Solidariedade Alimentar, por Joaquim Vitorino

Solidariedade Alimentar

Portugueses solidários

Hoje, dia do Banco Alimentar; no meu périplo aos sábados, pelos supermercados, e velha praça do Bombarral; ( já conheci três desde a minha infância), nos últimos 65 anos, mas que ainda tenta resistir, à feroz concorrência das grandes superfícies; onde as promoções arrasam o pequeno comerciante; o que é absolutamente compreensível, pois qualquer pequeno desconto conta muito, para as já magras carteiras; encontrei na porta sul da referida praça, frente ao campo de futebol do Bombarralense, há muitos anos abandonado, uma Sra. com pronúncia brasileira, e duas adolescentes que, gentilmente me abordaram para que contribuisse para o Banco Alimentar; eram 9h30, e o cesto das dádivas estava vazio, conversei com a simpática Sra.e as duas jovens, e disse-lhes que pedir para dar aos outros é, uma atitude de grande magnitude e humanismo, porque muitos dos agora necessitados, têm a compreensível vergonha, para o fazer; muitos deles tinham, até há pouco tempo empregos estáveis, e níveis de vida muito acima da média; muitos deles, para além de perderem o emprego, foram apanhados na teia do endividamento; fiquei muito apreensivo, e de imediato pensei que, os que hoje estão a ajudar, serão também eles que, nos tempos próximos, vão aumentar o caudal dos que recorrem ao Banco Alimentar; eles são a classe média de hoje, que irão ser os pobres de amanhã; infelizmente não é futurologia, será uma triste realidade; são estes contribuintes que, ainda vão garantindo a sustentabilidade do Estado, e o pagamento de reformas; mas já não serão eles ou seus filhos, os beneficiários dos seus descontos; eles são, sem sombra para dúvida, as principais vítimas da crise, que veio para ficar; muitos vivem aterrorizados, com a perspetiva de, a qualquer momento, também cairem, no Banco Alimentar. Portugal está quase, a chegar ao limiar, da calamidade social; a constante preocupação com a dívida, e cumprimento dos acordos subjacentes, leva governantes à insensibilidade social, deixando esse ónus, a quem já pouco, tem para dar. Os portugueses vão certamente, partilhar um pouco, com aqueles que nada têm; muitas vezes bastará, um pequeno gesto de solidariedade, para minimamente justificarmos, a utilidade das nossas vidas.

J. vitorino – Vermelha

Joaquim Vitorino

Correspondente, do Jornal de Oleiros, para a zona oeste; comunidades, Palop, Brasil, Europa, USA e África

do Sul

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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