“De mal a pior”, por Joaquim Vitorino

De Mal a Pior

O que se está a passar com este país, é preocupante; empresas vitais para a nossa economia, a serem leiloadas ao preço da chuva, bancos com rombos de milhares de milhões, suportados pelos contribuintes, que já não são muitos, porque com a aceleração do desemprego, numa escala que não há memória, não tardará em estes também acabem; a contagem decrescente já começou, com o início do ” abate” da classe média, que são a espinha dorsal, da sustentabilidade de um Estado que, sem um mínimo 35 a 40 por cento destes contribuintes, para o alimentar, é remetido inevitávelmente, à categoria de hipoteca; este é o caminho, que estamos a seguir. A deslocação de empresas, que tinham algum peso, na frágil economia do nosso país, estão a ser levadas à pressa, para locais onde a procura de mão de obra, nunca foi uma tradição, mas compreende-se; é que portugal não tem petróleo para fornecer, a quem as deslocaliza para fora de Portugal; depois de benefícios e requisitos, terem sido rigorosamente cumpridos; é caso da Steiff, em Oleiros, que depois de beneficiar, durante 20 anos, de condições e vantagens que, certamente não encontraram noutros países, somos agora trocados por uns barris de petróleo. A Sra. Chanceler, pode cá vir; Portugal sabe receber, mas eu no seu lugar, não trazia o encerramento da Steiff na bagagem; Para a Sra. Chanceler, regressar ao seu país de consciência tranquila; tranquilize os trabalhadores da Steif, que em Oleiros, com as suas famílias, representam 300 pessoas; lembre-se das crianças que, só conseguem sobreviver dignamente, na dependência do posto de trabalho, dos seus pais. Sra. Chanceler, os portugueses para além de honestos, são excelentes pagadores, no ano passado, a 30 de março pagámos a última tranche, de uma dívida com 120 anos; ela foi consequência indireta, de um ultimato dos ingleses, feitos aos velhos aliados, que eramos nós os portugueses; logo a seguir, em 1903, Edward VII foi convidado, a visitar Portugal; o país tinha entrado, em bancarrota há pouco tempo; a situação, era muito semelhante à de hoje, o custo da visita, foi nesse ano, um grande rombo no PIB; levou algum tempo, 120 anos; mas a dívida está paga. Sabe Sra. Chanceler, os portugueses, podem ter alguns defeitos; mas um deles não é, de certeza, a hipocrisia; visitar um país depois de um ultimato, ou fazer uma visita, trazendo na bagagem o encerramento, de uma fábrica em Oleiros, que durante 20 anos beneficiou de todas as vantagens, que lhe foram negadas em outros países, não só pela mão de obra barata, mas também, pelas condições de segurança, que Portugal oferece; e que nos dias de hoje é fundamental, em termos de risco no investimento. 300 pessoas, incluindo muitas crianças, que dependem do rendimento do trabalho dos seus pais, são atirados para o banco alimentar, e misericórdias que, estão à beira da rotura, para dar comida, a 800.000 desempregados, neste pequeno país. Em nome da amizade, que une os nossos dois povos, tenha um gesto nobre, e altruísta; recue na decisão; o que para a Alemanha é uma gota num Oceano; para Oleiros, onde está sediada a Steiff, é a sobrevivência do Concelho. Durante 20 anos, os trabalhadores da Steiff, com a sua arte e imaginação, fizeram felizes, milhões de crianças do seu país; não queira como retribuição, retirar às de Oleiros o pão.

Desejo á Sra. Merkel, e ao povo Alemão, um Bom Natal. Por aqui?; tudo depende de Si.

Joaquim Vitorino – Vermelha

* Correspondente do nosso jornal na região do Oeste

Com um abraço de solidariedade, a Oleiros

Joaquim Vitorino

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