Terra – Planeta Abençoado, por Joaquim Vitorino

Terra – Planeta Abençoado

O planeta Terra é, provavelmente, um dos mais belos locais de todo o Universo, não obstante ser, na escala Universal, infinitamente inferior a um grão de areia; para além de catástrofes epidémicas e ecológicas, através dos tempos, a sua exposição a forças e perigos vindos do exterior, transforma este belo habitat, em perigosidade extrema; a sua formação, que teve eventualmente lugar, uns 1000 milhões de anos depois do aparecimento do sol, aconteceu há 4000 milhões de anos; é conhecida a mínima idade do Universo, como 13.7 mil milhões de anos, mas existe uma forte probabilidade, de inexplicavelmente ter havido, uma contração, na expansão galáctica, o que elevaria a idade, para 47.000 milhões de anos; o Hommo Sapiens, numa incrível aceleração do tempo, terá iniciado a sua vertiginosa caminhada, junto ás cavernas, no vale do rio tanganica, há 1.5 milhões de anos; o que equivale na escala Universal, a 750 milésimos de segundo; e toda a história da Cristandade; 2012 anos, terá menos de um (1) milésimo de segundo, para ser contada. A Terra representa, um zero quase absoluto, no contexto galático e cosmológico; no entanto, a regularidade do sol, ao longo de 5000 milhões de anos da sua existência, tem-nos dado todos os condicionalismos, para a eclosão da vida, até ao escalão máximo desta, a inteligência, que é representada, por um dos animais que sobressaiu na escalada evolutiva, o Hommo Sapiens, e que a “ciência” auto intitulou de homem. O processo sofreu, ao longo dos tempos, varias interrupções; numa seleção, com vários acidentes no percurso, uns conhecidos da ciência, outros que nunca virão, ao conhecimento desta.

Dos maiores perigos a que a Terra está sujeita, e que aqui é representada, pelo vértice da inteligência animal, que é o Hommo Sapiens que chegou, ao momento crucial da sua existência; foi ele que, nos últimos 300 anos, desde a primeira revolução industrial, agrediu com gravidade o seu Habitat, levando á extinção, de milhares de outras espécies, que connosco partilham, desde o processo evolutivo, o planeta Terra; com a agravante de que, quase todos eles, entraram na escalada evolutiva, dezenas de milhões de anos antes de nós; alguns destes nossos companheiros de viagem, poderiam ter evoluido, daqui a vários milhões de anos; quem sabe, a um nível superior ao Hommo Sapiens; ele é também, o único ocupante do planeta, que vive em estado contínuo, de beligerância com os outros animais, e também com os da sua espécie; para além de muito pouco ter feito, para inverter os danos que tem causado, muniu-se de capacidade para o destruir, várias centenas de vezes.

O perigo de colisão, com meteoritos ou cometas, que frequentemente nos visitam, alguns deles como a exemplo, que provocou, a cratera do Arizona há 120.000 anos, ou mais recentemente, um cometa que devastou uma área, “felizmente deserta” com milhares de quilómetros quadrados, em Tunguska na sibéria, no dia 30 de junho de 1908, este acontecimento não passou, de uma picada de mosquito, num elefante, comparado com o de, 65 milhões de anos atrás, na província do yucatán no México, onde o impacto de um enorme meteorito extinguiu, quase de imediato, toda a vida animal e vegetal que, consequentemente levou, a centenas de milhões de anos, para reiniciar o processo. Ninguém sabe as forças envolvidas, na seleção que levou, à extinção da vida que já existia, há mais de mil milhões de anos; não vou entrar em campo especulativo, quanto a possíveis forças, que se “desconhecem”, intervenientes no processo; mas o Homem tem que ter, a humildade de admitir, ter havido paragens e arranques, como que de uma correção, a ter que ser feita; uma coisa é certa, se não fosse aquele terrível acontecimento, este comentário nunca teria lugar; a Terra, que sofreu uma destruição total, inicialmente com o fogo, com a queda do meteorito que provocou, o que hoje é conhecido, como golfo do méxico; veio posteriormente a sofrer uma era glaciar; toda a vida animal, que hoje conhecemos, é proveniente da sobrevivência, subaquática desta colisão; num futuro longínquo, o homem terá capacidade, para detetar e anular estes perigos; mas por enquanto, estamos vulneráveis e sujeitos, a catástrofes eminentes, vindos do exterior. Toda a vida que existia há mais de 200 milhões de anos, terminou abruptamente nesse dia; o processo evolutivo, que levou ao homem de hoje; é ele provavelmente, o único animal que pensa o cosmo, também começou nesse dia.

