Recado de Lisboa, por Joaquim Vitorino

Recado de Lisboa

A 28 de setembro de 2012; quando da comemoração dos 30 anos, da chegada ao poder de Helmut Kohl, agora com 82 anos, que recentemente sofreu, um acidente vascular cerebral, que o deixou, com alguma dificuldade na fala; a Sra. Merkel, entusiasmada com a presença, do seu mentor político; num discurso inflamado, inalteceu o pai da reunificação da Alemanha, e também um grande Europeista; afirmou a Sra. Merkel. Não tenho a mínima dúvida, sobre esta última afirmação da Sra. Merkel, que falou na qualidade de membro do partido; quanto á reunificação da Alemanha, sem desvalorizar, todo o empenho que Helmut Kohl, colocou ao serviço desta causa; não podemos esquecer, que esse objetivo, foi sempre partilhado pelos países Ocidentais, imediatamente a seguir á aplicação do plano Marshall, Portugal, não foi interveniente no conflito, mas ajudou na recuperação da Alemanha, de quem Portugal, nunca deixou de ser amigo; eu que tenho 69 anos, nasci em 1943, lembro-me que, de 1958 até 1974, em cada 10 táxis a circular nas ruas de Lisboa, 9 eram de fabrico Alemão; a qualidade era excelente, mas acima de tudo, Alemanha tinha que ser ajudada.

Quanto á reunificação, para além de Helmut Kohl, por quem tenho grande admiração; seria injusto, não recordar acontecimentos que, levaram á queda de baluartes, vinculados ao pacto de Varsóvia; foi precisamente neste país; a Polónia, centro Europeu de conflitualidades no passado, que dois acontecimentos, tiveram lugar: e que na minha opinião, foi aqui o epicentro, da mudança a leste que, como feliz consequência, levou á reunificação da Alemanha; eles foram, Karol Wojtyla aclamado Papa “João Paulo II” em 1978, e o movimento solidariedade na Polónia, antecedidos da primavera de Praga, e movimentos estudantis em Paris, e também em Lisboa, em maio de 1968.

Voltando ao discurso da Sra. Merkel, sempre visando o Sr. Helmut Kohl, afirmou que a Europa, estava unida pela paz, liberdade e bem estar; disse textualmente, o discurso foi transmitido, também para inglês e francês; o leitor, já percebeu tudo; ( paz, liberdade e bem estar), 12 milhões de desempregados, em Espanha, Itália, Portugal e Grécia; não incluo a França e Irlanda, este numero, representa 30 milhões de Europeus, pertencentes á zona euro, na eminência, de terem que recorrer, a instituições de caridade, se ainda as houver, porque as que existem, estão á beira da rutura. penso que, a Sra. Merkel, apenas se referia á Alemanha, e aos países do norte, e Benelux, que fazem parte da zona euro, e alinham com as posições, da Sra. Merkel, para resolver a crise. O Sr. Helmut Kohl, com alguma dificulda de em falar, devido ao acidente, disse nas poucas palavras que proferiu, enquanto fixava a Sra. Merkel e os presentes; ” a Europa não deve, conhecer mais a guerra;” Helmut Kohl, devia estar a pensar; esta gente, tem que cuidar, bem as palavras.

Recentemente, na deslocação de 7h00 a Lisboa, a Sra. Chanceler, numa curta entrevista, afirmou que Portugal, não precisará de novos empréstimos, nem ajustamentos; com todo o respeito, que o seu cargo, e pessoa me merecem; a Sra. Chanceler sabe, que essa leitura, não corresponde á verdade; no contexto atual, com empresas a serem fechadas, ou deslocadas para fora de Portugal, 17 por cento de desemprego que, afeta em grande parte a classe média, que são a sustentabilidade da máquina, que é o Estado, com o déficit nos 120 por cento do PIB, que é o ponto máximo, na fasquia do endividamento, com o país em plena letargia, no setor empresarial, não há rotatividade económica, e produtividade á vista, que permita a contração de mais dívidas, ou mesmo o pagamento das já existentes; com a carga de impostos a atingir, o máximo suportável; Portugal não pode, contrair mais empréstimos, porque não terá, quem os vá pagar; tem que haver ajustamentos, alongamento de prazos, e abaixamento de juros; ou incorremos no incumprimento.

Ao longo de 869 anos da sua existência, Portugal, sempre resistiu, às adversidades vindas do exterior; elas têm passado, e Portugal fica. No dia 30 de março de 2011; o país pagou, a última tranche de uma dívida, contraída há 119 anos.

A que Portugal, está agora a assumir, levará possivelmente, várias gerações, até á sua liquidação; o que constitui, para além de imoral, uma brutal agressão, aos nossos descendentes; muitos deles, só irão nascer, daqui a dezenas, ou talvez, centenas de anos; essas crianças, ainda no berço, já estão marcadas, com o selo do endividamento.

Há algum tempo que, o Presidente da Comissão, Dr. Durão Barroso, vem alertando, e sugerindo soluções, que conduziriam, ao fim da crise na zona euro; soluções essas que a Sra. Merkel, e os seus parceiros do norte, vêm bloqueando sistemáticamente; numa atitude, de manifesta prepotência, que leva vários países, onde se inclui Portugal, ao ponto em que estamos.

O relógio, entrou em contagem decrescente; Helmut Kohl, lançou o alerta; o aviso tinha um destinatário.

A Europa, não deve conhecer, mais a guerra; palavras de Helmut Kohl, 28 de setembro de 2012; a minha sincera homenagem, a este Grande Homem.

Quanto a Portugal; um país não pode, nem consegue, e não deve; viver eternamente, no cativeiro da dívida.

Joaquim Vitorino

Joaquim Vitorino – Vermelha

* Correspondente do Jornal de Oleiros, região Oeste

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Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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Uma Resposta a Recado de Lisboa, por Joaquim Vitorino

  1. valdo diz:

    vivemos num pais em que se gastou a herança da geração que já partiu ou todos os , gastou-se tudo o que a geração actual produziu e já se começou a gastar o que à próxima geração deveria pertencer por direito.

    infelizmente o que vai restar é muito pouco ou mesmo nada.

    sr. joaquim o meu obrigado por partilhar connosco o seu conhecimento e a sua visão

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