornal de Oleiros

(**) Miguel Torga

Carlos Fernandes

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a “As coisas de um regime”, por Carlos Fernandes

  1. Joaquim Vitorino diz:

    Muito bem, Carlos Fernandes; os políticos deste país, andam vai para 39 anos a tentar desculpar,os seus erros e falhanços, com o passado; eu não tenho saudades do passado, mas tenho sim, pena que nos últimos 39 anos, não tenham surgido homens, com a elevada estatura política e moral, semelhante à do Professor Marcelo Caetano; que eu conheci muito bem; primeiro na Assembleia da República, onde fui barman, e também na Universidade Clássica de Lisboa, onde ele era o Reitor. Gostei da introdução, e da fria análise que deu ao texto; creio que o ano de 2013, vai ser crucial, para o futuro de Portugal; muito vamos ter que escrever, porque a procissão, ainda vai no adro. Felicidades, para o seu novo cargo, de Diretor-adjunto do Jornal de Oleiros. Feliz Natal

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