O propósito, objetivo ou desígnio, subjacente a este acontecimento, dificilmente o homem virá, a ter conhecimento. Eu que sou astrónomo amador, há mais de 50 anos, e que frequentemente penso, o porquê de eu, e os outros estarmos aqui, esbarro sempre com este pensamento; como é que este planeta, na escala Univeversal e cosmológica, constitui um zero quase absoluto, foi presenteado com uma multipluralidade de vida, animal e vegetal, e sobretudo inteligência, para dar ao homem o privilégio, de entender todo este mistério que foi, a transformação de matéria cósmica, no complexo e misterioso aparecimento da vida. Em suma; se nos mantivermos, com o ritmo de desenvolvimento, desde a primeira revolução Industrial, que teve início há 300 anos; o homem ainda precisará, de pelo menos 3000 anos, de evolução tecnológica para seguirmos no caminho das estrelas; o planeta Terra será então, a nossa rampa de lançamento; não estou a pensar, em viagens que, para além da ida à lua em 1969, e sondas que já sairam, para lá dos confins do nosso sistema Solar; mas sim para as estrelas mais próximas, entre as quais se encontram, por exemplo, a Alfa de Centauro, 4.3 anos luz, ou a estrela Banard, a 5.98 anos luz; frequentemente, não sei porquê, o meu telescópio é direcionado, para estas duas Estrelas.

A luz viaja a 300.000 quilómetros por segundo, uma ida e volta lua, não chega a 3 segundos, e quando olhamos para a luz do Sol, esta já partiu de lá, há 8 minutos e 23 segundos. Algumas destas estrelas, terão nas suas órbitas, planetas que nos servirão de bases de apoio, para o Hommo Sapiens iniciar, o povoamento da Galáxia; nós estamos localizados, numa espiral a 30.000 anos luz do centro; haver vida inteligente, nas primeiras estrelas; seria o mesmo que encontrar uma agulha, em 100 milhões de palheiros. Ao longo do processo evolutivo, o Hommo Sapiens, transmitiu para o Homem moderno, o instinto das cavernas, de que nunca se conseguiu livrar; herdámos todavia alguns sentimentos, que ainda nos dão, um frágil direito à nossa existência, que é o amor e a solidariedade, o primeiro na maioria dos casos, é confundido com o direito de pertença; e o segundo, não abunda muito por aí.

Não são raras as vezes, em que outras espécies, que partilham com o Homem este espaço, que lhes é devido, e que nós apelidamos de animais, nos dão verdadeiras lições de amor e solidariedade; a seleção das espécies, incidiu a sua escolha sobre nós; mas isso não nos reserva o direito, de tratarmos os outros animais, com crueldade e falta de compaixão; eu ainda não compreendi, o porquê, do hommo Sapiens, se ter auto apelidado de humano; este tem que olhar para dentro de si, e arrumar de vez, a sua consciência, quanto ao tratamento que dá às outras espécies, muitas das vezes, preponderante e cruel; a comunidade científica tem que, urgentemente abordar este tema, em defesa dos nossos animais.

Ainda recentemente um cão, de seu nome Sparky, foi atrelado a um carro, pelo pescoço, centenas de metros, para simples divertimento, de dois “humanos”; provocando-lhe vários traumatismos.

Tenho um Akita, Símbolo de confiança no Japão; a lição que um destes “Animais” nos deu naquele país, devia envergonhar-nos a todos nós; uma história contada em filme, com o protagonismo de Richard Gere, intitulado, Amigos para Sempre.

O Homem tem que ter, a sensibilidade e o dever; de minimizar o sofrimento dos animais, mesmo aqueles que são, inevitavelmente destinados ao abate; e de tratar aqueles que, chamamos de estimação, com (humanismo) se assim não for; a palavra humano, não passa de semântica, sem qualquer sentido.

Joaquim Vitorino – Vermelha

Astrónomo Amador

Belo Amigo

* Correspondente na zona Oeste do Jornal de Oleiros

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
Esta entrada foi publicada em Ciência, Comunidades, Destaques, Economia, Educação. ligação permanente.

Uma Resposta a Terra – Planeta Abençoado, por Joaquim Vitorino

  1. Cumpre-me, enquanto Director do Jornal, salientar a importância técnica da peça que orgulhosamente exibimos. Evidentemente, um Jornal, não é um blog e deve pugnar pela qualidade, pesquiza de valôres, dar sustentação e viabilidade à informação detalhada, tecnicamente indiscutível e, procurar oferecer aos Leitores ( a razão para a nossa existência) qualidade, diversidade, conteúdos construtivos e elevados.
    Produzir informação qualificada é da maior importância para os Leitores. Esse é o nosso principal objectivo.
    Compreenderão que enquanto Fundador do Jornal e Director desde a primeira hora, possa congratular-me com a qualidade que vimos exibindo crescentemente, facto que me orgulha, responsabiliza dia-a-dia mais e, prometer a todos que esse objectivo será continuadamente perseguido.
    Portugal em desqualificação continuada, em crise acentuada (especialmente de valôres), não é o nosso objectivo.
    Obrigado Joaquim Vitorino pela coragem de um artigo tão técnico, mas evidentemente, matéria que conheces e amas ainda para mais.
    Director

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *