“Shanshui”, por Carlos Fernandes

“ Shanshui”

O sentimento, através do gosto, cria a beleza. O significado da palavra Shanshui (paisagem), Shan transporta nos às montanhas e Shui às águas e rios. É partindo deste pensamento que iremos abordar a paisagem como produto e recurso turístico, quer na vertente de turismo da natureza, quer na vertente de saúde e bem estar, ou gastronomia e vinhos, nomeadamente na zona do Pinhal interior.

Todavia, começo com duas citações, que por si só são elucidativas. Do que estamos a falar, passo a citar:

(…) Poucos sabem qual o rio da minha aldeia.

E para onde vai.

E donde vem.

E por isso pertence a menos gente, é mais livre e maior o rio da minha aldeia .

O rio da minha aldeia, não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

(Alberto Caeiro )

“Muita gente vive de arrancar torgas e fazer carvão (….)

A serra para uns e outros, e especialmente para o pobre, é a possibilidade de fazer o molho, encher o carrinho, que lhe vai buscar o lavrador amigo ou condoído, e a liberdade.

(….) A serra é nossa e muito nossa. Queremo-la assim estamos no nosso direito.

(Aquilino Ribeiro in Quando os lobos uivam).

O rio como paisagem natural e cultural tem servido de referência para o homem ao longo de toda a sua existência, é fonte de água, elemento vital e indispensável, que percorre e estrutura o espaço é um marco territorial, tem sido fonte de inspiração de poetas e pintores, mas essencialmente é uma estrutura complexa de onde dependem muitos sistemas naturais, semi – naturais e humanos.

O rio pelos importantes valores ecológicos, estéticos, sócio-culturais , económicos, pela proximidade e relação com a sociedade ao longo da história e ainda por refletir as opções de gestão /ordenamento do território e os subsequentes riscos (ex. cheias poluição, etc), é um excelente recurso para compatibilizar turismo com sensibilização ambiental . É este paradigma entre o observador e a natureza que urge existir um filtro, uma atitude ética que se apoia na observação dos princípios da ecologia, sem dúvida influenciada por uma filosofia romântica do apreço pelo natural. Pois sempre o homem a vida viu no rio refletida.

Mas é o pinhal, quase 90% da paisagem da nossa terra, é na gestão em harmonia com a conservação da fauna, e beneficiando da sua presença, para o controlo de pragas, para a rentabilidade económica da atividade cinegética e turística .Um pouco por todo o mundo estão em desenvolvimento mercados para serviços associados à conservação, para potenciar a sustentabilidade económica e ambiental destes sistemas , através: Eco-turismo ou outras formas de turismo associado a espaços florestais : Caça, pesca, produtos não lenhosos ; Contratos de prospeção de novas espécies etc. Tudo isto através de certificações do território florestal e da sua gestão, por exemplo : A certificação da gestão floresta sustentável ; a certificação de boas práticas agrícolas ;a certificação da agricultura biológica entre muitas outras , obviamente que não se pode ter tudo, mas essencialmente o que queremos, se este for o caminho, escusado será dizer que os desportos motorizados, ralis, todo terreno terão que ser suprimidos.

Existe também certificação do setor turístico que advém também da existência de um “novo turista”, que seleciona o seu destino de férias com base em critérios ambientais e sociais.

O turismo de natureza em Portugal, apresenta lacunas de infra estruturas e falta de experiência e know how, todavia se for conduzido de forma competente e no respeito pelo ambiente, poderá contribuir significativamente para a sustentabilidade de áreas agro florestais do país. O turismo em espaço rural, turismo da natureza e biodiversidade, tem registado um aumento considerável, representando 9%das viagens dos Europeus na atualidade, sendo os principais mercados emissores a Alemanha e a Holanda.

Ora é esta matéria prima que a zona do pinhal oferece, o turismo de natureza ,saúde bem estar, gastronomia e vinhos necessita e contribui para preservação. A atividade turística depende de recursos (naturais e culturais) em bom estado. Contribui para a manutenção e valorização de atividades tradicionais ameaçadas de desaparecimento, contribui para a fixação dos jovens e para o desenvolvimento de novos mercados de trabalho e novas profissões, necessita de inovar com base na valorização dos recursos locais para se diferenciar e ser competitivo, ora o meio agro florestal propicia esta inovação.

Necessita de paisagens diversificadas e esteticamente atraentes, em alternativa ao turismo de massas. Necessita diversidade de oferta de atividades turísticas não impactantes sobre o meio (percursos pedestres, alojamento rural, experimentação de produtos locais, e como não poderia deixar de ser, uma aposta forte na formação de educação ambiental).

Autenticidade de extrema importância, para manter intactas as características da região. Hoje é muito apreciada a gastronomia regional e com grande relevo económico devido à industria de transformação para diversas utilizações alimentares e as oportunidades de exportação.

Cada vez mais os turistas que nos visitam procuram paisagens, hábitos e costumes diferentes dos das suas terras de origem .

Com a proliferação de alojamentos em espaço rural e hóteis na zona do pinhal, será de todo importante, em conjunto a criação de parcerias entre todas unidades de alojamento, empresas de animação turística e município, para uma aposta forte na qualificação e certificação (festas, romarias, confrarias gastronómicas etc), como também em recursos humanos com alto grau de qualificação, comunicar, promover apostar no marketing e ser mais capaz , só assim o investimento não se irá transformar em má despesa.

Com votos redobrados de sucesso, e sabendo que a hospitalidade e matéria prima da região é de excelência, gostaria de lembrar que o futuro é uma construção coletiva.

Bem hajam

Carlos Fernandes

Hotel Santa Margarida

Sobre Jornal de Oleiros

Nascemos em 25 de Setembro de 2009.
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